Como blogueira megalômana que sou - e sem muita vergonha de assim o ser - peço encarecidamente que me votem na página do Limetree, para eu poder ir para Nova Iorque.
E não é só isso. Como não consigo decidir qual post meu eu gosto mais, nos próximos dias todos os posts reblogados serão inscritos no concurso.
Assim, fiel leitora dessa blogueira
Originalmente postado aqui
***
Existem momentos na minha vida que me fazem questionar minha existência nesse mundo. Minhas fraquezas e minhas qualidades. Calma! É melhor do que parece.
Tudo aconteceu no sábado. Estava eu, sozinha com o filho no fim de semana, que para alguns mortais era sinônimo de feriado. Para mim, era uma quarta feira disfarçada de sábado. O pai trabalhando, eu tendo que trabalhar, mas não conseguindo. Joaquim causando pela sala.
Lá pelas tantas atravessei o quintal enquanto o rebento esbugalhava a ração do gato e fui tirar uma papinha do freezer. Voltei para a cozinha e descasquei uma manga para o lanche da manhã. Sentei na sala com o Joaquim e ele começou a devorar a fruta. Uma, duas, três colheradas famintas. O tempo todo eu sentia no meu braço uma cosquinha, como se houvesse um mosquito me perturbando.
Mas o apetite dele, que abria a boca para mais uma colherada de manga amassadinha meio segundo depois de engolir a anterior me distraiu por minutos a fio. O braço continuava coçando, e eu enfeitiçada com aquele apetite. Ele é um nenê muito carismático.
Foi então que ele distraiu com alguma coisa e eu finalmente decidi olhar, que raio me incomodava no braço. Em câmera lenta:
O bebê vira a cabeça para o lado com a boca sorridente cheia de manga, eu afasto a colher vazia para o lado direito enquanto olho curiosa para o braço esquerdo para me deparar com UMA LAGARTA DO TAMANHO DO BRASIL SUBINDO EM DIREÇÃO AO MEU SOVACO
Aqui entra minha questão sobre as minhas fraquezas e qualidades. O que faz uma mãe frente um perigo mortal como uma lagarta do tamanho do Brasil? Eu não sei o que faz uma mãe normal. Eu joguei a colher para cima, com o Joaquim a menos de meio metro da minha face, soltei um grito te pavor, agudo no melhor estilo Psicose. Em minha defesa, eu tenho pânico de insetos. Em qualquer estágio de sua metamorfose.
Se o Joaquim assusta com gargalhadas, imagina a paúra do bebê-manga quando a mãe urrou na cara dele, levantou como se lhe tivessem dado um choque elétrico e começou a se debater para a lagarta do tamanho do Brasil largar do braço dela.
Depois que eu afastei o perigo de morte, que caiu no tapete fazendo o melhor estilo “nem-te-ligo, vou continuar aqui me arrastando, com essas minhas pintinhas amarelas e esses pelos que deus me deu”, peguei meu fillho naquele estilo de choro sem som, com a boca arreganhada, dois dentinhos total-exposure, olhos apertados escorrendo lagriminhas e levemente arroxeado, normal para quem toma um susto que lhe faz parar de respirar.
Me levou meia hora para acalmá-lo, pedindo desculpas pelo descontrole e explicando que lagartas são do bem, que devemos respeitar os bichos e que eu precisava de muito apoio moral para retirar aquela aberração do tapete.
Ensaiei ainda um tempo e catei um papel da pilha de contas a pagar para capturar a nojenta, que ainda me provocou um tanto e avançou em mim empinando a cabecinha e desviando do papel. Mas a insistência vence a resistência e para o lixo com a conta ela se foi. Deixo só registrado que pode haver atraso em alguma conta de minha residência e peço encarecidamente ao credor referente que me compreenda e perdoe a dívida, dados os fatos: jamais aquele lixo foi aberto novamente.
Hora depois sentada no sofá olhando o Joaquim brincar, porque depois dessa a soneca da manhã foi para o mesmo destino da lagarta e da conta, olhei novamente para o braço, que ainda pinicava. UM RASTRO COMPRIDO E AMARELO GELEQUENTO.
Quase pari outro filho. Pensei em ter um ataque. Pensei em me jogar da janela, mas estava no térreo. Comecei desesperadamente a esfregar o braço na almofada de linho. Foda-se o linho. Mas tudo repentinamente se resolveu, e eu recuperei a dignidade: era um fiapo de manga.
Ficam as questões:
Como será que meu medo absoluto de bichos asquerosos vai afetar meu filho?
Será que eu vou conseguir me controlar um dia?
Em face do pior de todos os medos, uma barata, como será minha reação?
De onde, oh céus, veio aquele animal? Como é que ele estava subindo no meu braço, e desde quando?
Até quando eu vou achar que qualquer coceirinha é uma lagarta me escalando e sentir um incontrolável arrepio na espinha seguido de um “ecat” e contorções nos dedos dos pés e das mãos?
E por último, mas não menos importante: o papel foi para o lixo orgânico, porque lagarta não é reciclável, né?
***
Imagem daqui





