Eu não sou ativista de nada. Gosto de conhecer as vertentes das coisas, conversar com as pessoas para entender seus pontos de vista, quando é o caso, conhecer os aspecto científicos envolvidos, saber de pesquisas, ouvir experiências.
Normalmente eu tento formar uma opinião minha, e fico confortável com ela.
Nunca isso significa que eu acho que a pessoa do outro lado deve pensar igual. Muito menos que as atitudes que eu tomo, servem para julgar, ofender ou criticar quem faz diferente.
Se eu não dou leite de vaca ou artificial para meu filho, não quer dizer que estou te julgando porque você dá. Também não quer dizer que concordo com você. É simplesmente uma diferença de opinião, de pensamento.
Quando alguém se sente "atacado"por qualquer postura - seja buzinando para alguém que parou na faixa para um pedestre atravessar, ou rebatendo argumentos irrefutáveis como por exemplo: leite materno é a melhor opção de alimento para bebês mamíferos, não importa de qual raça - na minha visão só existem duas explicações:
A) a pessoa se sente culpada e não está confortável com suas próprias decisões.
B) a pessoa está precisando se informar mais.
Ainda tem a opção C) a pessoa é maluca, mas essa nem vou entrar no mérito.
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Semana passada a
Não Veja publicou mais uma
idiotice niilista sobre os riscos desnecessários do parto domiciliar. É um compêndio terrorista envolvendo essa prática de mitos e fantasmas, que qualquer tolinha, como eu, pode acreditar e acabar se rendendo à tentação de ter um filho da forma mais segura possível : no hospital com uma cesárea agendada depois de um pré natal bem feito com um médico super especializado em partos.
Não sei onde eu estou indo, mas sei que eu estou no meu caminho. Não cheguei no ponto de ficar combatendo a o parto via cesárea e entrando nos mil detalhes ativistas dos perigos desse tipo de procedimento, mas resolvi contar do meu ponto de vista, como ele foi para mim.
Só como uma forma de falar para mim mesmo, e para quem interessar o quanto esse parto pode ser um crime - quando aquela mãe e aquele bebê não foram feitos para ele.
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Chegamos na 38 semanas com a promessa de que eu teria um parto normal. Na época eu não fazia a menor idéia da diferença entre normal, natural e achava que ter bebê em casa não existia.
Dêem um desconto, minha vida era movida a sexo, drogas e rock'n roll. Eu não ficava muito pensando no que invariavelmente viria depois disso.
- Eu me sinto muito mais médico, muito mais realizado quando trago uma vida ao mundo por vias naturais.
- Existe até agora algum indício de que eu precisaria de uma cesárea?
- De maneira alguma, sua bacia é ótima, é enorme! O bebê está ótimo, vai ficar tudo bem.
- Existe alguma coisa que eu precise fazer para me preparar? Tipo Ioga, consultar uma Doula?
- (cara de cheira peido) Nããão... nada disso é necessário! A natureza sabe o que faz.
Essa foi a conversa de aproximadamente 20 semanas de atendimento. Tendo passado no início por 3 outros GO's que não me inspiravam a mínima confiança e perdido um dos bebês que eu carregava, esse médico ganhou um certo status de confiável.
Mas eu devia ter suspeitado das 5mil fotos de partos na parede do consultório. Só consegue fazer tantos partos assim quem demora 15 minutos para fazê-los.
- Frente a esse ultrassom, devo te informar que as perspectivas para você mudaram.
- Como assim? O que há com o bebê?
- Ele está bem por enquanto. Mas você está numa condição que eu não previa. Sua placenta está em grau 3. Você sabe o que isso significa?
- Não
Seu imbecil, tenho cara de Go? Se eu fosse Go não precisava de você. Eu estava muito cansada e empelotada de alergias, com um calor de 40 graus e uma casa acabada na enchente e reformas, sem previsão de retorno ao lar. Simbólico, não?
- A placenta é o que alimenta o bebê. A Placenta de grau 3 é uma placenta calcificada, que pode parar de nutrir o bebê a qualquer momento. Por enquanto, ele está bem, mas pode começar a perder seu alimento aí dentro. Eu recomendo que você agende uma cesárea hoje. Espero que você não tenha nada contra...
- Mas eu não quero fazer uma cesárea! Peloamordedeus, é uma cirurgia enorme!
Eu lembrava da minha mãe contando que não conseguia lavar os pés depois dos partos cirúrgicos que teve. Infelizmente eu não tinha conhecimento o suficiente para pensar nos prejuízos desse parto para o bebê. Talvez se tivesse, teria sido mais firme, e quem sabe, escapado dali. Algum tempo de bate-boca sobre o procedimento se passou, e ele continuava a insistir.
- O seu bebê está pesando 3.800kg. De qualquer forma, seria um parto muito trabalhoso, muito moroso, com possibilidade de sofrimento para ele. Você precisa pensar nele também.
- Tem certeza que isso é o certo a se fazer? Eu li que o ideal é esperar o trabalho de parto, não posso pelo menos esperar o trabalho de parto?
- Você que sabe. Quer pensar um pouco? Eu sou profissional e espero que você confie no que eu estou te dizendo. Seu bebê está bem agora, mas a gente não sabe como vai estar daqui a pouco, e você sabe... seu bebezinho não quer morrer...
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Continua depois, né gente? Pq preciso de estômago para lidar...
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