29/02/12
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DEPOIS DO SEGUNDO FILHO

Tomás tranquila
Tomás competente
Tomás confiante
Tomás dormindo
Tomás ocupada
Tomás comendo
Tomás cansada
Tomás criativa
Tomás responsável
Tomás família
Tomás corajosa
Tomás completa
Tomás feliz






22/02/12
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A PATRULHA DO TANQUE DE AREIA

No parquinho eu sempre tento olhar de longe. Os brinquedos de movimento ainda não são tão interessantes como o tanque de areia. O Joaquim brinca fácil, parece semi-civilizado e normalmente entra nos grupinhos numa boa, tentando interagir com a criançada, ou tomar posse de algum brinquedo.

O problema de todas as crianças é o mesmo: os pais.

A coitada da Luiza levou para o parquinho um conjunto de panelinhas com todas as finalidades. Panela de pressão, panela de cabo longo, caçarola, frigideira, talheres e até um escorredor de arroz. Ela estava fazendo com outra menina um almocinho delícia, com areia e folhas.

Joaquim chegou de mansinho e foi abandonando seus rastelo e balde pelo caminho, que eram rapidamente capturados por outras crianças. Ajoelhou do lado da cozinha da Luiza, numa cena muito engraçadinha. Como conseguem as crianças ajoelhar tão profundamente, e manter-se equilibrando por longos minutos sobre os calcanhares? De fazer inveja a qualquer mestre De- Rose.

Ele não disse nada a princípio, e a Luiza e sua amiga continuavam cozinhando. Quando ela percebeu que de alguma forma aquele loirinho poderia querer brincar também, moveu todas as panelinhas para o outro lado e deu as costas para ele. Protegeu o almoço dos filhos, sem causar frisson. Luiza devia ter uns 3 anos.

Ele levantou da sua postura de Ioga e foi ajoelhar novamente do lado do fogão imaginário da Luiza. E dessa vez capturou o lavador de arroz, com um convite provindo de toda a sua habilidade linguística e alto poder de observação: " Vam-lavá um arroiz?"

Luiza não gostou não. Acho que o arroz já estava lavado. Tomou delicada, mas firmemente o brinquedo pink da mão do menino.

Em menos de uma fração de segundo, uma voz grossa, vinda por trás dos meus ombros, cortou o ar do tanque de areia e atravessou até a área do escorregador. Os passarinhos voaram das árvores e ouvimos por um breve momento o silêncio entre os burburinhos das crianças:

- LUIZA! VOCÊ TEM QUE APRENDER A DIVIDIR! VOCÊ TEM QUE EMPRESTAR SEUS BRINQUEDOS!!

Luiza olhou para o pai com nenhuma surpresa. Com uma cara de quase enfado. Esticou o braço relutante e devolveu o seu lavador de arroz para o pequeno intruso. Se Luiza falasse merda, ela diria - Toma essa merda. Mas só disse um chateado "Toma."

É conveniente que a gente aos poucos vá ensinando aos filhos o mundaréu de regras que a convivência social pacífica exige. Sim, dividir é importante. Conviver em harmonia com outras crianças é importante. Descobrir que o mundo não gira ao redor do seu umbigo também.

Mas como uma mãe do modelo observadora de conflitos, sem a menor vontade de interferir, acabei concluindo enquanto a Luiza preparava o almoço que talvez isso esteja um pouco fora de mão: a patrulha dos genitores do lado de fora do tanque de areia não permite que qualquer conflito seja resolvido pelos interessados verdadeiros: a dona do almoço e o menino aficionado por afazeres domésticos.

Mais um convidado para um carona ao inferno, aquele das boas intenções, me pareceu que o pai da Luiza jamais sequer se permitiu a reflexão: é mesmo necessário que aos três anos as crianças já tenham dominado ou sejam constantemente lembradas por um adulto com anos de adestramento no lombo, da arte de dividir?

Pode se esperar da Luiza que sorria passivamente para um estranho que interrompe o preparo de sua comidinha? O que teria feito Luiza, e mais curioso ainda, o que teria feito Joaquim, caso a patrulha da boa convivência do tanque de areia não tivesse entrado em cena? Não sabemos. As crianças tem pouco ou nenhum espaço para reações espontâneas. As crianças estão tolhidas em sua essência e criatividade, em muitas, muitas situações.

Tem sempre alguém da patrulha das boas intenções tentando ensinar, avaliar, melhorar, otimizar. Afinal, eles são muito pequenos para saber qualquer coisa! A patrulha está pronta para controlar os tanques de areia, as noites de sono, as brincadeiras de todas as espécies e todos os pedaços de papel de estiverem em branco. Vão te ensinar como desenha. Vão te ensinar como se escreve. Vão fazer valer todos os manuais de instruções de todos os jogos do planeta. 

Tendo devolvido o lavador de arroz para Joaquim, Luiza foi surpreendida por mais um elemento no parque. Desta vez um impiedoso recém caminhante na casa dos 12 meses. Altamente motorizado, altamente irresponsável e desprovido de qualquer conhecimento sobre regras. O pequeno Neandertal atropelou a cozinha de Luiza, chutando todas as panelinhas. Catou um dos talheres e enfiou cheio de areia na boca., lançou com toda força a caçarola para fora do tanque. Pegou o lavador de arroz das mãos de Joaquim e saiu, saindo, pequeno meliante.

Acabou com o almoço da Luiza e distraíu Joaquim, que foi atrás de outro grupinho. Passado o tornadinho, ela se pôs a recolher suas panelas, fez o maior esforço atrás da caçarola. E foi atrás do pequenino para recuperar a última peça, o lavador de arroz. Quatro segundos de perseguição e novamente a patrulha lhe deu um esporro:

- LUIZA, JÁ FALEI PARA VOCÊ DIVIDIR SEUS BRINQUEDOS. NÃO VOU MAIS TE TRAZER AQUI!!!

Foi então que eu não me aguentei e saí do papel da observadora. Me juntei à patrulha da intereferência, mas sentada no banco da advogada de defesa da Luiza. 

- Ela só está tentando continuar sua brincadeira. Ela foi interrompida várias vezes, você viu?
- A Luiza é terrível, ela não sabe dividir nada. 
- Mas ela ainda é nova para saber dividir não é? 
- LUIZA LARGA O BRINQUEDO DA MENINA ISSO NÃO É SEU.
- E se ela tem que emprestar sem falar nada também pode pegar sem falar nada não pode?
- Ela finge que não me escuta. Parece que ela não me vê! LUIZA, EU ESTOU MANDANDO VOCÊ LARGAR ISSO.

E Luiza olhava para o pai com nenhuma surpresa, com uma cara de quase enfado.

***

Minha cabeça borbulha em reflexões. Quem finge que não escuta é o pai ou é a Luiza? E quem não está vendo quem? 

Existe uma fina linha escondida entre a interferência castradora e a completa displicência. Eu acredito no potencial das crianças. Acho que são capazes de aprender as coisas de uma forma diferente da que a nossa arrogância acha a correta.

Este modelo de educação - escolar ou doméstico - baseado na hierarquia para a transmissão de conhecimento me parece cada vez mais antiquado. Me parece injusto com os pequenos que não possam se expressar dentro de seus próprios conflitos. Que estejam constantemente monitorados por professores, pais, mães, babás e avós - que sabem mais, que tem sempre uma lição de moral para dar.

Do lado de fora do tanque de areia, a missão não é fácil. Onde está a linha que separa a dona da razão e a completa oba-oba? Da minha parte, acredito que a única forma de chegar sequer perto dela, é parar para observar, e para refletir. Olhar antes de interferir. Escutar antes de falar.

Filhotes, prometo fazer parte da patrulha o mínimo possível. E nunca vou ler nenhuma instrução de nenhum brinquedo. Pretendo deixar que vocês me ensinem como brinca. Afinal, cada um com sua especialidade. E se ainda não for tempo de aprender a dividir, estou disposta a esperar. Com um pouco de vergonha de parecer a mãe dos egoístas. Mas isso a gente resolve com o tempo.


-


14/02/12
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DA SÉRIE: DIÁLOGOS SINCEROS

Mulher estranha magrela tenta diariamente algum contato visual com menininho de quase dois anos, que fala coisas como "mamãe, onde está a lua hoje?" e se recusa com veemência a dirigir sequer um tolinho "oi" para a dita cuja, que inconformada vive de tentar chamar sua atenção, em vão.

- Joaquim, não gosta de mim? Joaquim, olha essa bola que legal? Joaquim, eu tenho um filho também sabia? Joaquim não fala comigo? Joaquim o gato comeu sua língua?

Mãe da criatura sabe que Joaquim não fala por ela por razões que só a empatia explica. Ele não gosta dela. Mas sendo um ser social, mãe do Joaquim é polida e sorri enquanto empurra o mais novo no carrinho.

- Olha Joaquim, seu irmão está no carrinho, e está rindo para mim. Bilú bilú bilu... oi Tomás.

Menininho de quase dois meses não sabe nada dessa vida e ri para qualquer mocréia que lhe olhe nos olhos. Ele riu mesmo.

- Tá vendo Joaquim, seu irmão não corre de mim.

Mãe do Joaquim.

- Claro! Ele está amarrado.

The End.


10/02/12
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GUIA DE PERGUNTAS E RESPOSTAS DA MÃE SLINGUEIRA

Por: uma mãe que resolveu usar sling porque achava descolado.

Eu ganhei um sling da minha prima logo que Joaquim nasceu. Mal sabia eu o que aquele pedaço de pano ia me render. Uma tira de um tecido meio elástico que vem com infinitas possibilidades de amarração, para manter mamãe e bebê juntinhos.

Decidi começar a usar, confesso, porque eu achava cool. Muito mais legal do que carregar criança no carrinho, mais bossa. Fora que em pouco tempo percebi que podia ficar com as duas mãos livres.

Só quem é mãe de bebê pequeno sabe o luxo que é ter duas mãos livres.

Com o Joaquim usei enquanto ele era pequeno. E fui desistindo. Sei lá porque. Acho que eu não saía tanto de casa, ou acabei me rendendo aos resmungões que ele fazia.

Quando Tomás nasceu, ganhei mais 3. Mais um wrap (o nome desse de amarrar) e dois de argola. E desde então venho usando bastante.

Todo mundo acha que o comecinho da vida do bebê é uma momento tenso, muita adaptação, complicado, que a mãe deve se reservar e evitar sair, manter a casa em silencio e coisa e tal.

Quem tem o segundo filho aprende nos primeiros dias (com raras exceções): a época de RN é a melhor fase para bater perna na rua. Passear, fazer compras, até ir no cinema.

Simplesmente porque com um sling você consegue fingir que continua grávida. Com algum traquejo, da até para deixar a marmita de fora e o bebê mama quando quer, dorme, fica apertadinho no colo, mama de novo, dorme. Pensa que ainda está no útero.

Ontem eu fui a um evento, veja só. Coisa de gente grande, cheio de cartões corporativos. E meu feto fora do útero amarrado no sling.

É claro que slingar é menos glamour do que parece. Meus slings estão sempre sujos de leite - baba - molho de tomate e vez ou outra eu encontro um pedaço de carne moída dentro da orelha do meu filho.

Mas ainda assim, é para a mãe de pequenos um sopro de liberdade. Não é à toda que é um recurso usado a milênios, em diversas civilizações.

***

Mas se você pensa que vai escapar ilesa de amarrar seu filho no corpo e sair por aí está redondamente enganada.

O Sling, assim como a barriga de grávida, é um imã de pitacos. O povo fica em polvorosa curiosidade quando vê uma mãe carregando bebê no pano. E olha que isso é cada vez mais comum.

Foi então que o instituto "Super Duper Resmugations" desenvolveu um guia de perguntas e respostas que vai facilitar a vida da mãe slingueira. As perguntas foram colhidas de situações reais e recomendamos que as respostas sejam usadas em tom sério e macabro, de preferencia fazendo cara de biruta. Acompanhem: .

- Mas ele não vai cair daí?
- Vai. Esse é meu plano.

- Ai, coitadinho!
- Coitado é filho de rato que nasce pelado no meio do mato.

- Deixa eu ver (aproximando a mão)?
- Grrrr... Nhoct! (finge que morde, mas não. Vc não sabe o tipo de louco que tentará abrir o seu sling para ver o seu filho)

- Ah! Eu achei que era um cachorro.
- Sim, porque slingar com poodles é tendência!

- Mas ele não vai sufocar?
- Vai. Esse é meu plano.

- Cuidado com a cabeça dele.
- Cuidado com seus dentes.

- É um bebê?
- Não. É um para-quedas.

- Mas ele não está com calor aí dentro?
- Não. Esse modelo tem ar condicionado integrado.

(Sugestão da Mari - viciadosemcolo.blogspot.com)
- Mas ele não vai ficar com a coluna torta?
- Tem razão, no útero ele ficava esticadinho!

- Mas como você tira ele daí?
- Eu agendo uma cesárea.

PS: Quer contribuir com o guia? Mande sua sugestão nos comentários!










08/02/12
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BLOGAGEM COLETIVA: COMO NASCEU SUPER DUPER

Não é novidade para ninguém que eu sou apaixonada por esse blog. Foi de fato umas das ideias mais brilhantes que já tive. Foi mais ou menos assim:

Eu fiquei grávida e na época trabalhava num escritório de arquitetura. Levava uma vida de sol a sol, em salto alto. Eu sou designer de interiores e artista plástica para quem não sabe. Mas hoje em dia quando perguntam minha profissão gosto de dizer blogueira, e quando estou tendo crises de egotrip, falo mesmo que sou empresária.

Mas voltando à vaca fria, peguei o resultado da gravidez do Joaquim com  6 semanas. E desse jeito pus no google "grávida de 6 semanas". Foi o começo do fim.

Achei um site, que valorizava demais as etapas do desenvolvimento, semana a semana da gravidez. E passei a acompanhar a evolução semanalmente, vendo as figurinhas alieníginas de bebezinhos se transformando em humanos. De semente de uva, a pera, a melancia... uma loucura.

Surgiu uma vontade de registrar. Eu comprei um caderno. Escrevi muito naquele caderno, já era uma fervorosa adepta de escrever meus sonhos (muito embora desde o advento do blog esse meu caderno de sonhos, que registra meus dramas desde 1998 está meio abandonado). 

A gravidez foi chegando no fim e eu descobri através de uma amiga um álbum virtual. Nada mais do que um blogão para mães, com espaço para escrever, colocar fotos, e marcadores pré fabricados sobre o desenvolvimento esperado para as crianças... nasceu, primeiro sorriso, primeiro dente... etc.

Escrevi por alguns meses naquilo. E fui pegando gosto. Subia infinitas fotos, relatava insanamente. Compartilhava com meia dúzia de gatos pingados da família. O povo lia, mas ninguém comentava. Eu não sabia naquela época o poder de um comentário.

O tempo passou, Joaquim nasceu e eu fui ao google novamente. Procurava dicas de passeios com bebês. Olha que tolinha. E foi então que caí no primeiro blog. Alguém narrando que fez tal e tal passeio com o filho. Acho que o nome do menino era João. Eu fiquei begem!

Olha isso! É igual o meu álbum virtual (hahahahaha)... Como ela tem coragem? Ela posta foto do filho? Olhei ali do lado (eu tinha uma aversão à linguagem do blog, os links, a sidebar, eu não entendia nada) e vi o blogroll da moça. Cliquei em um e li relato de parto, cliquei em outro e vi que o fulaninho tinha largado a chupeta, e assim fui clicando e clicando e ficando cada vez mais pasma! O que era aquilo?

Era a blogsfera materna.

Eu fiquei ainda um tempo sem coragem de adentrar. Me aprecia muita exposição. Eu, que era dona de um Flickr privado, uma conta inativa de Orkut e um blog onde com muita relutância postava as fotos das minhas telas.

Mas um dia, ali no meu bloguinho privado postando fotos da gravidez, um aviso: VOCÊ NÃO PODE MAIS POSTAR FOTOS. LIMITE EXCEDIDO. PARA PROSSEGUIR FAÇA UM UPGRADE POR APENAS XXX DOLETAS.

Oque merrmão? Pagar para subir fotinho aqui enquanto aquela galera sobe de graça? E tem comentário? E morre de dar risada e se diverte? Eu já era leitora de muitos blogs, foi o que eu precisava para inaugurar o meu.

Mas como vai ser? O que eu vou falar? Não quero fazer um blog só sobre meu filho, pois eu sou uma pessoa completa, cheia de facetas e a maternidade é apenas uma delas (todas rola histéricamente no chão de tanto dar risada)

Então decidi que importaria todo o conteúdo do blog antigo para esse. E que escreveria muito sobre tudo, afinal eu tinha muitas opiniões. Então esse blog precisava de um nome genérico, um nome transcendental, um nome que falasse com as massas, que resumisse esse conceito inovador de se criar um blog materno que não fale só de filhos....(todas levanta e rola de novo)

Mas eu sou péssima com nomes. Com dar nomes. Acho uma responsabilidade danada. E nada estava bom. Só que eu também não sou muito de demorar com as coisas e naquele dia, eu cafona que sou, estava com uma música na cabeça, de uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos. Abba.

E a música era "Super Trouper".

Então eu tentei registrar. E alguém já tinha tido essa idéia. Tentei "The winner takes it all". E também já tinha. E por fim tentei "Ai, quiéisso, elas estão descontroladas". Mas também já tinham pego.

Então eu desencanei e falei, quer saber? Vou registrar qualquer nome aqui, mas o blog vai chamar Super Trouper. E aí eu pensei... ninguém conhece Abba. Vão me achar retardada. Então vou colocar Super Duper. Que não quer dizer nada, mas quer dizer tudo. E para me esquivar do nome, coloquei na frente um Mammi... que na minha cabeça mongol era para disfarçar meu sobrenome. Rammi.

Vai que alguém pega meu sobrenome na rede, né?
(novamente, convido-as a rolar no chão de rir comigo)

O blog no começo não tinha fotos do Joaquim. Eu achava que era demais. Com o tempo assim como fui liberando as histórias, fui liberando as imagens. Comecei a contar mais e mais. As pessoas comentavam, eu comentava nos outros blogs. Eu admirava muitas blogueiras, achava que eram celebridades inalcançáveis. Algumas delas são hoje minhas amigas pessoais e com muitas outras eu mantenho algum contato, semanal, mensal. Virei parte do clubinho.

Os seguidores aumentaram, com eles os perseguidores. Eu me interessava pelas histórias dos outros e os outros se interessavam pelas minhas. Comecei a escrever para outro blog, de uma marca de brinquedos, mas parei em pouco tempo.

Virei blogueira compulsiva. Houve um bom tempo em que eu comentava mais. Comentava muito, em muitos blogs. Eu queria contribuir, deixar meu rastro. Hoje em dia os comentários estão mais difíceis, mas e ando me perdoando, pelo fato de estar aqui, com o maior prazer da vida, narrando a história do blog, enquanto eu deveria estar lavando a louça.

Acho que meus filhos um dia podem se interessar pelo blog, pelas histórias deles. Ou não. Uma vez isso foi criado para que servisse de registro. Hoje eu sei que isso aqui é feito por mim e para mim, com todo a minha dor e delícia.

***

Anne Rammi é blogueira compulsiva e além do Super Duper alimenta, com menos vigor, os blogs privados Odisséia na Sala e Anatomy of a Queen Bee e também os blogs de cunho profissional Anne Rammi - atelier documentado e Anne's Cake Toppers. Com outras 3 blogueiras fofas criou o Mamatraca. Não um blog, de fato. Mas uma plataforma cheio de conteúdo que dá um trabalhão para ser feita. Gostou tanto da coisa que transformou sua vida profissinoal para seguir esse chamado, e hoje vive de internet e de brigar com o marido que o sinal wi-fi da casa está uma porcaria. Tem dois filhos lindos e optou pela amamentação exclusiva e prolongada porque é muito mais prático amamentar no peito do que fazer mamadeira, enquanto bloga. Ela nega e diz que acredita estar fazendo o melhor para os filhos. Em pouco mais de dois anos de blogaria, contabilizou algo em torno de 3 posts que não fossem sobre o universo materno.

***

Se você ficou com vontade de contar a história do seu blog, poste ainda hoje e participe! 
Tem sorteio de 16 prêmios Netflix - vulgo um monte de filme de graça - para todo mundo que mandar o link!


06/02/12
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NOTAS SOBRE CAMA COMPARTILHADA

O segundo filho te dá a chance de brincar de casinha tUdo de novo, e desta vez tentar "corrigir" aquilo que da primeira vez você julgou equivocado. Ok, fiz um monte de cagada com o Joaquim.

Não sei porque eu me convenci na primeira viagem como mãe, de que o certo era "ensinar" o bebê a dormir no berço. Não sei mesmo, somente parecia o certo a se fazer. Lembro-me de antes de ser mãe assistir a Supernanny e achar que aquela louca senhora estava coberta de razão em suas estratégias para adestrar ensinar poodldes crianças.

Então ao redor de um mês de vida do meu pequeno, eu já me gabava de ter conseguido colocá-lo no berço. Ai que burra! Se eu soubesse o que eu sei agora. Ou se pelo menos eu acreditasse no que eu hoje acredito...

Joaquim foi a escola e Tomás é o mercado de trabalho.

Aceitei plenamente alguns conceitos do Attachment Parenting - Mãe Cola, em livre tradução.
Bebês pequenos não querem só mamar. Nem tampouco mamar nos horários que bem entenderem. Eles querem, e na minha visão precisam, de contato integral. Colo o tempo todo, carinho, olho no olho, dormir junto.

Não acredito mais em deixar o bebê acordar sozinho, e esperar que chame. Depois que me propus a pensar e vivenciar a prática da cama compartilhada, é que definitivamente percebi as exigências acima da média que eu estabeleci para o Joaquim no primeiro ano de vida dele. Eu queria que ele dormisse a noite toda, mas nunca trabalhei com ele a confiança de que eu estava por perto, caso ele acordasse.

Achava que bastava que eu fosse ao quarto dele quando me chamasse. E nunca pensei que o intervalo de tempo entre abrir os olhos, perceber-se só, chamar a mãe e esperar ela chegar poderia ser uma eternidade para uma criança com medo.

Então simplesmente nunca me separei do segundo. Dorme comigo desde o dia em que foi concebido, na mesma cama. Existem muitas considerações sobre a cama compartilhada. Essas são as minhas percepções.

Eu não tenho medo de esmagá-lo. Nesses 50 dias ele nunca sequer chorou a noite, um pequeno movimento dele já me desperta. Ele mama, voltamos a dormir.

Eu não tenho preocupações com a minha relação com o meu marido. Mas é fundamental que o pai esteja no mesmo barco para não rolar stress entre o casal. Na vida de cama compartilhada, hay que ter criatividade para namorar. Mas isso é um detalhe da vida de qualquer casal com filhos, convenhamos. 

O que vem regendo minhas decisões ultimamente é um profundo respeito ao tempo. Que também pode ser interpretado como "apertei o foda-se". Vai dormir a noite toda? Muito bem. Não vai dormir? Muito bem também. Quer mamar mama, não quer não mama. Quer comer come, não quer não come.

É claro que existem regras. Mas são regras que eu inventei. Eu me sinto me esquivando de toda e qualquer catequização com relação às escolhas maternas. Todas as sugestões, dicas, pitacos ou leis vem para o meu filtro, eu doso o que presta e jogo fora sem dó o que me parece invencionice de anos de civilização.

Na boa, o advento de colocar o filho em outro quarto não estava previsto pela natureza. Isso é uma adaptação da cultura em que vivemos, que prevê que o filho que dorme com os pais ou que mama depois de ter dentes vai virar um psicopata apegado à mãe e ter problemas de relacionamento a vida toda. Humpf, dou de ombros, como uma criança mal criada.

Não consigo crer que uma criança possa ter problemas por ser criada na base da atenção integral. E acho mesmo que as coisas acabaram se atropelando na nossa cultura. Eles nascem cedo, são separados dos pais cedo. Vão para a escola cedo, aprendem a ler cedo. 

Hoje, fazer o bebê dormir em um quarto separado dos pais me parece pular uma etapa.
Mas é para sempre? Claro que não, nada é. Aí está o meu botão de foda-se. Pouco me importa se vai levar 2 anos ou seis. Haverá um dia em que se sentirão preparados para ficarem sós. Que vão querer ir na casa dos amigos. Que vão detestar que eu os busque na escola. Que vão me ignorar e me achar irritante.

Vou celebrar essa separação nesse tempo. Enquanto precisam do grude, eu estou aqui.

Nota: Joaquim dorme bem em seu próprio quarto, tem uma rotina e pede para ir para lá. Foi uma criação diferente e também bem sucedida. Mas é nítido, nas noites em que o pai dorme com ele, que a tranquilidade que ele sente de tê-lo por perto vira mais importante do que manter o padrão que esperam da gente - mamãe e papai em um quarto e filhinhos no outro.

Se eu posso dar uma dica? Viva a vida com os pequenos para inventar suas próprias dicas!


02/02/12
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CONVOCANDO A MATERNAGEM!

Uma vez contei aqui que uma das coisas mais importantes que aconteceram para mim nos últimos tempos foi ter virado blogueira. Certo, certo, a maternidade também, importante e tal...
Mas há dias em que eu penso que tipo de mãe eu seria se não tivesse um dia tido a brilhante idéia de criar um blog!

Essa semana tem muita coisa especial acontecendo, off line. E todas tem alguma (ou toda) relação com a vida online. Que me permite estar aqui e aí, amamentar e chupar cana, receber infinitos emails da louca do Fly Lady e ainda por cima rever minhas atitudes, aprender com as outras, fazer amizades, tricar figurinhas, ler textos maravilhosos, conhecer histórias emocionantes.

Há poucos anos eu era a pessoa mais desconectada que já invetaram, agradeço o dia em que me tornei parte da grande rede mundial de computadores. A vida ficou mais divertida.

E então quero fazer um convite. Para quem tem assim como eu esse amor piegas e beirando o ridículo pelo próprio blog... adivinhem: BLOGAGEM COLETIVA! hahahaha... não desmaiem!

Mas faz muito tempo que eu não participo de uma, e estou com saudade. Minhas cúmplices Mamatracas gostaram da idéia e já estão no rolo. A proposta é para quem já cansou de ler e escrever relato de parto de crianças, vamos agora contar a história de nascimento dos blogs!

BLOGAGEM COLETIVA: RELATO DE PARTO DO MEU BLOG

Vamos contar a história desses mundinhos que nos fizeram virar doidas varridas e expor a vida dos filhos na internet  parte integrante da world wide web materna.

Como: Basta postar a sua história.

Onde: No seu blog.

Quando: Dia 08/02 - quarta feira que vem

O que mais? Mande o link do seu post para o contato@mamatraca.com.br que todos os posts participantes serão linkados na Home do Site na quarta feira.

Surpresinha: Todos os participantes da blogagem vão participar de um sorteio bacana!

Vem gente!

***

E tem mais! Se você é mãe na internet...
Se liga amanhã à tarde na TV Gazeta, no programa Mulheres... tchã nã nã nã!