O Centro da cidade de São Paulo é maravilhoso. Valia o passeio só de passear à tarde por ali. É verdade, uma pena que aos domingos é relativamente abandonado. Mais triste ainda é ver os moradores de rua no friozinho que faz por aqui começando a fazer suas camas pelos coretos.
Mas é uma chateação que estranhamente a gente se acostuma a ver, e não ver. Acostuma a conviver. Ainda assim o centro é lindo, e lá no CCBB está rolando o Mundo Mágico de Escher.
Pegamos um pouco de fila para entrar, e na companhia de babás amigos, enquanto os carregadores de malas meninos esperavam nossa vez de entrar na exposição nós, titia, mamãe e bebê pudemos atazanar as pombas, tirar fotos na entrada do prédio, e gastar a paciência curta do Joaquim, que anda fazendo amigos por onde passa.
Os mais atentos podem dizer: mas porque não pegou a fila preferencial? Afinal, e tenho duas fichas, grávida e com bebê de colo. não caros leitores, com 14 meses meu bebezão não faz a menor questão de andar.
| Me deixa, juro que ando antes dos 15. Até lá mamãe carrega. |
Eu inicialmente não quis pegar a fila. Quis ser assim, gente comum, sem preferências. E depois mudei de idéia quando percebia que havia fila para entrar em todas as salas de exposição. Mudei de idéia e distribuí a preferencialidade no grupo, eu grávida mais acompanhante e Joaquim no colo dos tios. Salas adentro fomos ver Escher.
Uma exposição para os curiosos. Para quem gosta de observar. As obras incríveis, cheias de detalhes que podem ser compreendidos e incompreendidos em minutos à fio de observação. Instalações cheias de espelhos, ilusões óticas, cenários fantásticos.
Muito, muito bonito.
| Mentira, papai carrega. |
Joaquim quis mamar e em um dado momento, caminhei amamentando. Para mim é natural. E depois fiquei me perguntando o que é que incomoda tanto na amamentação alheia a ponto de uma instituição qualquer se sinta no direito, dever, vontade ou sei lá o que de impedir a pobre de amamentar um bebê. Falemos sério, e repercutindo coisa velha... não incomoda ninguém.
A ofensa moral que vem do cunho sexual da coisa é facilmente resolvida se olhando para o outro lado. Eu tenho uma aflição imensa de alargador no nariz. Quando vejo alguém usando, evito de ficar encarando. Simples assim.
Mas voltando ao mundo mágico, Joaquim gostou, se divertiu demais com as holografias e conheceu uma partezinha deliciosa da cidade.
Saí da exposição pensando nas coisas que vemos, que não vemos. O que anda por aí de propósito escondido e que demanda esforço da nossa parte para ser visto. O que parece impossível, mas vemos acontecer na frente de nossos olhos. E o que às vezes a gente olha, e incomoda.
Às vezes o ideal é virar o rosto. Mas Escher hoje deu o recado de vale à pena olhar melhor...








