10/08/12
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BC: VOCÊ É ATIVISTA DA AMAMENTAÇÃO? (COMO NÃO SER)

Defender a amamentação é para mim mais do que uma questão de ativismo, é uma prática de coerência em justiça, em especial para que seja garantido o direito básico do maior interessado nesse processo: o bebê.

Não haveria necessidade de nenhum tipo de ativismo, caso esse direito fosse plenamente respeitado.

Ainda é difícil amamentar.
A média de lactação exclusiva no Brasil é de 54 dias, podendo chegar a 23 em algumas regiões, em especial nas metrópoles. Na minha observação primária e isenta de qualquer responsabilidade científica são muitos motivos, mas são todos farinha do mesmo saco: da desconexão que nós humanos sofremos com nossas próprias naturezas.

Excesso de oferta de substitutos para o seio materno. Excesso de ofertas de substitutos para o leite. Excesso de atividades substitutas para o maternar. Excesso de responsabilidades substitutas para o filho.
Excesso de industrialização das coisas.

Existem ainda os inimigos de ordem cultural. Excesso de palpite, excesso de mitos absurdos. Preconceito escancarado. Falta de apoio decente nas maternidades, falta de compromisso dos veículos com a qualidade da informação que promovem, pediatras despreparados.

Não surpreendentemente, as duas ordens de motivos são interdependentes visto que uma pode financiar a vida e os passeios de iate da outra.

Se a indústria vendesse somente para os casos onde realmente existe a necessidade de interferência, não estaria multimilionária. 

A saúde é subversiva porque não dá lucro para ninguém, diz a Sônia Hirsch.

Se as crianças são amamentadas e por conseguinte desenvolvem menos doenças o que será da indústria farmacêutica? Eles estão dispostos a vender menos antibióticos?

E se a gente largar de ser o único mamífero na face da terra que consome leite de outro animal, o que será da indústria de laticínios? Eles se conformariam em vender só queijinhos e iogurtes?

E se as mães superarem as dificuldades através de informação e apoio, que é de graça, quem vai comprar os bicos de borrachas, capas, protetores, cremes, mamadeiras, aquecedores de mamadeiras, pinças, mais pinças, bolsas para carregar as capas das pinças...? Essas indústrias estão dispostas a vender somente o necessário para apoiar quem efetivamente precisa de ajuda? 

A verdade é que se não existir ativismo em prol da divulgação de informações sadias, redes de apoio e defesa de práticas naturais de amamentação exclusiva, em livre demanda, prolongada  e com desmame natural - a batalha começa em desvantagem brutal - e se alguém perde de verdade é o bebê.

Quédize... como não ser ativista?


Esse post faz parte da Blogagem Coletiva proposta pelo Blog do Desabafo de Mãe