03/05/12
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FAZENDO A MÃE COM AS PRÓPRIAS MÃOS

Este post já começa com um eu nunca imaginei que...

Há algumas semanas eu estive com a equipe da Crescer, as Mamatracas e diversos outros blogueiros bacanas em um café da manhã bate-papo sobre um mundaréu de coisas do universo (pater) maternidade - internet. Taí uma coisa que eu nunca imaginei, que ser mãe me traria a chance de entrar em contato com tanta gente legal,  que assim como eu, transforma a vivência de um filho em uma experiência total, na vida privada, na vida pública, de dia, de noite... todo o tempo.

Do balaco-baco: Gisela da Crescer, Dani Vuono, Leticia Volponi, Glau Nunes, Carol Passuello, eu (a moça das maiores canelas já vistas na blogsfera materna), Renato Kaufman, Roberta Lippi, Jorge Freire, Priscilla Perlatti e Sam Shiraishi


Meu trabalho é mãe. Mãe que cuida, que alimenta, que embala, que pensa sobre coisas da maternidade, que as publica, que lança questionamentos, que escreve, que ajuda, que atrapalha. Como em uma novela em que vida e arte se misturam, todos os meus papéis são permeados pelo arquétipo materno. Mulher, mas mãe, profissional, mas mãe, jovem, mas mãe, filha, mas mãe. E posso falar? Sem muito medo dos julgamentos? Eu gosto prá caramba.

E uma das coisas que me faz ser absolutamente apaixonada pela mãe que sou é o fato de que ela, com o tempo, com o crescimento, com os bebês que insistem em virar crianças, que insistem em virar adolescentes, que insistem em virar adultos, vai se transformar.

Ela é agora uma mãe entregue, absolutamente entregue. Outro eu nunca imaginei: eu não sabia o significado da palavra entrega, antes de ser mãe. 

Mas com toda licença poética que eu já me cedi, e me excedi, esse post era para contar sobre outro "eu nunca imaginei..."

***

Antes de ser mãe eu passei em uma lojinha e comprei um montre de paradigmas sobre maternidade. Eles se encaixavam perfeitamente, como num quebra-cabeça. Eles haviam sido fabricados por anos e anos de escolhas maternas, sociais, familiares, eram paradigmas coletivos, criados para facilitar a vida da gente. E eu os tinha todos. A coleção inteira.

Confie no seu médico, vacine seu bebê, amamente direitinho, desmame para poder trabalhar, dedique-se à sua carreira tanto quanto ao seu filho, é importante não deixar de ser mulher, escolha uma boa escola, tenha ajuda em casa, eduque com firmeza, não permita alimentos muito gordurosos, não proíba nada, ensine a diferença entre certo e errado, curta nos fins de semana, valorize a participação do pai, coloque limite nas avós...

Eu poderia emendar peças a esse quebra cabeça ad infinitum. À partir da chegada efetiva do primeiro filho na minha vida (nesse momento colho meus louros) e da minha própria vontade de ser uma mãe ativa, fui percebendo que essas peças podiam se encaixar entre si, mas faziam pouco e muitas vezes nenhum sentido para mim.

"Amamentar até que tenham dentes" e meu filho aos seis meses teve seu primeiro dente. Era um bebê dependente, como devem ser os bebês, que se nutria a olhos vistos, não só do leite mas do amor que o seio lhe oferecia, que mamava com paixão, que estava saudável e feliz. Por que deveria eu desmamá-lo?

Então desmamo depois, ou não desmamo. E entre um clique e outro aprendi muito sobre amamentação e virei adepta da amamentação prolongada.

"Mulher grávida não amamenta" e meu filho com um ano tinha uma mãe grávida do segundo. Era uma pequenina criança, ainda mamava muito. Era confortável para mim, gostoso para ele. Porque deveria eu desmamá-lo mesmo? Dizem que a amamentação na gravidez prejudica o bebê.

Então vou ver qualé, será isso verdade? E entre um clique e outro e um pulo a um médico verdadeiramente confiável descobri a lactogestação. Mais uma pecinha do quebra-cabeça de paradigmas, que não se encaixava mais.

Dali para cá, com a chegada do meu segundo filho, veio a amamentação Tandem - dois filhos em idades diferentes dividindo o seio da mãe. Me disseram que eu esgotaria, que o leite não seria suficiente, que o menor ficaria em débito, que o maior ficaria problemático.

Tentaram me vender mais paradigmas, mas desta vez mais sabidinha, eu parei de comprar. E tenho evitado as lojinhas das verdades pré-fabricadas.

Não há nada mais legal do que ser a mãe que você quer ser, dentro das suas vontades e dos seus recursos.

As pecinhas prontas do quebra-cabeça da maternidade se encaixam entre si, mas dificilmente são o encaixe perfeito para todas as mães em todas as vivências. Eu estou aqui, uma por uma recortando, lixando e fazendo as minhas próprias. Muitas vezes elas são difíceis mesmo de encaixar. Muitas vezes eu perco um tempão trabalhando em uma e ela de fato não serve para mim.

Mas o que eu gosto mesmo é de construir minhas próprias peças.

Eu nunca imaginei que eu seria artesã da minha própria jornada de mãe.