O segundo filho te dá a chance de brincar de casinha tUdo de novo, e desta vez tentar "corrigir" aquilo que da primeira vez você julgou equivocado. Ok, fiz um monte de cagada com o Joaquim.
Não sei porque eu me convenci na primeira viagem como mãe, de que o certo era "ensinar" o bebê a dormir no berço. Não sei mesmo, somente parecia o certo a se fazer. Lembro-me de antes de ser mãe assistir a Supernanny e achar que aquela louca senhora estava coberta de razão em suas estratégias para adestrar ensinar poodldes crianças.
Então ao redor de um mês de vida do meu pequeno, eu já me gabava de ter conseguido colocá-lo no berço. Ai que burra! Se eu soubesse o que eu sei agora. Ou se pelo menos eu acreditasse no que eu hoje acredito...
Joaquim foi a escola e Tomás é o mercado de trabalho.
Aceitei plenamente alguns conceitos do Attachment Parenting - Mãe Cola, em livre tradução.
Bebês pequenos não querem só mamar. Nem tampouco mamar nos horários que bem entenderem. Eles querem, e na minha visão precisam, de contato integral. Colo o tempo todo, carinho, olho no olho, dormir junto.
Não acredito mais em deixar o bebê acordar sozinho, e esperar que chame. Depois que me propus a pensar e vivenciar a prática da cama compartilhada, é que definitivamente percebi as exigências acima da média que eu estabeleci para o Joaquim no primeiro ano de vida dele. Eu queria que ele dormisse a noite toda, mas nunca trabalhei com ele a confiança de que eu estava por perto, caso ele acordasse.
Achava que bastava que eu fosse ao quarto dele quando me chamasse. E nunca pensei que o intervalo de tempo entre abrir os olhos, perceber-se só, chamar a mãe e esperar ela chegar poderia ser uma eternidade para uma criança com medo.
Então simplesmente nunca me separei do segundo. Dorme comigo desde o dia em que foi concebido, na mesma cama. Existem muitas considerações sobre a cama compartilhada. Essas são as minhas percepções.
Eu não tenho medo de esmagá-lo. Nesses 50 dias ele nunca sequer chorou a noite, um pequeno movimento dele já me desperta. Ele mama, voltamos a dormir.
Eu não tenho preocupações com a minha relação com o meu marido. Mas é fundamental que o pai esteja no mesmo barco para não rolar stress entre o casal. Na vida de cama compartilhada, hay que ter criatividade para namorar. Mas isso é um detalhe da vida de qualquer casal com filhos, convenhamos.
O que vem regendo minhas decisões ultimamente é um profundo respeito ao tempo. Que também pode ser interpretado como "apertei o foda-se". Vai dormir a noite toda? Muito bem. Não vai dormir? Muito bem também. Quer mamar mama, não quer não mama. Quer comer come, não quer não come.
É claro que existem regras. Mas são regras que eu inventei. Eu me sinto me esquivando de toda e qualquer catequização com relação às escolhas maternas. Todas as sugestões, dicas, pitacos ou leis vem para o meu filtro, eu doso o que presta e jogo fora sem dó o que me parece invencionice de anos de civilização.
Na boa, o advento de colocar o filho em outro quarto não estava previsto pela natureza. Isso é uma adaptação da cultura em que vivemos, que prevê que o filho que dorme com os pais ou que mama depois de ter dentes vai virar um psicopata apegado à mãe e ter problemas de relacionamento a vida toda. Humpf, dou de ombros, como uma criança mal criada.
Não consigo crer que uma criança possa ter problemas por ser criada na base da atenção integral. E acho mesmo que as coisas acabaram se atropelando na nossa cultura. Eles nascem cedo, são separados dos pais cedo. Vão para a escola cedo, aprendem a ler cedo.
Hoje, fazer o bebê dormir em um quarto separado dos pais me parece pular uma etapa.
Mas é para sempre? Claro que não, nada é. Aí está o meu botão de foda-se. Pouco me importa se vai levar 2 anos ou seis. Haverá um dia em que se sentirão preparados para ficarem sós. Que vão querer ir na casa dos amigos. Que vão detestar que eu os busque na escola. Que vão me ignorar e me achar irritante.
Vou celebrar essa separação nesse tempo. Enquanto precisam do grude, eu estou aqui.
Nota: Joaquim dorme bem em seu próprio quarto, tem uma rotina e pede para ir para lá. Foi uma criação diferente e também bem sucedida. Mas é nítido, nas noites em que o pai dorme com ele, que a tranquilidade que ele sente de tê-lo por perto vira mais importante do que manter o padrão que esperam da gente - mamãe e papai em um quarto e filhinhos no outro.
Se eu posso dar uma dica? Viva a vida com os pequenos para inventar suas próprias dicas!




