08/02/12
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BLOGAGEM COLETIVA: COMO NASCEU SUPER DUPER

Não é novidade para ninguém que eu sou apaixonada por esse blog. Foi de fato umas das ideias mais brilhantes que já tive. Foi mais ou menos assim:

Eu fiquei grávida e na época trabalhava num escritório de arquitetura. Levava uma vida de sol a sol, em salto alto. Eu sou designer de interiores e artista plástica para quem não sabe. Mas hoje em dia quando perguntam minha profissão gosto de dizer blogueira, e quando estou tendo crises de egotrip, falo mesmo que sou empresária.

Mas voltando à vaca fria, peguei o resultado da gravidez do Joaquim com  6 semanas. E desse jeito pus no google "grávida de 6 semanas". Foi o começo do fim.

Achei um site, que valorizava demais as etapas do desenvolvimento, semana a semana da gravidez. E passei a acompanhar a evolução semanalmente, vendo as figurinhas alieníginas de bebezinhos se transformando em humanos. De semente de uva, a pera, a melancia... uma loucura.

Surgiu uma vontade de registrar. Eu comprei um caderno. Escrevi muito naquele caderno, já era uma fervorosa adepta de escrever meus sonhos (muito embora desde o advento do blog esse meu caderno de sonhos, que registra meus dramas desde 1998 está meio abandonado). 

A gravidez foi chegando no fim e eu descobri através de uma amiga um álbum virtual. Nada mais do que um blogão para mães, com espaço para escrever, colocar fotos, e marcadores pré fabricados sobre o desenvolvimento esperado para as crianças... nasceu, primeiro sorriso, primeiro dente... etc.

Escrevi por alguns meses naquilo. E fui pegando gosto. Subia infinitas fotos, relatava insanamente. Compartilhava com meia dúzia de gatos pingados da família. O povo lia, mas ninguém comentava. Eu não sabia naquela época o poder de um comentário.

O tempo passou, Joaquim nasceu e eu fui ao google novamente. Procurava dicas de passeios com bebês. Olha que tolinha. E foi então que caí no primeiro blog. Alguém narrando que fez tal e tal passeio com o filho. Acho que o nome do menino era João. Eu fiquei begem!

Olha isso! É igual o meu álbum virtual (hahahahaha)... Como ela tem coragem? Ela posta foto do filho? Olhei ali do lado (eu tinha uma aversão à linguagem do blog, os links, a sidebar, eu não entendia nada) e vi o blogroll da moça. Cliquei em um e li relato de parto, cliquei em outro e vi que o fulaninho tinha largado a chupeta, e assim fui clicando e clicando e ficando cada vez mais pasma! O que era aquilo?

Era a blogsfera materna.

Eu fiquei ainda um tempo sem coragem de adentrar. Me aprecia muita exposição. Eu, que era dona de um Flickr privado, uma conta inativa de Orkut e um blog onde com muita relutância postava as fotos das minhas telas.

Mas um dia, ali no meu bloguinho privado postando fotos da gravidez, um aviso: VOCÊ NÃO PODE MAIS POSTAR FOTOS. LIMITE EXCEDIDO. PARA PROSSEGUIR FAÇA UM UPGRADE POR APENAS XXX DOLETAS.

Oque merrmão? Pagar para subir fotinho aqui enquanto aquela galera sobe de graça? E tem comentário? E morre de dar risada e se diverte? Eu já era leitora de muitos blogs, foi o que eu precisava para inaugurar o meu.

Mas como vai ser? O que eu vou falar? Não quero fazer um blog só sobre meu filho, pois eu sou uma pessoa completa, cheia de facetas e a maternidade é apenas uma delas (todas rola histéricamente no chão de tanto dar risada)

Então decidi que importaria todo o conteúdo do blog antigo para esse. E que escreveria muito sobre tudo, afinal eu tinha muitas opiniões. Então esse blog precisava de um nome genérico, um nome transcendental, um nome que falasse com as massas, que resumisse esse conceito inovador de se criar um blog materno que não fale só de filhos....(todas levanta e rola de novo)

Mas eu sou péssima com nomes. Com dar nomes. Acho uma responsabilidade danada. E nada estava bom. Só que eu também não sou muito de demorar com as coisas e naquele dia, eu cafona que sou, estava com uma música na cabeça, de uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos. Abba.

E a música era "Super Trouper".

Então eu tentei registrar. E alguém já tinha tido essa idéia. Tentei "The winner takes it all". E também já tinha. E por fim tentei "Ai, quiéisso, elas estão descontroladas". Mas também já tinham pego.

Então eu desencanei e falei, quer saber? Vou registrar qualquer nome aqui, mas o blog vai chamar Super Trouper. E aí eu pensei... ninguém conhece Abba. Vão me achar retardada. Então vou colocar Super Duper. Que não quer dizer nada, mas quer dizer tudo. E para me esquivar do nome, coloquei na frente um Mammi... que na minha cabeça mongol era para disfarçar meu sobrenome. Rammi.

Vai que alguém pega meu sobrenome na rede, né?
(novamente, convido-as a rolar no chão de rir comigo)

O blog no começo não tinha fotos do Joaquim. Eu achava que era demais. Com o tempo assim como fui liberando as histórias, fui liberando as imagens. Comecei a contar mais e mais. As pessoas comentavam, eu comentava nos outros blogs. Eu admirava muitas blogueiras, achava que eram celebridades inalcançáveis. Algumas delas são hoje minhas amigas pessoais e com muitas outras eu mantenho algum contato, semanal, mensal. Virei parte do clubinho.

Os seguidores aumentaram, com eles os perseguidores. Eu me interessava pelas histórias dos outros e os outros se interessavam pelas minhas. Comecei a escrever para outro blog, de uma marca de brinquedos, mas parei em pouco tempo.

Virei blogueira compulsiva. Houve um bom tempo em que eu comentava mais. Comentava muito, em muitos blogs. Eu queria contribuir, deixar meu rastro. Hoje em dia os comentários estão mais difíceis, mas e ando me perdoando, pelo fato de estar aqui, com o maior prazer da vida, narrando a história do blog, enquanto eu deveria estar lavando a louça.

Acho que meus filhos um dia podem se interessar pelo blog, pelas histórias deles. Ou não. Uma vez isso foi criado para que servisse de registro. Hoje eu sei que isso aqui é feito por mim e para mim, com todo a minha dor e delícia.

***

Anne Rammi é blogueira compulsiva e além do Super Duper alimenta, com menos vigor, os blogs privados Odisséia na Sala e Anatomy of a Queen Bee e também os blogs de cunho profissional Anne Rammi - atelier documentado e Anne's Cake Toppers. Com outras 3 blogueiras fofas criou o Mamatraca. Não um blog, de fato. Mas uma plataforma cheio de conteúdo que dá um trabalhão para ser feita. Gostou tanto da coisa que transformou sua vida profissinoal para seguir esse chamado, e hoje vive de internet e de brigar com o marido que o sinal wi-fi da casa está uma porcaria. Tem dois filhos lindos e optou pela amamentação exclusiva e prolongada porque é muito mais prático amamentar no peito do que fazer mamadeira, enquanto bloga. Ela nega e diz que acredita estar fazendo o melhor para os filhos. Em pouco mais de dois anos de blogaria, contabilizou algo em torno de 3 posts que não fossem sobre o universo materno.

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Se você ficou com vontade de contar a história do seu blog, poste ainda hoje e participe! 
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