Os posts que relatam os nascimentos dos meus filhos fizeram parte de uma jornada paralela. Registrar as experiências sobre os nascimentos foi fundamental para eu entender muita coisa, acerca dos meus medos, dos meus impedimentos e das minhas frustrações.
Por outro lado, não consigo ver nenhum dos dois relatos, ainda que nus e crus, dentro de cada uma das histórias, cheios de coisas boas e coisas ruins, sem as lentes do amor. O Cazuza disse que os nossos destinos foram traçados na maternidade. Os amores da minha vida, independente de como, nasceram de mim. Impossível não amar.
Digo isso porque uma coisa é o nascimento, outra coisa é o parto. Eu disse em um dos relatos que compreendo perfeitamente a premissa de que cesárea não é parto. Uma vez tendo vivido um trabalho de parto, não há mesmo como colocar essas duas experiências no mesmo balaio, e considerá-las iguais.
Veja bem. Nessas linhas escritas, jamais eu disse que um nascimento é menos do que o outro. Jamais eu quiz diminuir a experiência de ninguém. Quando eu leio um relato de parto domiciliar, de uma mãe empoderada, que diferente de mim levou o parto até o fim dentro de sua casa e não pediu pinico, o que eu sinto vontade é de comemorar. É de admirá-la.
Quando essa mãe narra por exemplo a experiência de ter sentido o círculo de fogo, e a descreve como única e maravilhosa, meu coração enche de admiração e curiosidade. E eu não sou aquela que vai comentar no seu relato tentando fazer com que a minha experiência seja aceita. Tentando convencê-la de que as minhas escolhas é que são as mais legais.
Falta um pouco de humildade para admirar e talvez um pouco de coragem para admitir. Talvez a minha experiência não tenha sido a mais intensa, e ok. E se eu admiro o que o outro viveu, eu posso querer buscar isso para mim. Se isso não me é mais possível, admirar é uma forma de compartilhar bons sentimentos.
Nossa, esse texto está atrasadíssimo. Houve um único comentário nos relatos de parto do Tomás que me incomodou profundamente. A pessoa dizia que era uma falta de respeito eu dizer que a cesariana não é um parto, e pedia com essas palavras, encarecidamente que eu parasse de diminuir a experiência dos outros...
Oras. Do meu ponto de vista, narrar a minha experiência não é diminuir a dos outros. Ter uma opinião baseada nas minhas vivências, nem tampouco. Escrevo assim porque é importante para mim, em primeiro lugar. Em seguida, porque se eu pudesse com a minha história motivar, inspirar, trazer informação ou até mesmo impedir alguém de vivenciar uma cesárea, procedimento cirúrgico que na minha vivência roubou a magia do nascimento do meu primeiro filho, eu faria com minhas próprias mãos. Com os textos, eu faço com minhas próprias letras.
Eu falei sobre isso na semana passada no Site Mamíferas.
Existe muito blá blá blá em torno do que é radical, do que é necessário, do que é "certo" ou "errado"quando o assunto é a via de nascimento dos filhos. Eu definitivamente pouco me importo.
O que me importa é contar o que vivi. As minhas histórias podem passar pelos outros como anedotas, como inspiração, como provocação. Eu sou responsável pelo que escrevo, e não pelo que os outros lêem. Se alguém se sentiu ofendido, desculpe, não foi minha intenção.
Se alguém quer ler que cesárea e parto normal são a mesma coisa, não vai ser nesse blog. Ainda que eu tenha muito claro, claro como cristal. A experiência do nascimento não muda o amor que sentimos pelos filhos. Poderiam ter me arrancado os dois pelo nariz, eu os amaria igual.




