30/11/11
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EM BREVE, EM UM GUARDA ROUPA PERTO DE VOCÊ

Não há como não achar isso a coisa mais linda do Brasil.

Eu ia esperar para colocar o recheio nessas lindas roupinhas, mas de três participantes do clubinho, somente um está apto para estrear o visual. 

Dos dois que restam: um está embutido em um ambiente quieto, aquoso e apertado, não pode vestir roupas. O outro anda se vestindo com panos, lençóis e demais ítens do mundo textil que sejam suficientes para cobrir o Maracanã.

Então fica assim, essa foto com gostinho de quero mais. Em breve, a trupe vai sair na rua todo mundo de par de vaso monstro. Não é a nossa cara?

Essas peças são parte das lindas coleções do Mammamini, desenhadas por Fernanda Franken, mãe, estilista talentosa e fofa querida! O conceito das roupinhas do Mammamini? Maternidade Everywhere!

De novo, não é a nossa cara?


28/11/11
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QUANTAS SEMANAS? E O CÚMULO DA GRÁVIDA

Não sei ao certo, parei de contar. Pensei que é melhor ser pega de surpresa do que ficar com tudo pronto olhando para a janela esperando a hora chegar.
Mas sei que é a reta final, em 1 mês no máximo, tem bebê (ou bebê) na área.

***

As tabelas e datas prováveis apontam 37 semanas e 2 dias. Eu não confio nelas, acho que estamos um pouco antes, tipo 36 semanas. Mas sempre que me perguntam eu dou uma resposta genérica : entre 34 e 37 (rá). E quando me perguntam do sexo, eu digo que não sei, e quando me perguntam do nome eu digo que não decidi. Eu sou uma grávida evasiva.

***

Posso garantir que chegou a hora de desacelerar. Não parar, porque não faz meu tipo. Mas tirar o pé do acelerador - literalmente, acho que parei de dirigir de vez. Pelo calor, pelo trânsito, pela pressão, pelo tempo, pelo bem e pelo mal... 

***

Sabe qual é o cúmulo da grávida? Quando você vai fazer seu xixizinho da última meia hora numa lanchonete e não passa na porta da cabine. Só se subir no vaso. Melhor não, usei o banheiro para necessidades especiais, esse sim, passou o barrigão.

***

É isso aí, fogo morro acima, chuva morro abaixo, ninguém segura...

Uma máquina de 11kg de roupas e dois varais imensos recheados com todo com quórum de tamanhos entre 0 e 3 meses.  Se depender de roupa, podivim!

25/11/11
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MENINO OU MENINA - ÚLTIMA CHANCE

Já andei confabulando por aqui e naquela época, depois de todos os testes altamente científicos feitos, a resposta para a pergunta que nõ quer calar foi: não sei. Os testes empataram e ficamos na mesma dúvida... estarei eu carregando um bebê ou um bebê?

Desde aquela época tenho algumas considerações: minha doula fofa faz um lance de medira a circulação através das mãos. tentou duas vezes e disse: é igual. Acho que você está esperando gêmeos, um menino e uma menina. Abapha.

Absolutamente TODAS as caixas de supermercado falam que é menina. Não sei o que acontece.

O restante da população varia entre menino e menina. E você, prezada leitora, a partir dessa forma de barriga - um dos testes mais críveis já inventados para saber o sexo do bebê: acha que meu rebentinho é a irmã ou irmão do Joaquim?

Favor desconsiderar a bratchola e o papo



24/11/11
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SE ARREPENDIMENTO FOSSE CAROÇO EU ERA UMA JACA

Joaquim anda numa fase difícil. Ele descobriu o querer. Ele sabe pedir. Ele sabe pedir 300 vezes. Parece que não tem fim....
Outro dia eu disse para alguém que ele ganha 50% das batalhas que compra. Porque no fim do dia, eu estou podre de dizer não. Simples assim.
São algumas coisas, que eu considero off limits, e que ele encana e quer, e pede e não para. 

- Ver a máquina de lavar roupa.
- Dirigir o carro do papai.
- Ligar o ventilador.
- Brincar com o sal.
- Passear e comprar pão.

Você pode estar se perguntando, que mal tem? Ligar o ventilador? E essa é a chave, ligar o ventilador 1 vez na vida, tudo bem. Passar uma hora ligando e desligando... eu não nasci para isso.

Mas a verdade verdadeira é que todas essas encanações dele são culpa dos adultos. É impossível evitar que isso aconteça, mas se você realmente não quer que o menino passe a manhã enfiado dentro do carro fingindo que dirige, não devia ter deixado que ele brincasse por lá nunca! Cagada sua, meu bem... minha no caso, né?

Outro dia acordou às 5h da manhã gri-tan-do! Qué diligi carro papaaaai... qué passiaaaaa... compá pãããooo....

Estou agarrada no mantra de que todas essas encanações são fase e logo logo ele se interessa por outra coisa que me enlouqueça menos.... Não agüento mais levantar esse menino para ver a máquina girar.

E a moral da história é: somente permitir o que se pretende deixar... começar do jeito que se quer manter.... porque agora... eu tenho que ir ali levar o menino para ver o carro, se não vou pirar!
E você? Cometeu uma grande cagada? Está arrependida? Quer dividir cazamiga? Mande um vídeo para a colcha de retalhos do Mamatraca, que vai ao ar amanhã! As mulheres mais lindas do pedaço aparecem por lá... ;)

O tema é: Mãe não erra, se equivoca - meu maior erro materno!


21/11/11
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FILOSOFIA TRANSCENDENTAL POR TRÁS DO PANETONE

Existem dilemas da vida que me encaram e me obrigam a pensar. Em questão de tempo, muito ou pouco (ou nunca) o normal é que se tome uma decisão, escolha-se um lado, forme-se uma opinião. Muitas vezes uma opinião é só isso. algo que você formou, baseado em algum conhecimento e está lá, regendo algumas de suas decisões para a vida ou simplesmente ilustrando os papos com as amigas.

E o bacana da opinião é que você pode mudar a qualquer hora. Tipo sandália gladiador, que vem e vai na opinião pública, vulgarmente conhecida como moda, ha mais de 4 mil anos.

Mas tem coisa que transcende a opinião, a preferência, o gosto pessoal. É quando as decisões que você toma, os lados que você escolhe e as coisas que se identifica caem no campo da filosofia. Aí, não tem como mudar. Não existe filosofia que endosse o uso ou não da sandália gladiador.

Mas tem filosofia por trás do parto humanizado em substituição aos partos com interferência, por exemplo. Quando você compreende a filosofia por trás disso: não há caminho de volta.

Quando você enxerga, filosóficamente, que a horda de seres humanos nascidos via cirurgia com hormônios artificiais em substituição do nascimento natural, pode jogar a capacidade de parir das mulheres do futuro no lixo, e acabar com o a necessidade da existência do hormônio natural do amor... vc fala, ok. Não é uma opinião minha que parto natural é melhor. É uma filosofia.

A mesma coisa acontece por exemplo com as palmadas. Por mais que teu sangue suba à extratosfera quando aquela criança te desobedece pela quadragésima terceira vez, jogando inadvertidamente mais uma ameixa caríssima ao longe e achando graça, a filosofia te impede de usar a agressão. Por que você já comprou a idéia de que na vida só se aprende de duas maneiras, através do amor ou através da dor. E que, não pelo seu filho, e não para ser uma boa mãe, mas dentro de um conceito amplo e filosófico - é melhor que a humanidade seja criada na base do amor, por uma simples questão de sobrevivência da espécie.

Mas tudo isso, para chegar aqui. Uma coisa que eu sempre quis. Provar - através da filosofia transcendental - que PANETONE É UM LIXO!

O que é o Panetone? Nada mais que um pão, altamente fermentado, cheio de frutas cristalizadas e uvas- passas. Vejamos o que a filosofia tem a dizer sobre isso: estava tudo certo com o pão. Até alguém resolver deixá-lo ficar com esse gosto de fermento azedo. Ou seja, um pão podre. Estava tudo certo com as uvas. Redondas e cheias de suco. Até alguém resolver sugar-lhes a vida, deixá-las zumbis, e transformá-las em passas. A uva passa é uma sombra do que um dia foi uma uva. É uma uva cadáver. Estava tudo certo com  as frutas. (Aliás, que frutas são aquelas dentro dos panetones? Verdes, laranjas, com cara de gelatina?) Até alguém resolver picá-las em quadradinhos, encher de açúcar. É como colocar açúcar em suco. Algo natural que te faz bem não é suficiente: é preciso refinar, estragar e acabar com a essencia da frura. A fruta cristalizada é uma porra que ninguém sabe do que é feita.

E assim está lá. Tudo junto no panetone. Não importa que você ache o gosto bom, que seja uma tradição do Natal, que te lembre da sua avó e as tardes que ela passava sovando aquela massa fedida. Filosóficamente você não pode mais comer panetone. Não é meu caso, eu detesto até o gosto mesmo.

O panetone é a cesárea dos pães.

E então inventaram para gente como eu, o CHOCOTONE. Que é o que? Uma forma de foder o chocolate.

Pelo fim dos partos cirúrgicos desnecessários, das palmadas em crianças e dos panetones e chocotones no Natal!!!!!

E deixemos as opiniões para as coisas que não importam, tipo a sandália gladiador...

***

E para quem me leva à sério, por favor assista ao vídeo promocional do filme Renascimento do Parto.
Demais, mesmo.



DOUTORA PASSARINHA

Fui fazer um exame daqueles de bacterioscopia pré-parto. Domingo, de manhã cedinho. Definitivamente não é o horário do meu humor. (aliás ultimamente, humor: o que é isso?)

A médica que me atendeu parecia saída de uma comédia do Steve Martin. Falava fininho e balançava a cabeça:

- Oi?!! Tudo bem? Tudo bem? Você tá bem? Eu tô bem. Né? Eu sou a doutora tal, eu vou fazer seu examinho, tá? Você vai trocar a roupinha, né?

Ok, finitas todas as introduções, trocas de roupa e aquela doutora que parecia o cruzamento da pessoa mais fofinha dom mundo com um canário de oclinhos procedeu o exame delicadamente, pedindo desculpas a cada segundo.

-Desculpe o incômodo viu? Vai doer um pouquinho, e me desculpa, viu? Tá tudo bem, só mais um tempinho, desculpe! Né?

Eu pensava, mal sabe ela que eu estou me preparando para um parto natural, imagine se eu posso me incomodar com esses cotonetezinhos. Pfffff...

Enfim, o exame acabou e ela mandou a célebre pergunta:

- É menino ou menina?
- Não sei.
- Ah! Que legal! que legal! Que legal! Né? Uma surpresa, uma emoção diferente, né?
- É... super legal (cara de oh!god, who the fuck é essa mulher?)

Tudo isso para contar a única cena que me arrancou uma risada naquela manhã:

A doutora passarinha, confusa com o fato de eu não saber o sexo do bebê e cheia de desejos de amor, paz e felicidade se despediu de mim dizendo:

-Aahhhh... então felicidades para você e que seu bebê... ou bebê.... venha com muita saúde!

18/11/11
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VIVÊNCIA COM A DOR E A NÃO DOR DO PARTO

Eu sou a melhor aluna da sala quando tem que fazer prova, sentada em silêncio. Quieta na minha. Eu nunca tirei uma nota vermelha na vida e sempre fechava as notas no terceiro bimestre. Nem ganhava muitos parabéns por isso, não fazia mais do que a obrigação.

Quando o assunto era trabalho em grupo, eu era excelente aos olhos dos menos atentos. A verdade é que eu nunca gostei muito de trabalhar em grupo. Quando via, já estava tirando dos outros a chance de fazer alguma coisa, e fazendo o trabalho sozinha, porque sempre fui uma chata exigente que preferia a minha "perfeição" às coisas "mal feitas"pelos outros. Ou seja, o trabalho nunca era em grupo, e algumas pessoas sabiam que podiam só pedir para colocar o nome no meu trabalho que eu deixava, contanto que a pessoa não me atrapalhasse, não desse pitaco. Uma leve tirana, nada legal.

Claro que com o tempo a vida me ensinou que as coisas não são bem assim, e fui aprendendo a viver em comunidade, trabalhar delegando, atender demandas e tudo ficou muito bem. Eu me esforço.

Maaaassss... tem uma coisa que me tira do sério: dinâmica de grupo.
Sabe aquela história: agora vire para o colega do lado e compartilhe a experiência blá blá blá?
Então, odeio. Eu não quero nem ver a cara do colega do lado, o que dirá compartilhar?

E aquele lance, se joga para trás que o amigo pega, vamos exercitar a confiança da equipe? Morro. E aquele lance biodança, que faz todo mundo girar em torno de si própios de olhos fechados e experimentar os medos, as tristezas, aí todo mundo chora e compartilha na rodinha? De-tes-to.

Então a bicha-do-mato engravida e aprende que muito, muito pouco se faz sozinha. Ontem eu dizia que estamos todos sós, hoje eu afirmo - não há como passar por essa experiência sozinha.

Especialmente em se tratando do caminho para o Parto Humanizado, é necessário apoio. O marido, um grupo de amigas, uma tribo. E também é necessário sijogar na colega do lado, abraçar a biodança e sapatear na dinâmica de grupo.

Porque maternidade é entrega.

Então eu fui numa dinâmica de grupo, sobre a DOR E O MEDO DA DOR.
A sala estava abarrotada de gestantes e alguns maridos, que pobrezinhos foram excluídos da atividade por falta de espaço, então ficaram como espectadores.

A proposta era trabalhar a imagem que fazemos da dor, tentando acessar o nosso centro de consciência através de atividades de meditação e relaxamento para trazer à tona concretamente como vemos a dor.
Foi simples, em poucos segundos depois do relaxamento conduzido, a mediadora solicitou que a gente transformasse aquela sensação que temos, ou imaginamos que temos da dor em um elemento do mundo animal, vegetal ou mineral: voilá, a minha dor são garras de um felino.

Desenhamos, eu desenho bem. Se minha dor tivesse vida teria matado todas as coleguinhas da sala. Eram garras fortes e tensas.

Em muitos anos de análise em terapia Junguiana, esses leões e felinos me aparecem com muita frequencia, em sonho. Dazia muito tempo que eu não os encontrava, mas sei que minha sombra é em forma de felino feroz. Que não à toa é também um símbolo do feminino.


Relaxamos novamente e ela nos levou a pensar no oposto da dor. Se a não-dor fosse algo do mundo natural, o que seria?
Para mim veio o vento. Fresco e geladinho, quase como um tecido, voando suave e muito silêncio.
Mas com gosto de hortelã.

Desenhamos. Se minha não dor tivesse vida, todo mundo estaria em um estado de transe, de êxtase, de calma e paz. Era como ser embalada no colo do vendo, com gostinho de chiclete fresco.

Essa foi a primeira imagem da não dor, o véu no vento da Cyd Charisse em Cantando na Chuva. Não é lá do reino vegetal, animal ou mineral... e minha não dor é azulzinha, como a cor do feminino, de novo.


Então ela pediu que comparássemos a dor e a não dor. 
Elas ocupavam a mesma proporção do papel. Enormes e centrais.
Elas eram ambas orgânicas.
Elas eram bicolores. Uma preta e marrom, a outra em tons de azul.
Elas eram expressivas, e fortes. Igualmente.

O foco da dinâmica era ver, nitidamente que a dor e a não dor moram dentro da gente. São similares, se neutralizam. Temos, como parturientes a missão de encarar as garras do bicho, mas o vento geladinho está lá também. Basta ter a inteligência (e a orientação, a doula, o marido ou a sorte) de acessar esse conhecimento - que é nato, toda mulher sabe parir, toda criança sabe nascer - no momento do parto.

Aí veio a parte cocô. Vamos dançar a dor?
Oque? Na frente desse mondepai aí? Eu não.

Mas maternidade é entrega, ela disse. Você vai ter que parir, não vai? Quando chegar a sua hora, você vai colocar essa dor para fora ou vai tentar segurá-la? Por vergonha de gritar? Por medo de parecer ridícula?
Se você fugir da dor, o seu bebê não nasce.

Em alguns minutos lá estava eu gordona, dançando as minhas garras de leão. Eu podia ter me entregue mais, mas também sou malandrinha para burlar as regras... pretendo parir na frente do meu marido e só. Então fiz minha parte, e tá bom. Juro que na minha hora eu vou ser melhor em deixar essas garras me dilacerarem, sabendo que em pouco tempo vem em troca o vento do hortelã, em forma de filho.

***

Para um final bem cafonão, a galera deu as mãos na roda. Eu sei, eu sei, eu sei... somos tribo. Mas dinâmica de grupo é cafona, ainda mais quando a atividade é: vamos cantar todos juntos!
Eis que começa a canção, que eu não conhecia: Hey dor, eu não te escuto mais... você não me leva a nada...

Nessa hora, meu marido estava ali na rodinha comigo. Foi cafna e legal. Gente sijogando na emoção, gente olhando para o chão.

Eram 10h30 da noite de um dia de filho, reunião, ensaio, yoga... sem janta ainda.
E-se-qui-ser-saber-pra-ondeu-vo-ou? Para onde haja sol! É para lá que eu vou!!

Eu e meu cúmplice cantávamos: para onde haja janta!! É para lá que eu vou!
Porque a gente se entrega, mas diversão é fundamental.

***

Não vejo a hora de esse bebê nascer. Mas aprendi umas coisas muito legais essa semana. Pode parecer bobagem, mas sei a cara que ela tem. Tenho medo de não poder superá-la mas conheço também o que posso fazer para transformar. Não custa nada prever uma água geladinha com hortelã, para a hora do TP.

***

Essa vivência foi feita na Casa Moara.
A terapeuta transacional é a Cláudia Xavier, que também realiza dinâmicas individuais, para minha sorte!
As imagens vieram do Google, pois eu não quis compartilhar no blog meus desenhos. Isso sim seria parir em público e a ocitocina é um hormônio tímido. Assim como eu, gosta de trabalhar sozinho.




17/11/11
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ESTAMOS SÓS?

Nesta semana o Mamatraca está discutindo um tema mais do que sabido pela nossa comunidade de mães, mulheres, lindas e donas do próprio nariz: a Solidão.

Não é que mesmo habitada por dentro, cercada de filhos, com ou sem marido, avós, babás, ajudantes... a maioria das mães experimenta esse sentimento profundo de: estou só?

Pois eu me lembro nitidamente da primeira semana de vida do Joaquim fora do útero. Era uma sensação de morte e renascimento, felicidade e tristeza, lucidez e loucura...
No meio de tudo isso, o que mais me impactava era: aconteceu comigo. Estou só. Só eu sei o que estou sentindo. Ninguém pode compreender.

Não demorou muito para perceber que eu estava certa, mas levemente enganada. Quem é mãe compreende, em diferentes níveis, o que é estar só. Mesmo estando acompanhada.

É poético.

Ontem, ninguém mais ninguém menos que Laura Gutman nos visitou no Mamatraca.
Tenho orgulho de ter me tornado mãe. E adentrado essa comunidade de mulheres especiais. Na vida "real"ou na vida "virtual".Gente que se ajuda, que se apoia, que divide conhecimentos. É um prazer.

No mesmo dia, de manhã tive reunião de pauta, todas mães. Estive no ensaio do Coral, só mães. Estive na aula de Yoga, só grávidas. Participei de uma palestra sobre a dor do parto, só mães, grávidas, pais e demais envolvidos.

São as comunidades que nos sustentam, os círculos que convivemos, as imensas trocas que fazemos que nos mantém seguindo, ainda que sozinhas invariavelmente, acompanhadas do melhor.

São as nossas tribos.

11/11/11
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INFÂNCIA COLORIDA


09/11/11
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A DITADURA DO ROSA E AZUL

De um papo bom, com gente fina elegante e sincera no Twitter, descobri que não estou sozinha quando me irrito profundamente com reações sexistas quanto a hábitos, aparência, cores, roupas e brinquedos que as crianças usam.

Uma vez, Joaquim que brincava com galhos e pedras no tanque de areia, teve sua "vassourinha"de folhinhas tomada por uma menina, que tinha com ela um monte de brinquedos e bonecas. Nem ligamos, ele continuou rodopiando pelo tanque até que encontrou uma boneca. Pegou e me trouxe e disse "nenê". Eu falei, ai que lindo, sei lá... uma coisa assim, dá comidinha para ela, faz ela dormir, sei lá.

A avó da criança esticou o bração gordo e foi tirando a boneca dele: isso não né? E dava risadinhas, me olhando e esperando que eu a validasse: isso não é brinquedo de menino, né? Só de menina. E falou entre os dentes para mim: só de gays, também né? E riu.

Sim, eu quero um mundo melhor, acho linda a filosofia da não violência, respeito os mais velhos e os mais ignorantes por suas limitações e em última instância, não me irrito com cretinices mas CA-MÓN??!!! 

Catei a boneca da mão da velha idiota e falei: pode sim, pode brincar se você quiser. Pode brincar com o que você quiser. Quase arranquei a blusa e dei uma de Pagu e proclamei o direito dos menininhos de bricarem com bonecas ou varrerem o tanque de areia com suas vassouras de folhinhas, felizes.

Nessa veio a menina entojada que sentiu o drama da disputa da boneca, abandonando o galho, arrancou a boneca da minha mão no clássico: é minha, e se foi. Salvou a fuça da avó e minhas tetas de serem exibidas no playground do parque. Acabou ali nas mãos da enjoadinha meu discurso pró-meu-filho-brinca-com-o-que-quiser.

E não é que descobri que não sou a única?

Parece que existem mães que vestem - pasmem! - suas meninas de azul. E que as deixam brincar com carrinhos! Ouvi até uma contar que comprou uma mamadeira e um berço azul para a menina!!!

Uma das maiores preocupações da galera quanto ao bebezinho surpresa é essa: mas e se for menina? Você não está fazendo enxoval? E agora? O que ela vai usar?

.... Bem. As roupas tóxicas do Joaquim, todas trabalhadas em listrinhas e cores "não femininas"estão lavadas e guardadas. Falei até com alguns pediatras, parece que não existe nenhuma contra-indicação a colocar roupas "masculinas"numa menininha.

Eu rolo de dar risada, masculino, feminino ao recém nascer ou ao brincar na areia do parque?

*** 

Aposto que alguém aí que me lê - que hoje em dia está cada vez mais comum, o povo que lê blog ou entra em conversa para arrumar encrenca, desafiar, e cagar regra na vida do outro - pensando: "aham, quero ver colocar uma roupa da barbie no filho dela!"

Quero ver eu colocar uma roupa de qualquer produto licenciado no meu filho. Quero ver.

Nesse meio tempo, é um trauma achar roupa para menino. Pois elas são um cruzamento do inferno com os power rangers motorizados. Já falei. Roupas lisas, são mais comuns na sessão feminina, e eu compro e ele usa. Eu gastei de procurar uma roupa pink, uma polo ou uma camiseta. Só tem para menina - e com isso eu digo, cheia de laços, fitas, glitter, iluminação estroboscópica e cristais pendurados.

Quero ver, você assim toda descoladinha colocar uma roupa dessa no seu filho menino. Quero ver eu colocar uma roupa dessa na minha filha menina, quero ver.

Não seja combativa. Não está contente com o discurso, seja razoável e comente algo construtivo, fazendo com que os leitores tenham a chance de enxergar seu ponto de vista respeitoso. E valha-me de comentários baixaria. Não consegue ser respeitável, vá criar um blog para você e fale tudo ao contrário.... tire a blusa e dê uma de Pagu pelo direito de regulamentar o discurso dos outros e fazer valer a sua opinião sempre. Não se esqueça de mencionar que você é genial, seu filho nem se fala e que vc foi a inventora dos conflitos da maternidade, falar sobre os filhos é exclusividade sua, e você tem sempre razão.

Pronto desabafei. (mais uma vez, um post escrito, não revisado, do alto da minha crise hormonal gravídica, sem editores por perto. perdoem as grosserias, tá?)

***

Salvo algumas exceções a palhaçada está também nos brinquedos. Quer um ferrinho de passar roupa, uma vassourinha, um fogão? Eles são cor de rosa, de alguma personagem, cheios de glitter e totalmente direcionados para o público feminino. Menino não pode varrer casa, isso é coisa de menina.

Menina tem que ter vassoura cor de rosa, que é a cor das meninas, e se menino usar rosa, morre.

E se brincar com boneca, é gay.

Eu fui trocar uns brinquedos que o Joaquim ganhou de aniversário e escolhi um pacote com 2 carrinhos, um rosa e um roxo. A mulher do caixa perguntou se era para presente. Eu falei que não, era para ele mesmo. Ah, então eu vou pegar um "de menino"...

Está dentro das pessoas, está dentro das famílias, em sutilezas como bolas e chuteiras nas portas dos quartos dos meninos e lacinhos e panelinhas nas portas das meninas recém nascidas. Eu não estou nem aí se você veste seu filho de cores bem másculas. Se você só permite brinquedos de homem mesmo. Se você estimula que seu menino seja bem forte, corajoso, caçador. Se você acha que para eu não arrumar encrenca, eu deveria escolher o carrinho azul, mesmo achando o rosa mais bonito, mesmo que meu filho já tenha um carrinho azul, e acreditando que seria bem legal ter um de outra cor, afinal, o importante é ter razão ou ser feliz, né?

Até que o seu comportamento prejudique meu filho. Se me encontrar no parquinho e ele estiver varrendo com sua camisa polo pink - que um dia eu hei de achar, que com aquela loirice toda ele vai ficar maravilhoso - e eu sentir um olharzinho que seja, fruto desse preconceito tolo, se cuida.

Se eu ainda estiver grávida, e inimputável, você vai tomar uma vassourada de galho seco nas ventas!
Deixem as crianças brincarem.

***

Veja também o post da Dani, que deu origem à série (de revoltas!)



08/11/11
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DOWNHILL DA GRAVIDEZ - PARA BAIXO TODO SANTO AJUDA!

Pois bem, deu.
Meu corpo cedeu. Cheguei no limite? Não mesmo, ainda tem muito barranco para rolar. O bom é que eu tenho forma de bola.

Mas definitivamente entrei na fase dureza da gravidez. Cadê humor? Cadê vida simples? Cadê bem estar?

Ando tão confusa, pensando tanto e com tanta coisa para fazer, que decidi fazer uma lista de possíveis atividades ou atitudes que eu poderia fazer ou exercitar para melhorar meu bem estar global.

Caminhar. Não quero, dá bolha no pé. Não insista.

Deitar 15 minutos por dia, para relaxar. De costas não respiro, de lado não aguento de bruços impossível e em cima de tudo isso, eu não sei relaxar. Passo.

Cuidar das plantas. Eu estou secretamente torcendo para que elas morram até dezembro, assim eu vou ter menos trabalho. Um filho G, um filho RN, um gato, um marido, um blog, outro blog, uma casa, um site, outro site, um atelier e PLANTAS? Morram, please!

Tomar longos banhos de banheira. Sou contra. Mó desperdício de água.

Assistir muitos episódios de séries americanas embotadoras de cérebro. Eu até queria, mas sou incapaz de prestar atenção, me perco não sei o que está acontecendo e fico perguntando de 5 em 5 minutos, o que ela disse? quem é esse? ela vai morrer? O mesmo ocorre com novelas e qualquer coisa que dure mais que 40 segundos. Capacidade de atenção de um alface. Ô Crides!! Fala prá mãe!!!

Entrar na fase reta final e começar a arrumar as gavetas do nenê. Acho isso o maior perigo, só aumenta a ansiedade, deixa a gente com a sensação de tudo pronto só falta o bebê. Aí eu entro em TP com 48 semanas e cadê a paciência para aguentar até lá. O segredo é não deixar nada pronto. Se começar a demorar, tem um mondecoisa para fazer. Se for antes do tempo, ninguém morreu de arrumar as gavetas depois que o bebê nasceu.

Meditar. Acho lindo sério. Eu to fazendo yoga uma vez por semana e lá eu consigo concentrar na respiração, me faz um bem danado. Mas me-di-tar? Tipo, afastar os pensamentos? Tipo, mente em paz e tal?  Eu até tente repetir uns moves em casa mas me distraio e emendo uma atividade na outra, quando vejo fui lavar uma roupa, escovar o dente, correr atrás do Joaquim, lipar a caixa de email e cadê Namaste?

Enfim. Alguém tem alguma sugestão? Considerem as restrições. Sentada eu não respiro, de pé eu fico com tontura, deitada eu fico com azia. O que pode fazer uma grávida do fim da linha para conseguir um pouco de paz de espírito, meldels?

Se alguém falar blogar vai tomar um tapôncio, que a blogsfera está mais para campo de guerra do que para campo de flores, vamos combinar, né?

***

Prometo uma foto do barrigão para a vocês me dizerem se está redonda ou pontuda.

Até agora os resultados marcam: todas as caixas de supermercado acham que eu vou ter uma menina. Todos os membros da família falam menino e mudam de idéia a cada dois dias. A bisa torce para uma menina, descaradamente. O biso já falou que é garoto, e ele acertou o Joaquim. 

***

Quando meu cansaço monstro passar eu prometo um post lindo, completo, carinhoso e pensado sobre tudo o que eu aprendi sobre parto humanizado, e o percurso que estamos vivendo para receber esse pequeno inquilino que me habita da forma mais xuxu possível.



04/11/11
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CRIANÇA-HOME-OFFICE

Existem vários tipos de crianças a quem se pode facilmente classificar a partir das reações comuns do dia a dia em variadas situações. 

A criança muito birrenta é criada pela avó. A muito dengosa é criada pela mãe. A que tem nariz eternamente sujo, é criada pelo pai, como se sabe. Aquela que vive no mundo da lua é criada pela televisão. A que conta todos os números e sabe todas as cores e tira a raiz quadrada de 63871 é criada pela escola. E tem a galerinha criada pelas babás, que são aquelas crianças que quando desenham a família, sempre aparece a moça de branco na cena.

Todas essas crianças podem ainda sofrer combinações de criação, criando subespécies, como por exemplo, a criança criada pelo pai e a televisão, um ser altamente binário e com caca até o queixo.

Essas combinações são variadas e sem limites de participação dos membros criadores.

Pois eu descobri uma nova espécie, a criança-home-office.

Em geral a maior característica da criança-home-office é que enquanto a mãe trabalha, (ou finge que, no caso eu aqui blogando) não se faz a mais vaga idéia de onde se encontra o elemento.

Em breve mais elucubrações sobre a nova espécie e sua mãe.
Que eu preciso ir lá procurar esse menino.


03/11/11
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SIAMO TUTTI NERVOSI

Aqui em casa todo mundo é meio histérico, com exceção do PDC - pai da criança - que é um poço de paz, paciência e bom humor.
Eu tenho por definição um temperamento forte, que pode ser interpretado das mais variadas formas entre descontrolada, dramática, intensa, reflexiva, tempestiva, laboriosa, colérica, intolerante e boca suja, ao gosto do freguês.
Uma parte herdada da minha mãe, especialmente a parte do drama. Italiana.
O boca suja, certamente do meu pai.
Outro dia minha mãe teve um xiliquinho, daqueles que a gente compreende, que não tem como fazer outra coisa a não ser chorar! Como posso ter esquecido daquela coisa? Eu não consigo achar aquele negócio! Eu não tenho roupas que me sirvam! O mundo está contra mim, ninguém me ama, ninguém me quer - chora - chora - chora e ai passa. 
O pequeno, que anda convivendo com toda essa paz e elevação de espírito estava por perto.
Foi a primeira vez que eu reparei na reação dele com alguém chorando, pois normalmente quem está chorando sou eu e entre lágrimas nunca fiquei atenta para sentir o impacto delas na carinha dele.
Então você pode pensar: essa criança vai ficar traumatizada, de tanto drama! Como podem chorar assim na frente do menino! Vocês deviam se controlar....
Mas nada como o meu Joaquim para provar que teorias não funcionam sempre na prática.

Ela se levantou emputecida com o motivo da choradeira, que envolvia documentos, cartórios, passagens de avião e uma viagem com 4 membros entre os quais 3 são dependentes de atendimento especial no avião. (Minha mãe não tem mais filhos pequenos e aparentemente curte levar a terceira idade para passear, se a gente reclama de carregar o carrinho até a porta, pensa em carregar a cadeira de rodas e maletinhas térmicas com as seringas de insulina. Coisa de louco)

Enquanto caminhava chorando pela sala se lamentava do problema, Joaquim levantou de sua atividade com algumas bolinhas e foi seguindo a avó. Achei que ele ficaria preocupado com ela.
Em segundos ele amarrou um beiço e começou a gritar: mimimimimimimimi
Olhava para mim e dava risada.
Fingia chorar, amarrava o beiço de novo: mimimimimimi

A vovó tá chouando!! mimimimimiimimi

As lágrimas da minha mãe duraram exatos 8 segundos.
Aparentemente temos um pequeno exemplar de bom humor e leveza na área.
Muito bom, viva o PDC.

01/11/11
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REFLEXÕES SOBRE A ESCOLA - QUE NÃO MAIS FREQUENTAMOS


Foi inevitável, participando dessa semana no Mamatraca, sair refletindo sobre minhas opiniões, dúvidas, críticas sobre o universo escolar. Não podia deixar de ser, primeiro porque sou eu, e eu sou mesmo assim, um poço de drama. Depois porque, convenhamos, se a educação do seu filho não é um treco bem importante, o que será que será?

Joaquim teve a experiência de escola por três meses. E me lembro muito bem que ainda que eu acreditasse com todo o meu coração e intuição que dentro das possibilidades que a vida me oferecia naquele momento eu tinha escolhido a melhor opção de escola para ele, havia um rol de coisas que eu gostaria que fossem melhores.

Me arrisco a concluir, seguramente embasada pelo facinho: nada é perfeito, que quem está plenamente satisfeito com a escola dos filhos não está observando direito.

Não que esses detalhes comprometam a educação global dos pimpolhos, mas é nosso dever de mãe ficar de olho, né não?

Lá na minha curta experiência de mãe de porta de escola, levantei algumas coisas que me tiravam do sério, e que sim, contribuíram para que eu tomasse a decisão de tirá-lo da escola. Não daquela escola, mas no geral.

Fiz o que tinha que fazer, mudei de vida, virei autônoma, convoquei a avó e o pequeno está e ficará em casa até que eu enlouqueça ache que é definitivamente melhor para ele frequentar novamente. E como aventura pouca é bobagem, eu fui lá e engravidei, né? Porque eu queria ter o 7 bilionésimo ser humano do mundo, não deu tempo.

Mas coming back o the cold cow, ou seja, do inglês, voltando à vaca fria, havia um tantão de motivos que me faziam não estar 100% satisfeita com a escola. Desde a zona na hora do embarque e desembarque, passando pelo bolo adoçado para crianças menores de 2 anos (porque meldels?) até a qualidade duvidosa dos trabalhos de “artes”.

E essa foi a pulga atrás da orelha, qual o nível de satisfação real dos pais com relação à escola dos filhos?  Só eu que sou uma mala e desconfio de tudo, critico tudo, analiso tudo? Ou será que é normal não estar plenamente satisfeito com as instituições de ensino?

Nessa linha, a gente propôs uma pesquisa, e eu queria convidar vocês para responderem.  Ela esta disponível aqui, é anônima e vai ajudar a ampliar o debate sobre a satisfação dos pais com as escolas dos filhos, além de apontar as questões mais comuns que podem gerar descontentamento.

Outra coisa bacana é que essa semana a Colcha de Retalhos está aberta para quem quiser participar: O que poderia ser melhorado na escola do seu filho? Quem tem algo a dizer, pode mandar seu vídeo para o contato@mamatraca.com.br.

Os primeiros 9 vídeos vão ganhar R$25,00 para gastar na loja What Mommy Needs espero vocês por lá!

Mais informações: www.facebook.com.br/mamatraca