Eu ganhei um sling da minha prima logo que Joaquim nasceu. Mal sabia eu o que aquele pedaço de pano ia me render. Uma tira de um tecido meio elástico que vem com infinitas possibilidades de amarração, para manter mamãe e bebê juntinhos.
Decidi começar a usar, confesso, porque eu achava cool. Muito mais legal do que carregar criança no carrinho, mais bossa. Fora que em pouco tempo percebi que podia ficar com as duas mãos livres.
Só quem é mãe de bebê pequeno sabe o luxo que é ter duas mãos livres.
Com o Joaquim usei enquanto ele era pequeno. E fui desistindo. Sei lá porque. Acho que eu não saía tanto de casa, ou acabei me rendendo aos resmungões que ele fazia.
Quando Tomás nasceu, ganhei mais 3. Mais um wrap (o nome desse de amarrar) e dois de argola. E desde então venho usando bastante.
Todo mundo acha que o comecinho da vida do bebê é uma momento tenso, muita adaptação, complicado, que a mãe deve se reservar e evitar sair, manter a casa em silencio e coisa e tal.
Quem tem o segundo filho aprende nos primeiros dias (com raras exceções): a época de RN é a melhor fase para bater perna na rua. Passear, fazer compras, até ir no cinema.
Simplesmente porque com um sling você consegue fingir que continua grávida. Com algum traquejo, da até para deixar a marmita de fora e o bebê mama quando quer, dorme, fica apertadinho no colo, mama de novo, dorme. Pensa que ainda está no útero.
Ontem eu fui a um evento, veja só. Coisa de gente grande, cheio de cartões corporativos. E meu feto fora do útero amarrado no sling.
É claro que slingar é menos glamour do que parece. Meus slings estão sempre sujos de leite - baba - molho de tomate e vez ou outra eu encontro um pedaço de carne moída dentro da orelha do meu filho.
Mas ainda assim, é para a mãe de pequenos um sopro de liberdade. Não é à toda que é um recurso usado a milênios, em diversas civilizações.
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Mas se você pensa que vai escapar ilesa de amarrar seu filho no corpo e sair por aí está redondamente enganada.
O Sling, assim como a barriga de grávida, é um imã de pitacos. O povo fica em polvorosa curiosidade quando vê uma mãe carregando bebê no pano. E olha que isso é cada vez mais comum.
Foi então que o instituto "Super Duper Resmugations" desenvolveu um guia de perguntas e respostas que vai facilitar a vida da mãe slingueira. As perguntas foram colhidas de situações reais e recomendamos que as respostas sejam usadas em tom sério e macabro, de preferencia fazendo cara de biruta. Acompanhem: .
- Mas ele não vai cair daí?
- Vai. Esse é meu plano.
- Ai, coitadinho!
- Coitado é filho de rato que nasce pelado no meio do mato.
- Deixa eu ver (aproximando a mão)?
- Grrrr... Nhoct! (finge que morde, mas não. Vc não sabe o tipo de louco que tentará abrir o seu sling para ver o seu filho)
- Ah! Eu achei que era um cachorro.
- Sim, porque slingar com poodles é tendência!
- Mas ele não vai sufocar?
- Vai. Esse é meu plano.
- Cuidado com a cabeça dele.
- Cuidado com seus dentes.
- É um bebê?
- Não. É um para-quedas.
- Mas ele não está com calor aí dentro?
- Não. Esse modelo tem ar condicionado integrado.
(Sugestão da Mari - viciadosemcolo.blogspot.com)
- Mas ele não vai ficar com a coluna torta?
- Tem razão, no útero ele ficava esticadinho!
- Mas como você tira ele daí?
- Eu agendo uma cesárea.
PS: Quer contribuir com o guia? Mande sua sugestão nos comentários!





