07/05/12
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TANTO PARA FAZER, E TÃO POUCO TEMPO

Me relacionar com o tempo foi (é) um dos meus grandes aprendizados, que a vivência da maternidade me proporcionou reavaliar. Em resumo, eu que já não tinha tempo, agora tenho menos ainda.

O tempo, ou falta de, é muito meu amigo. Quanto mais coisa eu faço, mais coisa eu arrumo para fazer, e interessantemente, sempre dá tempo. Não significa que sai no tempo certo, mas tudo sai... no possível.

Com o tempo, fui aprendendo que a maior idiotice é brigar com ele. Nada acontece antes do tempo, mesmo. E tempo a gente pode inventar. Nesse momento, arrumei um tempo.

Entre tantas, tantas, incalculáveis mesmo, coisas que eu tenho para fazer nesse momento do tempo, eu dei um sentão no chão do quarto empoeirado dos meninos, enquanto Tomás resmunga as palavras que seu tempo lhe permite, e Joaquim opera aparatos tecnológicos à frente do meu tempo.

Precisava desabafar aqui que eu queria ter mais tempo, mas se o tivesse estaria preenchendo com mais coisas para fazer. Não sou do tipo de gente que tem tempo de lazer. Você é?

Para não soar uma completa reclamona, vou contar que me viciei em um jeito de matar tempo que há muito, muito não fazia: assistir série de TV. A bola da vez é Mad Men, e estou amando. Porque eu gosto do tema e acima de tudo, por que eu gosto de produções de época. Qualquer época. Essa, no caso, de um tempo onde "não existe uma máquina mágica de tirar cópias dos papéis", e mulheres cuidavam perfeitamente de suas casas, filhos, maridos. Um tempo impressionante, parecido e totalmente avesso ao tempo de hoje. Ao fim de cada capítulo tudo o que eu quero saber é: onde elas arrumavam tempo para manter tudo em ordem assim?

Tenho tentado andar devagar, por que sou um ser naturalmente com pressa. Mas eu sorrio e choro na mesma intensidade e frequência. Agora chega, que o meu tempo de devaneios acabou.

Vou tratar de alimentar as crias, viabilizar parcerias, ligar para o homem do tapete, dirigir através da cidade, colocar uma roupinha na secadora, fechar todas as janelas da casa, colocar os pincéis de molho, comprar mais gesso acrílico, responder os emails, encaminhar o que preciso, resolver o que estiver urgente, enrolar o que tiver mais tempo....

E vamos prá cima. Nunca esquecendo de agradecer do fundo do meu coração os filhos que tenho, a casa suficiente para meus braços, as companhias mais do que agradáveis, a saúde mental e física condizente com os esforços e acima de tudo: o fato de que Mariana só sabe contar até 10.