21/12/11
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TESTANDO... 1, 2, 3

Nesse momento estou sentada no sofá com Tomás pendurado no peito há algum tempo. Digito com a mão direita e vou conversando com o Joaquim que insistentemente nomeia as partes do bebê com suaves dedadas... mão! olho! boca! dim-dom! e tome dedada no nariz. Tomás é tranquilo.

Chorei algumas vezes, mas poucas. Aquela sensação de e agora? O bom é que eu já conhecia e sei que passa.  Joaquim monta na minha coxa e diz: solta nenê o mamá do Joaquim. Eu digo: é o mamá dos dois. Ele empurra a cabeça de Tomás em direção ao peito: mama nenê, dos dois. Tomás quer arrotar.

Joaquim sai da sala, toca o telefone. Azar, Tomás está com soluço. Joaquim volta com uma porção de clips na mão. Ainda bem que ele não come clips.

Ouço meu pai, meu ajudante das próximas horas dizer para ele: Joaquim, larga essas moedas. Ainda bem que ele não come moedas. Meu pai finalmente atende o telefone. Tomás fez cocô.

Joaquim precisa almoçar. Eu preciso almoçar. Tomás foi ao pediatra ontem e já passou 95g do peso do nascimento. Livre demanda compensa, não tenho fissuras, um pouquito de dor, mas essa eu já conhecia e sei que passa.

Tomás chora. Eu vou parar de escrever. Viva o sling, Feliz Natal se eu não voltar. Dia 30 é meu aniversário, não tem problema se vcs esquecerem. Vou parar agora.
Só estava testando... vcs mães e pais de mais de 1 por favor, comentem hoje, para eu não morrer...
Vou sobreviver, né?

14/12/11
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ELA SÓ PENSA NAQUILO

Ultimamente eu só penso em parto.
Porque será?

Eu tenho sonhado bastante, apesar de estar dormindo mal.

Desde que me dedico (quase que) diariamente a este blog, eu também tenho repentes de transformar a vida em posts. Qualquer coisa que acontece vira um post na minha cabeça, e eu já me peguei registrando momentos, para depois colocar no blog. Alguns chamam isso de excesso de exposição. Eu chamo de maluquice.

Pois então eu estava sonhando outro dia, e sonhei com um post. Um post sobre parto.

Sabe quando você sonha e naquele cenário é tudo perfeito? Faz um sentido do cão? É simplesmente o maior insight da terra e parece que você descobriu o segredo do universo?

Então, esse era meu post-sonho. Mas só que não.
Vejam vocês.
Primeiro que eu não lembro do post inteiro, depois que... convenhamos, que raio de post é esse?

Meu inconsciente stá querendo me dizer o que?

***

3 COISAS QUE VOCÊ NÃO PRECISA PARA PARIR

1) Um caminhão de som na porta da sua casa dizendo "Pamonha, pamonha, pamonha..."
2) Calcinha
3) .....


***


Não lembro.
Esse era o grande post-insight.
Eu acordei morrendo de dar risada, como pode?

E agora quero a  ajuda de vocês, já que minha mente brilhante desvendou que entre todas as coisas que uma mulher não precisa para parir, uma carro de pamonha e uma calcinha são as mais dispensáveis.

Na sua mente brilhante, qual seria a terceira??

12/12/11
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SABATINAS

Quando uma mulher faz opções por uma carreira, uma tendência da moda, um carro novo dificilmente é inquirida sobre seus motivos. Nunca precisa dar explicações: mas eu virei arquiteta porque.... sabe-se lá porque. Provavelmente ela achava aquilo legal, pensou que se sentiria realizada e que aquela opção era a melhor para a vida dela.

Quando uma mulher faz uma opção para o parto, e aqui me arrisco a estender essa reflexão para toda e qualquer opção que ela tome a respeito da criação e cuidados com o filho, parece natural que o círculo em que convive sinta-se curioso e atraído por seus motivos. Não interessa o que você escolhe, vai ter que explicar o porque. 

Mas foi planejado? Você queria mesmo assim tão perto? Vai ser melhor se for menina, né? Oque? Você quer um parto humanizado, tá louca? Como você aguenta não saber o sexo do bebê? Porque não saber o sexo do bebê, a tecnologia está aí para isso? Você é índio? O que você vai fazer com o enxoval? E de que cor será o parto? Você não tem medo de morrer? E se a criança nascer com problema? Espero que dê tudo certo com você, mas que eu saiba, a cesárea é mais segura. Porque alguém gostaria de ter o filho no banheiro? E se vier menino tudo bem, né? Mas você sabe que pode ser que você não consiga, né? Porque a minha cunhada tentou 8h de parto e acabou em cesárea porque o bebê estava.... coloque aqui qualquer coisa que o bebê da cunhada dela tinha...

Não importa, existe uma permissão social declarada para que as pessoas dêem suas opiniões e de alguma forma tirem suas dúvidas, curiosidades ou mesmo projetem suas frustrações, culpas e angústias em uma grávida ou mãe.

Penso que isso pode vir do arquétipo da mãe mesmo, a que tudo explica, a que tudo aguenta, a que se dedica, a que se entrega.

E pode vir da insistência que mães tem em competir umas com as outras. Juro, eu tô fora! Mas se perguntar, vai ouvir.

***

Eu estava na manicure, e o tamanho da barriga, minha cara de nunguento e a faxina geral denunciavam que o parto estaria mesmo próximo. No geral, eu tento respostas evasivas. Respostas completas sempre geram mais perguntas, e normalmente essas conversas viram embates de gente que não se compreende, pois curiosamente as pessoas que se interessam em saber os meus motivos para as minhas decisões dificilmente tem o mesmo nível ou qualidade de informação que eu. Óbvio, eu fui me informar, elas não. 

Poucas me escutam afim de entender verdadeiramente os motivos, ou sequer traçar uma conversa baseada na troca de aprendizado. A maioria simplesmente entra na conversa na base da resistência, e não raro tentando me convencer a desistir das minhas idéias, ou traçar algum argumento baseado em nada: você é neurótica. 

Gente que eu nunca vi, falando comigo sobre como o meu filho e a minha vagina vão sofrer. 

Fujo da militância, mas qualquer discurso que envolva as minhas opções para o parto vira um discurso no palanque, ou uma briga.

A manicure encasquetou que não queria passar o esmalte rosa choque que eu escolhi.

- Mas não pode! Não pode! Tem que ser clarinho! Toda grávida que vai ter nenê passa só base.
- Pode ficar tranquilla, eu não tenho essa recomendação, eu quero o rosa mesmo.
- Mas os médicos não deixam.
- A minha deixa, pode passar o rosa.

Nessas o assunto já era comoção da moça do lado que interviu:

- Mas é porque o médico tem que ver a cor das suas unhas durante a cirurgia, pois existem sintomas que eles diagnosticam pelas unhas, e se você estiver de esmalte...
- Então, eu não estou planejando um parto cirúrgico. Eu realmente não tenho essa recomendação. Ademais, eu não sei quando o bebê vai nascer, então não há necessidade de eu ficar de base 3 semanas, né? Eu gostaria de colocar o esmalte rosa, você pode por favor passar o rosa? Sorrisinho...

Eu não disse que dar respostas completas pode ser uma cilada? De repente era o salão inteiro, de manicures e clientes me olhando com olhos de coruja. Com vocês, a sabatina da grávida:

- Você está de quantas semanas?
- Algo entre 37 e 39.
- Mas já pode nascer!
- Pode!
- E é menino ou menina?
- Eu não sei!
- E como você aguenta?
- Sorrisinho
- Não deu para ver ou você não quis?
- Eu preferi não saber.
- Você já tem filhos?
- Um menino.
- E você não agendou?
- Não.
- Mas na hora que chegar no hospital vão tirar o seu esmalte.
- Não está nos meus planos ter que ir ao hospital, mas se eu for podem tirar o esmalte.
- E que dia está previsto.
- Daqui uns dias. Pode ser o rosa mesmo, eu adoro rosa, bonito, né?
- Como assim? Não vai no hospital, via ter o filho em casa?
- Como a Gisele Bunchen.
- É, está na moda ter o filho em casa, agora tem um monte de mulher fazendo essa loucura.
- Você não tem medo?
- Tenho. Mas tenho medo de cesárea e barata também.
- Mas você sabe que se o nenê passar do tempo, ele pode morrer?
- E ele pode entalar n canal do parto e pode morrer?
- E você pode ter hemorragia e pode morrer?

É muito comum, mais comum do que a gente imagina uma pessoa que você não conhece colocar em risco a vida do seu filho baseada em... nada.

***

As minhas escolhas com relação ao nascimento do meu segundo filho são baseadas nas minhas experiências de vida, e nas informações que eu colhi nos últimos 20 meses, a partir do momento em que percebi que a forma de vir ao mundo do meu precioso primogênito não era aceitável. Em linhas gerais, eu acreditei em algumas premissas.

  • De que o parto é um evento fisiológico e natural, e que não pode ser encarado como um evento médico, pelo bem da humanidade.
  • De que o bebê tem o direito de vir ao mundo em um ambiente e cercado de pessoas que estejam atuando com amor, por seu bem e exclusivo conforto, em seu tempo e atendendo suas necessidades reais.
  • De que nesse momento de transformação intensa, a separação dos dois seres deve ser sutil e amável, e isso não inclui horas, sequer minutos, em um berçário ao cuidado de técnicos, nem injeções, colírios, corte precoce do cordão.
  • De que à mãe, cabe o direito de escolha sobre todos os procedimentos aos quais for submetida.
  • De que à equipe, sejam médicos, parteiros, enfermeiros, cabe o dever de informar os envolvidos e atuar profissionalmente baseados em evidências, para o conforto e preservação da vida e saúde dos envolvidos, e não em benefício próprio.
  • De que os partos cirúrgicos salvam vidas e devem ser amplamente usados, somente quando necessários.
  • De que a experiência de tornar-se mãe pelas vias previstas pela natureza originalmente deve ser mais completa do que um nascimento cirúrgico, do ponto de vista simbólico, emocional e espiritual. (já rebatendo um argumento que tenho ouvido muito: ninguém é menos mãe pelo tipo de parto que escolheu. concordo, não existe menos mãe, mas existem experiências mais e menos intensas)
  • De que a parturiente deve se entregar ao processo natural do parto e abrir mão do controle do desfecho.
  • De que a única forma de garantir que o nascimento de uma criança seja humanizado, é estar cercada de uma equipe humanizada. 
***

Quem pergunta quer saber. Quando as sabatinas acontecem e eu me vejo horas com vontade, horas sem escolha, de dar explicações sobre toda essa jornada, a maioria das mulheres se sente imediatamente agredida por minhas explicações.

Se voltarmos à arquitetura: Mas por que você resolveu ser arquiteta? Porque eu acho que essa é a profissão mais bacana do mundo! Ah, mas eu fiz engenharia e gostei... Parece conversa de louco.
No entanto é uma conversa absolutamente normal quando falamos de parto.
Por que você não quer anestesia? Porque eu quero passar por essa experiência! Ah, mas eu fiz cesárea e adorei...

Em frente aos argumentos sobre as escolhas que uma mãe tem para seu filho, é inevitável que outras se sintam julgadas, e entrem em uma fantasiosa competição. No ímpeto de protegerem suas culpas e frustrações, podem ser bastante reativas. Para quem está simplesmente relatando, por ter sido inquirida e não por puro esmero (garanto que eu não entro no salão de manicure anunciando: eu prefiro um parto normal e você também deveria!), essas conversas se tornam conversas sem fim, cansativas de fato.

Mas na maioria das vezes só vem a confirmar que informação é fundamental.

***

Os argumentos menos interessantes do mundo começam com: mas eu. Isso não é um argumento é um relato de experiência, portanto deve estar locado em uma conversa trivial e não em uma sabatina jornalística, como é o que normalmente acontece com as grávidas e mães.

- Mas eu sempre comi (escreva aqui qualquer porcaria da nossa infância) e não morri.

Tem gente que pula de prédio e não morre, minha gente. Isso não é argumento.

- Mas eu fiquei em trabalho de parto 80 horas e não tive dilatação.

Tem gente que fica em trabalho de parto 4 horas e tem dilatação total.

- Mas eu sempre dei açúcar para meus filhos e eles estão ótimos.

Ah, que bom (enquanto na verdade minha vontade é dizer, tem certeza?)

***

Se você chegou aqui, parabéns e obrigada. Espero ter sido algum entretenimento ou informação. Esse relato foi inspirado pela sabatina (real e sem anestesia) na manicure e em um texto bacana encaminhado pela querida Priscilla Perlatti. Se tiver um tempinho e algum conhecimento de inglês é um texto altamente recomendável...

"Diga que você planeja um parto sem analgesia e parece que você est;a falando que vai escalar o Kilimanjaro. Diga que você planeja ter seu bebê em casa e vão pensar que você vai subir a montanha sem os aparatos de segurança e kits de sobrevivência. É difícil falar de suas escolhas sem que as pessoas pensem que você está tentando competir com elas...."

08/12/11
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CONFISSÕES DE UMA MENTE PERTURBADA

Não precisa muito tempo de convivência comigo para perceber que eu sou acelerada (ao meu modo, eu tenho muito sono de manhã). Alguns me chamam de ansiosa, outras de histérica, outros de controladora. 

Eu gosto de "uma mente à frente do meu tempo".

Em condições normais de temperatura e pressão é comprovado científicamente que o cérebro de uma mulher é capaz de fazer conexões, sinapses, em tempo menor do que o cérebro dos homens, que por ironia possuem mais neurônios, de acordo com as pesquisas. Daí aquela piadinha infame de que uma mulher economiza neurônios porque sabe usá-los, enquanto um homem precisaria de mais desses pequeninos transmissores de pensamento para fazer metade do que a gente faz.

Não fui eu quem disse isso, eu li nos livros.

Em condições normais de temperatura e pressão meu cérebro é uma zona. Eu consigo escrever sobre um tema, pensar sobre outro, olhar o Joaquim, ver a TV, checar o twitter, pensar no que falta em casa, pintar um quadro, tomar um pileque e ainda tenho tempo prá blogar. Prá blogar!

Consigo também prever uma chuva ou outra (porque a cicatriz da cesárea coça, sabia? é tipo aquele galinho que muda de cor).

Se existisse alguma possibilidade física, espaço-temporal e humana de eu colocar em prática todos os planos que eu mirabolo, eu mesma seria uma multinacional. Não sei se seria de sucesso, mas eu teria que ser uma holding das minhas próprias idéias. Alguns me chamam de criativa, eu gosto de "eu tenho problemas com a sensação de tédio." Não posso ficar parada.

Só que estamos grávidas, não é mesmo?

E bem sabemos que nessa fase nada é normal. Tenho por certo que a gente perde sim um pouco da inteligência. Já contei aqui. Tenho por fato que a gente perde também a habilidade de compreender algumas atitudes de outros seres humanos, coisas irrelevantes outrora, mas que embebidas na chuva de hormônios parecem se transformar no maior drama já vivido: Porque catzo nenhum membro dessa família sabe a marca e o tamanho da fralda do menino? Porque tem que me perguntar toda vez? Como eu pude viver até hoje relevando essas questões? Hoje eu pego um pelo pescoço... e aí minha cabeça vai confabulando, uma forma de inverter a situação, mudar, extrair o melhor daqueles seres, rever relações, propor uma nova estratégia de relacionamento entre os seres humanos, logo eu tenho idéia de criar um aplicativo para iPad, abrir um novo negócio, e quando vejo, dei início à próxima revolução Cubana.

Ou mais ou menos isso.

Como sei que meus rompantes de vamos à luta filhos da pátria, organizemos as agendas, atualizemos os feeds, respeitemos os combinados e por favor não esqueçam que sexta de manhã passa o reciclável, não podem e nem devem ser acompanhados por quem me cerca, pois afinal o mundo precisa de gente sã e descansada, decidi que existem outras formas de dar vazão à essa necessidade louca de fazer mil coisas que já me é peculiar, adicionada à proximidade da mudança hors concours que é, deve ser, parir um filho: e resolvi reformar a casa.

Mas meu marido não deixou. Então fui reformar um móvel.

É impressionante como uma barriguda é capaz de arrumar nos poucos dias que lhe restam antes de entrar (de novo, no meu caso) na rotina interminável das noites em claro, sarna para se coçar.

Seria ótimo se vez ou outra eu pudesse fazer o download do meu software na cabeça dos outros para que entendam como estou pensando. Mas como não é possível, vamos tirar essa laca feia de mogno velho e pintar tudo de azul? Na unha?

Eu era somente um móvelzinho ordinário e pintado com a cor mais feia do mundo, mogno...

à espera de uma grávida louca que resolvesse me descascar, para descobrir que cada lado meu foi feito com uma madeira diferente...

... e por isso eu dei um trabalho do cão e resisti o quanto pude, mas a barriguda era mais determinada que eu...

...fui cedendo à mudança afinal, dizem que essa doida tem uma mente à frente do seu tempo. eu desconfiei... azul turquesa?

... no fim eu fiquei lindo e ganhei o direito de permanecer na sala, que só por causa da chegada desse bebê aparentemente tem que estar bonitinha... me livrei de ter sido jogado pela janela, atenção outros móveis da casa, cuidem-se que ela não está batendo bem...




06/12/11
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A MELHOR FASE DE UM BEBÊ

A melhor fase de um bebê é quando ele está com quase dois anos. Fala quase tudo e faz umas frases que a gente chega a duvidar se ele sabe mesmo que fazem sentido, ou qual sentido fazem: olha o avião! cê viu? dá tchau pá ele! Surpreende a gente, mexe em tudo e começa a dominar joguinhos simbólicos rudimentares. Finge cozinhar, finge comer terra, finge que está dormindo...

A melhor fase de um bebê é perto do um ano e meio. Descobriu que as canetas desenham e desenha pela casa toda. As palavrinhas começam a fazer sentido, antes eram um combinado de letras que a grosso modo só a mãe entendia. Mãe que quase caiu de costas a primeira vez que disse "eu te amo" para o filho e recebeu de volta "tiamu". Quase morreu. Ainda tem carinha de bebê, aquela ruguinha embaixo do olho e faz biquinho e suga um mamá onírico enquanto dorme. É a melhor fase.

A melhor fase de um bebê é com um ano. É um bebê, mas é um bebê grande. Quase anda, quase fala, quase come sozinho, quase dorme a noite inteira. É ainda fácil de carregar no colinho e tem uma coleção de calças com pézinho, que quase não servem mais. Mas ainda servem. Já surgiram bermudões e camisetas no guarda roupa que a mãe com medo prefere evitar, para não perder tão rápido os últimos resquícios do bebê de colo.

A melhor fase de um bebê é por volta dos nove meses, quando ele começa a explorar o espaço com sabedoria. Parece que o mundo finalmente lhe sorriu, e ele não parece mais aquele serzinho confuso que era antes. Ri para tudo e para todos e gugu-dada-za qualquer conversa. Bate palmas alegremente e qualquer punzinho com a boca lhe faz sorrir. Olhos que brilha, brilham mais do que em qualquer outra fase. Engatinha com mãozinhas gordas e finalmente se interessa de verdade pelos milhares de brinquedos que ganhou, mais do que pelo papel do presente.

A melhor fase de um bebê é aos seis meses. Ele está quase pronto para experimentar as delícias do mundo. Começa com as frutinhas, é uma descoberta e tanto. Ainda é um ser mamante, pendurado na mamãe. O mais fácil de carregar, nem tão molinho que tenha que se preocupar o tempo todo com a cabeça, nem tão pesado que tenha que se colocar no chão de tempos em tempos, nem tão exigente para conhecer o mundo, que saiba como recusar o colinho de qualquer um. Às vezes sem cabelo, começam lhe aparecer as madeixas mais sinceras e confiáveis. E a coisa mais deliciosa da fase: gordo. Gordo, com dobrinhas infinitas, fofo, cheiroso e bem humorado.

A melhor fase de um bebê é lá pelos três meses. Quando finalmente passou o stress do recém nascido e mãe e filho já tem um vínculo sólido e de parceria, construído em dias e noites em claro e em escuro de total simbiose. É aqui que a mãe percebe que a cria vingou, os primeiros traços de individualidade aparecem no rostinho, definitivamente a cara do pai, mas com o olhar da mãe, lhe fazem ser o bebê da pessoa que ele será um dia. A mãe fica louca com as primeiras tentativas de pegar alguma coisa, nas mãozinhas que antes vivam fechadas. Um potencial ser humano, completo e formadinho, saudável para crescer bem e feliz. Essa é a melhor fase do bebê.

A melhor fase de um bebê é quando ele ainda é um recém nascido. Daqueles que a gente não estranharia se ainda estivesse dentro da barriga, mas que por um ajuste da natureza foi expulso do útero materno antes, para viver ainda algum tempo ligado a ela do lado de fora, mas com todas as sensações do lado de dentro. Olhinhos que não focam em nada, confusão de sorrisos. Achou graça mesmo ou foi só um espasmo. O cocô é cheiroso, minha gente! Não pesa nada, e ainda carrega pequenos e adoráveis reflexos testados ad infinitum para deleite dos pais. É um pitoquinho todo dela, cabe sem esforço nenhum em um braço só, não se vira na hora de trocar as fraldas, chora só para mamar. Um xamego.

A melhor fase de um bebê é dentro da barriga da mãe. Podem haver milhares de fases deliciosas, mas não há nada que supere a delícia de ter seu filho dentro do seu próprio corpo. Se alimentando da comida da mãe, dividindo com ela o mesmo espaço no mundo, sentindo suas emoções se preparando para sair de lá e deixar uma saudade imensa, que não passa nunca mais.

A melhor fase de um bebê, é aquela que nos deixa com saudade. Aqui em casa, simplesmente todas.



05/12/11
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DESCANSE MINHA FILHA

A primeira fase da jornada da maternidade para mim foi a primeira gravidez. Eu não fui uma tentante e quando me vi grávida tive que largar os tóxicos abrir espaço de corpo e alma na vida, na casa, na família para a chegada do bebê, e da mãe que eu viria a ser.

Posso dizer com a boca cheia que ando satisfeita com ambas as partes. O bebê é um gostoso e a mãe que eu virei gostou tanto do negócio, que fez da vida maternidade e da maternidade o trabalho. E logo encomendou mais um.

Então naquela primeira fase, uma coisa que eu logo aprendi: qualquer mãe, em qualquer estágio da jornada da maternidade: tentante, grávida, explodindo, parida, lactente, grávida do segundo, do terceiro, do quarto é um IMÃ DE PALPITE.

Simplesmente todo mundo vai ter uma opinião sobre aquilo que você está fazendo, passando, escolhendo. E ok. 

Esses palpites vão das coisas mais absurdas: você está fazendo mal tanto para o bebê na sua barriga quanto para o seu filho mais velho, quando fica nessa insistência em amamentar, será que você não enxerga que só é legal para você e ruim para eles? Acho que você tem que desmamar urgente!

Até coisas bem legais e úteis: nunca, jamais em hipótese nenhuma acorde uma criança. (acho que essa foi a dica mais preciosa que eu ouvi até agora comprovada pelas pouquíssimas vezes que eu desafiei a premissa e me arrependi como poucas coisas nessa vida)

Mas existem palpites que são simplesmente inatendíveis. Não-dá-para-atender. Esquece.

Como pode alguém olhar para mim em sã consciência e dizer que eu deveria aproveitar meu tempo para DESCANSAR? Tá me zuando?

1) Eu tenho um filho de um ano e oito meses. Nessa fase infelizmente eles não sabem fazer comida, não sabem cuidar de si mesmos, fazem xixi e cocô o tempo todo, são altamente motorizados e desprovidos de qualquer senso de preservação da vida.

2) No final da gravidez, é comprovado, bate um siricotico danado  na maioria das mulheres. A gente quer arrumar o ninho. Tem gente que investe em fazer e desfazer as malas da maternidade, gente que resolve comprar uns móveis, gente que resolve fazer uma reforminha - e eu tenho provas científicas de que 78% das parturientes arrumaram alguma sarna para se coçar e não resolveram o pepino antes do bebê nascer. Eu estou muito cansada para lutar contra o desejo de me cansar mais ainda. Então andei pintando uns móveis, reorganizando uns livros comecei mil coisas e não consigo terminar nada.

3) O que me leva ao terceiro motivo: para descansar é preciso conseguir deitar e se acomodar confortavelmente. Nesse estágio, não há posição que resista a mais de uma hora de sono. De lado dói a lombar, de costas não respira, do outro lado dói o ciático, sentada dói a bunda, de pé dói o corpo todo.
Fora que nos momentos de paz e sossego, eu tenho feito exercícios para o períneo, freneticamente para tentar evitar as lacerações tão comuns nos partos sem episiotomia. Não existe descanso do lado de baixo do equador.

Descanse minha filha! Isso eu não posso atendender...
Esse descansa...

***

É com muita honra que eu informo que - para desdizer tudo que eu disse - eu dormi pela primeira vez à tarde desde que Joaquim nasceu. Foi no sábado, ele cochilou, eu cochilei. Ele acordou, o pai pegou, gloriadeus. Eu segui dormindo. Para esse tipo de descanso, minha amiga há um nome: milagre.

O cochilo de sábado a tarde, o primeiro em dois anos e certamente o último de mais dois.... que fique registrado nos autos, vou voltar nesse post para ler sobre a última vez que eu dormi.

Pois também aquele papinho de, enquanto o bebê dorme você tem que aproveitar para dormir, não vai colar por aqui. Eu já não conseguia no primeiro, enquanto ele dormia eu perdia meu tempo olhando ele dormindo... imagina o segundinho?

02/12/11
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TOP 10 PRODUTOS DUVIDOSOS PARA SEU FILHO

Produtos, produtos produtos.
Nós precisamos de produtos, queremos produtos, usamos produtos.

Como mães, acima de tudo, escolhemos produtos, somos responsáveis pelas melhores escolhas. 

Ah, como mulheres também, que homem que acerta a marca do (coloque aqui qualquer categoria de produto do universo) que vocês usam na sua casa?

Não basta a gente ser responsável como consumidor, escolher criteriosamente as marcas, tem que aguentar um tiroteio de produtos lançados, disponíveis, martelados na nossa cabeça e que muitas vezes acreditamos serem bons / imprescindíveis / confiáveis / bacanas... e simplesmente não são.

TOP TEN PRODUTOS DUVIDOSOS PARA SEU FILHO

Lágrimas? Só nas mães.


1) Shampoo Johnsons: Você sabia que os Shampoos J&J contém substâncias químicas associadas ao câncer? No início de Novembro, estudos revelaram que esses cosméticos - tidos como serem gentis e adequados para bebês e crianças - carregam quantidades excessivas de formaldeído, comprovadamente uma substância tóxica. A empresa pediu desculpa, foi mal, e alegou que vai mudar a fórmula nos próximos 2 anos. Oi? O que são dois anos na vida de uma criança, né? E eu lhes pergunto, e a cabeça do meu filho que eu lavei trocentas vezes com formaldeído? Nos EUA e em outros países já existe uma linha Naturals, que não leva produtos tóxicos (obrigada, J&J). Mas aqui no gigante adormecido... fiquem de olho. 

Não existe mulher esperta
2) Roupas Machistas: Você conhece a marca de roupas Gymboree? Sucesso de vendas entre a mãezada Miami-Lover. Faz a linha Carters, é daquelas roupas fofinhas, aparentemente duráveis e que custam baratinho no exterior, porque aqui, minha filha, tudo é R$75,00. Um body? 75. Uma calcinha 75. Um conjunto completo 250. Ok. Mas a marca andou querendo fazer graça e lançou uma coleção infeliz: Smart Like Dad, Pretty Like Mom (esperto como o pai , bonita como a mãe). Obviamente, as garotas são as bonitas, os garotos são os espertos e não existe opção para quem quer ter uma menina inteligente, muito menos para um menino com uma mãe inteligente. Apesar do modelo Handsome like Dad (bonito como o papai) estar disponível. As feministas, e demais mulheres mais acertadas da cabeça, ficaram umas araras, fizeram um banzé cibernético e levantaram as questões: você se importa com o estigma de beleza que tão cedo é cobrado das mulheres? Você acha que é um produto inofensivo ou carrega traços machistas? Eu tô com elas, achei de mal gosto. Bastava que houvesse a opção "Inteligente como a mamãe"- para meninos e meninas.

Aumenta o risco de morte súbita? Vou comprar!
3) Conjunto de berço: De acordo com a Academia Americana de Pediatria não há nenhuma recomendação para o uso de protetores de berço. Não só não existem estatísticas que provem que eles diminuem o risco de acidentes como também existem estatísticas que provam que eles aumentam o risco de morte súbita! Na verdade, o que eles dizem não é que "não há recomendação"... a frase é: nunca devem ser usados em berços de recém nascidos (quando o risco de morte súbita é maior). Para mim esse é um caso clássico de um ítem absolutamente dispensável do enxoval, que as mães acreditam que precisam, sabe-deus-por-que e acabam comprando, às vezes gastando rios de dinheiro. Não só não precisa, como também é RUIM gente!! Economiza e gasta em uma coisa realmente necessária. Tipo Nutella, para quando você estiver deprimida às 4h da madrugada esperando seu filho dormir (para quem gosta de saber, a Nutella não me pagou, ok?)

E a galera que em prol da preguiça vai largar o bebê pendurado everywhere?

4) Carregadores caros: Ok, eu tenho, eu usei muito. Mas me foi emprestado, eu não teria gasto um centavo nele, uma vez que faz a mesma função de um sling que é menos da metade do preço, não carrega marcas e é normalmente um produto da indústria nacional. Bom, bonito, barato e socialmente responsável. Mas não só esses carregadores são uma febre como também não se para de inventar "funcionalidades"em nome da praticidade. Agora você pode pendurar o seu bebê na porta, na hora de usar o banheiro. Confesso que fiquei uns minutos pensando: será que isso é legal mesmo? Convenhamos, é difícil fazer xixi com bebê no colo, ainda mais em banheiro público. Mas aí me lembrei do número de vezes que, em frequentando um banheiro público, eu desejei que pudesse pendurar meu filho na porta. E o número foi zero. Até porque, se ele estiver no carregador - ou sling - é bem tranquilinho fazer xixi. Produto besta e dispensável.

Se eu não tiver uma máquina dessa eu vou ter o que? Que chacoalhar uma mamadeira?
5) Máquina de café espresso para fazer leite espresso: Foi a maior comoção e na minha opinião, todo mundo estava errado. A Nestlé lançou uma Nespresso para preparar o leite do nenê. O sachê de café? Um sachê de leite. A xícara? É a mamadeira. Mais uma inveção em prol da praticidade. As ativistas ficaram bem loucas, com o tamanho desestímulo que esse produto oferece à amamentação natural. Eu honestamente concordo, mas isso nem vem ao caso. O que me pega mesmo é: onde está a real necessidade de se ter uma máquina dessa. Ok, vamo supor que a mãe optou por ou não conseguiu amamentar. É muito difícil colocar o leite em pó na mamadeira colocar água e chacoalhar? Mais um produto que inventaram que você precisa. Mas não precisa, nem de longe!! PS: eu adoro café e acho que máquinas de café são o máximo. Fiquem longe do leite do nenê, isso não é para seu bico.

Se você quiser o meu está às ordens.
6) Chupador de fruta: Quando a gente é mãe de primeira viagem tudo é necessário e a tendência é se acreditar que todas as coisas que as listas dizem serão imprescindíveis quando seu bebê chegar. Eu que também já fui uma topeira, estou aqui para comprovar: você não precisa de uma redinha para chupar frutas. Por infinitos motivos. Primeiro que nenhum ser vivo deveria ser obrigado a se deliciar com uma suculenta manga através da textura esquisita de uma redinha. É um crime contra as sensações. As frutas são diferentes, tem diferentes texturas e nessa redinha fica tudo igual. E depois, o melhor argumento que há: nem todas as crianças topam comer fruta dentro desse treco. Joaquim odiou. É difícil de lavar, convenhamos, anti-higiênico... enfim. Não comprem. Aproveitem e não comprem chupetas e mamadeiras antes do bebê nascer. Você não sabe se ele vai precisar / querer/ gostar/ pegar e na minha opinião só de ter um treco desse em casa você já pode se sentir tentada a dar em uma situação de stress com amamentação. É melhor sair para comprar se realmente precisar do que já ter na manga... é meio caminho andado para usar outros trecos que não precisa.
Boa Noite Cinderela com problema no ciático!
7) Salto para meninas: Porque? Porque? Porque Deus? Para a sua filha ficar mais alta com 6 anos? Para ficar na moda? Por que é bonitinho? Não pode, não pode, não pode. Primeiro, pelos mesmos motivos dos produtos acima: nenhuma criança precisa verdadeiramente usar salto. Depois porque já foi mais do que falado que crianças em fase de desenvolvimento são PREJUDICADAS com esse tipo de calçado. Que mãe em sã consciência vai querer prejudicar a filha para ela andar vestida como uma atração de circo? O que me leva ao golpe de misericóridia: é feio!! Criança parecendo adulto é feio!! Bonito é ser criança!!


Sem alcool. Ah tá! Então volta cigarrinho de chocolate da Pan!
8) Champagne para criança: A CERESER, aquela mesmo da cidra que você comprava no fim de ano para jogar na cabeça das pessoas enquanto a (coloque aqui o nome da sua bebida de ano novo, em casa já teve de Veuve Clicquot a LiebFrauchMilch) gelava lançou esse ano uma champanhota em parceria com a Disney para crianças! Não existe explicação para isso. A alegação é que é um produto lúdico e divertido para as crianças celebrarem, e que a Disney vem para afirmar a marca como um ítem infantil...
A verdade é que eles estão formando alcoolatras. Estão fidelizando um público que tem cabeça fraca por definição (criança né gente? criança é cabeça de pudim, a gente sabe) para consumir agora e para sempre bebidas alcoolicas e associar diversão ao consumo de alcool. Novamente, precisa? Celebrar com champanhota? Que o seu filho venceu o campeonato de futebol da escola? Fora não precisar é grave, deveria ser proibido. Queria ver venderem a maconha da Barbie ou o cachimbo de crack do Backyiardigans. É a mesma coisa. 


Mas é gripe suína?
9) Bonecas Doentes: Eu adoro bonecas, e sempre brinquei com as mais variadas. Bebês carecas, com cabelos, meninos que faziam xixi. Mas tenho ficado impressionada com a quantidade de bonecas doentes que existem disponíveis por aí. E novamente te convido a pensar: porque oferecer para uma criança que brinque com uma boneca doente? Essas aberrações falam que estão donetes, espirram e tem febre. Vem com medicamento, termômetro e algumas até saram. Mas volta tudo de novo e a brincadeira da paranóia com a saúde continua. Ela é um bicho que vem de fábrica DOENTE!! Você vai no pet shop comprar um peixinho para seu filho e pede: me vê um doente, faz favor. O mais perebento, cheio de problema. Um à beira da morte, tá? Fora que na minha opinião essas bonecas aparentemente inofensivas estimulam as meninas a serem mães paranóicas com doenças, preparadas para filhos asmáticos, alérgicos, febris.... Vamos deixar que as crianças brinquem com bonecas não esteriotipadas, e que se dentro da imaginação deles um doencinha de boneca surgir, eles vão saber cuidar do jeito que as crianças fazem: sopa de terra. E não xaropes enlatados e mil medicações que acompanham essas tralhas.


Assim caminha a humanidade

10) Andadores: Acredite em mim, se você não acredita na Sociedade Brasileira de Pediatria e em todos os ortopedistas que leram um livro na última década: seu filho não precisa de um andador. Não só não precisa como faz mal! É perigoso! Ele pode ficar com a perna torta, o andador inibe a fase de engatinhar que é tão importante para o desenvolvimento cognitivo do bebê. Se perdeu no cognitivo? Engatinhar faz bem para a inteligência, andar sozinho, dentro do seu tempo também!! Colocar a criança no andador é ruim, do mal, errado. E você está gastando dinheiro com coisa que não precisa! Andador para mim é como os carros dos adultos e muitos outros ítens dessa finita lista: se a velocidade permitida em nossas estradas é no máximo 160 km/h porque é permitido que as empresas fabriquem carros que passam disso?