ENTREI NA TERAPIA = Eu não teria feito nada
disso se não estivesse em acompanhamento terapêutico, matando minhas sombras,
encarando meus fantasmas, assumindo as rédeas da minha vida e bancando as
escolhas. Tudo o que fiz, tudo o que aconteceu, teve seu preço. E eu paguei e
pago diariamente. Não existe almoço de graça.
MUDEI DE CARREIRA = Eu fui professora de artes
por quase 10 anos. Para crianças até seis anos, uma das fases mais deliciosas
da vida. E porque eu resolvi mudar, se era tão bom? Envolvia uma abnegação e um
desapego aos bens materiais que meu espírito involuído ainda não era capaz de
absorver, professores são muito mal reconhecidos. Carreguei comigo a parte boa,
toda a vivencia com as crianças, o aprendizado infinito em vê-los produzindo
arte, meu olhar especial para as coisas simples da vida e corajosamente larguei
tudo para trás – resolvi me formar em decoração. Um universo distante, ainda
que ligado à educaçãoo pela ponte das artes visuais: melhor idéia que tive na
vida, me formar em artes plásticas. Com isso eu posso ser muitas, muitas coisas
quando eu crescer.
CASEI COM MEU MELHOR AMIGO = Não é pieguice. Mas
casar com o seu melhor amigo, futuro pai dos seus filhos, velhinho que vai
segurar sua mão enrugada para tomar a vacina da gripe, não tem preço. Fora a
experiência emocional que o ritual do casamento representa, a partir do
casamento (juntamento inicial seguido de ritual completo de passagem após 1 ano
e meio de test-drive bem sucedido) senti que eu tinha um timinho, uma equipe.
Era o embrião da minha vida hoje, eu tenho apoio nas decisões que tomo porque
arrumei um comparsa bacana.
CONHECI UM TANTO DA EUROPA = Isso abre a cabeça,
amplia os horizontes, ensina e desperta na gente algo de muito bom. Foram quase
30 dias de pura viagem interna e externa. Não saberia descrever o que senti
quando olhei pela primeira vez para o teto do Louvre. A sensação de andar no
velho mundo mudou muito do que eu entendia sobre ele. Um dia eu conto aqui o
roteiro da minha lua de mel. Dá um filme (Noviça Rebelde, Noiva em Fuga, Uma
noite de aventuras, you name it)
FUI (SOU) PARTE DE UMA NOVELA MEXICANA =
Participo ha alguns anos de dramas familiares ligados à morte e hospitais. Não
exatamente a morte muda a vida para melhor, mas ela é capaz de ensinar quem
fica. E todo o drama que envolve uma doença, uma recuperação ou uma entrega só
vai me ensinado que antagonicamente temos o controle de nada mas a opção de
tudo. Aprendi com as crises pessoais – de uma gentil forma, somente como
coadjuvante – que a dor é inevitável e o sofrimento opcional. E aprendi do
único jeito que dá. Na prática.
VIREI MÃE = Não ha como negar, e falar é
redundante. Essa experiência muda a vida de qualquer um que estiver disposto a
se entregar a suas dores e delícias. Não é para melhor, porque a vida não vira
um mar de flores. Na prática a vida piora. É mais trabalho, mais responsabilidade,
mais preocupação. Mas só a partir daí a vida tem sentido.
PEDI MAIS DEMISSÕES = Fiquei bons 4 anos
trabalhando para escritórios renomados de decoração. Foi uma delícia e a
experiência me rendeu referências incríveis. Coisas que eu jamais teria contato
ser tivesse permanecido entre os muros da escola. Mas o tempo de ser autônoma
chegou. E estimulada pela necessidade real de mandar em meus horários, para
conseguir colocar meu filho como prioridade, decidi trabalhar por conta
própria. E que aprendizado. Teve um dia que eu lavava a louça feliz (sim,
porque no meio tempo resolvi também assumir a responsabilidade da casa)
pensando que eu gosto de trabalhar para mim mesma. Gosto quando sei que os
esforços são para minhas necessidades. Houve um tempo em que ter um empregador
poderia ser sinônimo de exploração. Ninguém lava a louça feliz quando se sente
explorada. O dia que a pessoa lava a louça feliz, é sinal que está bem consigo
mesmo, não acham?
ASSUMI QUE SOU INFIEL = Quando eu percebi
que eu nunca seria mulher de um trabalho só. (hahaha todo mundo teve um
siricotico na cadeira achando que eu traí meu marido!!) Passei anos pensando
que eu deveria ter uma carreira, me especializar naquilo e ser fera. Idéia
errada, e quem me ensinou foi Karim Rashid no livro Design Your Life – toda
especialização é burra. Quando aceitei que eu seria o que eu quisesse ser, pelo
tempo que fosse, com a quantidade de especialidade que eu tivesse interesse,
tudo ficou mais claro. Continuo trabalhando com arte e crianças. Tenho
infinitos projetos de decoração. Presto serviço para profissionais, crio peças.
Executo as peças, mexo com tecido, telas e tintas. Faço lindas telas. Escrevo,
tenho mais ideias. Criei um blog, e ele virou um novo emprego. Escrevi para
marcas, e aprendi a valorizar meu trabalho. Lido diariamente com os mais
variados clientes. Faço um monte de amizades e vou me metendo em mais projetos.
Decidi que quero cantar, e voltei a ser coralista. Não tenho medo de novidade.
E me permito mudar de ideia sempre que quiser.
APRENDI A DIZER NÃO = Seja para um cliente que
quer meu serviço a preço de banana ou para um parente aflito que precisa de
atenção em um momento em que eu não estou disponível, eu hoje sei dizer não.
Não mesmo, sem culpa. Eu entendo meus limites. Sei até onde posso ir para não
sacrificar o meu self em função do interesse alheio, no caso de um bebê
querendo ver a máquina de lavar roupa enquanto eu mando um email importante.
Ele grita, eu digo não e aguento. Não é não. Ou no caso do cliente que se
surpreende com um orçamento ou envia propostas indecentes. Sim, eu preciso de
trabalho. Não, eu não trabalho por menos do que mereço. Guardo os repentes de
caridade para quem precisa: os necessitados. Não para quem tem dinheiro.
VIREI BLOGUEIRA = Escrever no blog me faz
refletir profundamente sobre meus rumos, e com isso avalio melhor os passos, me
entendo mais. É auto conhecimento puro, sem contar a maravilha que é fazer
parte da sociedade anônima (nem tanto) das mães blogueiras desesperadas. Seres
capazes de mudar o mundo, e ainda tão mal interpretados. Sempre digo que esse
blog me abriu porteiras, não portas. Eu que me surpreendia a cada vez que
ampliava meu mundo – de uma escola para o mundo corporativo, para a
maternidade, para a autonomia – não imaginava que existia um outro universo
paralelo, no mundo dos bits e bytes, capaz de me ensinar tanto. E fora isso, eu
sinto que tenho voz. Eu gosto de ter voz.
























