28/04/11
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O CÚMULO DA VÓ

- Poxa vida filha, por que você não usa o Skype?
- Ah, mãe. A verdade é que eu não tenho muito tempo. Prefiro o msn que dá para falar e fazer outras 300 coisas ao mesmo tempo. E fazer cara feia para a pessoa sem ela ver.
- Mas eu queria tanto ver meu neto no Skype. A fulana vê o neto dela no Skype todo dia, porque a filha da fulana liga para ela todo dia, e mostra o menino no Skype.
- Mãe. Você vê o Joaquim ao vivo todo dia.
- Eu sei. Mas você pode instalar no seu computador para o caso de eu ficar mais de 24h sem ver o Joaquim? Aí você me mostra ele no Skype?
- Posso, mãe.
***
Isso meus senhores, é o cúmulo da vó.

27/04/11
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EXPERIÊNCIAS DO PEITO

Estou participando de uma entrevista para uma revista de variedades, por ocasião do meu fabuloso emagrecimento pós parto... cof, cof...
Ontem a repórter me ligou para ler a matéria. É engraçado, porque ela usou tudo o que eu falei, mas fantasiado numa narração voltada para os dramas da obesidade, as conquistas do emagrecimento e tudo muito permeado pela presença da maternidade. Gravidez, aleitamento, saúde, comidinhas... Joaquim.
Ouvindo a história fantasiada desses últimos dois anos, senti de vez o tamanho da mudança na minha vida que a maternidade promoveu e promove.
Caramba, não é palvável, impossível de descrever.
***
Em um dado momento do texto ela falava alguma coisa sobre a minha alimentação na amamentação. Caiu de novo a realidade! Caramba, eu amamentei, eu amamento!
Falei para ela: essa frase não está muito adequada, pois amamentação era prioridade e não o emagrecimento. Emagrecer os 30 kg foi conseqüência de optar por ser saudável. E eu quis ser saudável porque eu era a comida do meu filho. Lição que a gravidez tentou me ensinar, mas eu não aprendi.
***
Depois eu vi: eu aprendi tudo amamentando. Poderia ter aprendido de outras formas, mas para mim a experiência foi no peito mesmo. No peito. Coisas que alguns atletas aprendem competindo, empoderadas aprendem parindo, pacientes de câncer aprendem no tratamento. Eu aprendi amamentando.
Aprendi a aprender e ser humilde. Reconheci muito cedinho a pedir ajuda.
Aprendi a sofrer dor e suportar por uma causa maior. Aprendi também a superar, a ser resiliente. Não há ser humano no mundo que não entre em desespero ao decorrer de meses de noites em claro. Tendo fissuras, mastite, empedramento. Mais tarde mordidas, muito choro, dentes, muito colo, grude, bebê que só quer chupeitar.
É preciso querer continuar aprendendo para prosseguir.
Aprendi o verdadeiro significado de doação. Talvez a gravidez pudesse ter me ensinado isso, mas lá eu não tive a capacidade de entender o recado. Entendi amamentando. Isso é saber doar, sem querer receber nada em troca.
O amor é assim. É abnegado. Isso foi uma lição gigantesca para mim.
É um processo longo e lento. Não há hora para terminar. Aprendi a não querer ter o controle. Aprendi que não tenho controle. Sou só um ser natural, que faz leite, que interessa um mamífero que se sacia dele. Sacia de amor, atenção, carinho, mimo e leite.
Ainda que não possa controlar, aprendi que tenho escolha.  Minha escolha. Aprendi a escutar meus instintos e a respeitar a hora das coisas.
Eu não tenho controle, mas tenho escolha. Eu posso tudo, mas preciso de ajuda. Eu sou tão grande quanto o que eu posso doar, sem querer nada em troca. Eu resisto, e aproveito a maravilha dessa fase. Sem data para acabar.
***
Estamos numa nova fase de mamá. Livre ainda, mas com menos freqüência na calada da noite.
Outras vezes tentei não dar mamá de madrugada, em vão. Eu não havia aprendido essa parte da lição: o tempo. Respeitar o tempo.

26/04/11
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DESESPERO IS MY MIDDLE NAME OU PICK YOUR BATTLES

DESESPERO IS MY MIDDLE NAME
Eu abro meu email e vou apagando o que não presta e me lamentando por não ter checado essa birosca nos últimos 2 dias do feriado.
Feriado? Ma che catzo é feriado? Tô podre, tô morta... tenho um mal humor que não sei de onde...
Decidimos por conta  da ilusão de ótica de ter alguns dias de folga mudar algumas coisas sobre a rotina do sono do Joaquim. Tudo o que posso dizer é que não tenho pontas dos dedos suficientes para falar sobre isso agora. Mas se eu tomasse prozac, eu estava tomando prozac. Sabe?
E os raios dos emails vão me dando desespero. Preciso ver isso, Xi, esqueci de responder isso. Não separei essas referências, empaquei nesse trabalho, não fiz esse orçamento, preciso terminar essa proposta... Desespero is my middle name.
E porque eu então estou gastando o pouco tempo que tenho escrevendo essas linhas?
Porque este é o meu momento catártico para fazer uma grande piada dos momentos de angústia da minha vida. Por que depois do prozac, rir é o melhor remédio...


PICK YOUR BATTLES
Percebi que eu ando comprando muitas missões impossíveis. Preciso abandonar algumas. Qual das batalhas abaixo eu tenho mais chance de vencer? Quais devo abandonar? Respondam caras leitores!!
BATALHA #1: SAI JÁ DESSA CAIXA SE NÃO EU... VOU DAR EM VOCÊ, VOU CHAMAR O HOMEM DO SACO PRETO, VOU CONTAR PARA SEU PAI, VOU ME JOGAR DA JANELA!
Joaquim ama a areia na escola. Ama areia no parquinho. Ama a areia no clube. Gosta da areia normal e da sintética e de terra batida. Enfia as mãos, põe na boca, bate palma e faz uma coisa engraçada (que os antigos chamam de pedir irmãozinho) coloca a cabeça na areia e empina o bumbum. Eu tenho em minha própria casa uma caixa de areia QUE É O BANHEIRO DO GATO. Eu fecho as portas, crio barricadas e impeço de todas as formas, mas vira e mexe o bebê abelhudo se enfia na caixa do gato. Eu digo não, ele ri. Eu abaixo no nível, olho nos olhos e explico tudo supernanny style, ele caga para o que eu estou falando. Eu arranco ele de lá na marra ele faz escândalo.
Compro essa briga ou é um caso a se abandonar?
BATALHA #2: MORDAÇA PARA GATOS, ALGUÉM?
O menino dá um trabalho monstruoso para dormir, continuar dormindo e voltar a dormir. Tudo o que envolve dormir é uma bomba relógio com tempo máximo de 2h para explodir. De modo que quando consigo sair do quarto silencioso me arrasto para não provocar nenhum micro barulho, que possa acionar a bomba antes do timer surpresa pré programado.
Acontece que o bigodudo dono da caixa de areia além de cagar na caixa, caga também para o fato do Joaquim estar dormindo. Ele interpreta como “finalmente aquele novo gato estranho que ela arrumou apagou e agora é minha vez de interagir”. Basta que eu saia do quarto que seu miado de siamês atômico começa a ecoar pela casa. Eu falo baixinho, ele mia mais alto. Eu abaixo no nível, olho nos olhos e explico tudo supernanny style, ele caga para o que eu estou falando. Eu cato no colo, ele uiva.
Compro essa briga ou é um caso a se abandonar?
BATALHA #3: CRISES HISTÉRICAS EM DOSES HOMEOPÁTICAS
Como todo bom homeopata a nova médica receitou 457 tipos de gotinhas mágicas. As gotinhas para o desenvolvimento, as gotinhas para ajudar no sono, as gotinhas para ajudar na ansiedade de separação promovida pela minha decisão de abandoná-lo colocá-lo na escola (faca-no-meu-coração). Uma 1X por dia, outra 2X e outra de 4x a 6x, de modo que se eu tiver fé nesse negócio mesmo eu estou gotejando na boca do menino de 7x a 9x por dia. Pode parecer bolinho, mas não se esqueçam eu tenho que ler os emails (e tomar alguma providência, pois aparentemente eles não se resolvem sozinhos).
Assim dividi com o pai a missão do gotejamento homeopático e ele ficou incumbido do remédio das 2x. Justo, muito justo, justíssimo. Dia 1 ele não deu. Dia 2 ele esqueceu. Dia 3 ele não lembrou. Eu dou chilique, ele pede desculpa com uma cara fofa. Eu abaixo no nível, olho nos olhos e explico tudo supernanny style, ele caga para o que eu estou falando. Eu o lembro do horário e ele ao invés de 4 gotas medica o menino com 18. DE-ZOI-TO.
Compro essa briga ou é um caso a se abandonar?
ATENÇÃO CONSELHO TUTELAR, SOCIEDADE PROTETORA DOS ANIMAIS E PESSOAL DA DELEGACIA ESPECIAL DOS ESPOSOS DE MULHERES DESCONTROLADAS, NENHUM BEBÊ, GATO OU MARIDO SOB NENHUMA CIRCUSNTÂNCIA ESTÁ SENDO MALTRATADO PELA MINHA PESSOA DESESPERADA. O HOMEM DO SACO, A MORDAÇA E AS CRISES HISTÉRICAS ESTÃO AÍ NESSE TEXTO PARA MERO EFEITO DE ENTRETENIMENTO. JURO.

21/04/11
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REPERCUTINDO A CRIANÇA PINTADA DE COELHO

Depois de infinitos emails, telefonemas, fax, msn, tuits e sinais de fumaça querendo saber qual é o grande problema de pintar a criança de coelho, segue texto monstruoso. Sugiro que só leia se estiver mesmo afins de saber, para não me julgar mal. Esse texto não quer defender nada, acusar nenhuma escola ou ofender ninguém, é como tudo aqui no blog um relato da minha opinião e crise com as coisas da maternidade e educação: direito a mim conferido a partir do momento que tive um filho e decidi ficar aqui de trololó na internê...
A parte burra mãe ficou eufórica. Lamentou não ter a máquina para tirar uma foto do primeiro bigodinho de coelho. Quase teve um AVC ao ver aquela linda garatuja rabiscada na caixa de leite forrada de papel e já previu construir uma estante na maior parede da sala onde pudessem ficar para sempre preservadas essas preciosidades das “aulas de artes” infantis.
A parte inteligente chata bagarai imediatamente pensou: eu sabia que isso ia acontecer!! Construtivista my ass!
Isso porque passei o dia me questionando, vão mandar para casa de índio ou de coelho? Havia uma luz de esperança que dizia, de nada! Elas não vão perder tempo confeccionando badulaques completamente incoerentes para as crianças só para agradar os pais bobos. Calma, não me abandonem, não me unfolem, eu só quero o bem da humanidade partindo da construção de indivíduos questionadores: nossos filhos... ainda me amam?
A princípio eu sou contra essas comemorações de datas nas escolas. Qualquer data, diga-se de passagem. A páscoa é um feriado religioso, o estado é laico, as instituições de ensino também deveriam ser. (Calma, no fim vai ficar tudo fofo e educativo, juro!)
Não vejo sentido comemorar o dia do índio, da árvore, do soldado, tudo me faz lembrar modelos antigos de educação, americanizados, engessados, militares. E são duas vertentes: A necessidade de se comemorar na escola e as atividades que são propostas em prol dessa “comemoração”.
Precisa celebrar o dia das mães na escola? E quem não tem mãe? Por que se celebra o dia das mães, anyway? É mesmo para homenagear a gente que se mata pelos filhos ou é para vender bolsa, sapato e chocolate? A gente não vive dizendo que um sorriso deles paga tudo, é necessário mesmo celebrar essa data na escola?
Como conteúdo o tema “mãe” é incrivelmente adequado para a educação infantil. Quem é sua mãe, o que ela faz, qual o nome dela...Qual é o conjunto de atividades que pode ser proposto para que esse conteúdo seja significativo? Estão propondo isso na escola do meu filho ou simplesmente mandando ele colorir um laço com canetinha e grampeando um bom-bom (pelo qual me cobraram na matrícula)?
A questão tem que ser, dentro de uma instituição de ensino qual é a abordagem coerente para tais celebrações, e ainda, qual é a necessidade disso.
Avaliemos o exemplo do Índio: é fundamental conhecer um pouco da cultura, saber da existência pelo menos, quem sabe visitar uma aldeia, assistir um bom vídeo, aprender canções. Mas até que ponto isso faz sentido para a criança em um dia específico? Como esse conteúdo deve ser abordado na educação infantil?
“Bom dia crianças, eu sou a Tia Fulana e hoje vamos cantar 1, 2, 3 indiozinhos, porque é dia do índio. Aí todo mundo vai colar essa peninha fake na cabeça desse indiozinho xerocado que eu trouxe para vocês e vamos fazer um colar de macarrão com EVA* . Dúvidas?”
*obrigada DEA pelo exemplo
Cansei de ver crianças saindo da escola com durex colorido colado no rosto.
Estive no backstage: muitas vezes colados às pressas na hora da saída enquanto dois se matam, uma chora a professora termina de escrever agenda e a assistente tenta picar os durex com os dentes, e descolar o rolo do cabelo da fulana e tirar a caca do nariz da beltrana antes de devolver para a mãe. (e por isso também não gosto da agenda de papel, rouba uma pessoa ativa da sala de aula, além de ser anti ecológica e entulhar a casa da gente!)
E nos livros um indiozinho clichê, de cabeça de cuia com uma pena e uma tanguinha meio índio americano, meio tupi guarani... sabe-se lá. As crianças pouco sabem do real significado das coisas. Não são apresentadas significativamente aos conteúdos, não entendem o porque daquelas pinturas no corpo e muito menos o porque do durex. É vago, é fake. É para cumprir tabela e agradar os pais... estou aqui pintando um cenário xiita.
Maaaaaasssss, que mal tem?
É lúdico! Que criança não gosta de pintar a cara? É engraçadinho fazer um cocar e brincar de índio. Pode ser bobo, mas crianças gostam de bobeira... será que temos que ser tão sérios com esse critério sobre as comemorações nas escolas (e por temos, leia-se eu tenho)?
Se por um lado tudo o que eu conheço aponta contra, por outro a bestinha mãe que sou achou uma fofura ver o menino limpando os bigodes na minha blusa.
***
Minha proposta será sempre achar o caminho do meio. Ainda que discorde das comemorações estou de olho para ver se o material produzido está realmente de acordo com as capacidade dele. Quero ver se ele está participando, se faz sentido, se é instigante e realmente propõe a construção do aprendizado.
Estou de olho para ver se não são atividades produzidas com o maior carinho errôneo das professoras, aquele tipo de amor que quer ajudar, mas acaba atrapalhando. Uma delas a semana toda recortando orelhas enquanto poderia estar mediando atividades mais edificantes. Quanto maior a participação da criança e menor a participação do professor melhor é a qualidade atividade.
Aqui na minha cabeça (não tenho certeza de que foi feito assim, mas rezo imagino) consigo ver um caminho pedagógico para as coisas que vi ontem:
A colagem de algodão: Na fase de Joaquim tudo é sensibilidade táctil especialmente. O coelho de verdade esteve na escola, ampliar o conhecimento sobre os bichinhos é um tema interessante para a fase. Passar a mão no coelhinho macio, brincar com o algodão macio, colar o algodão macio... enfim, está aí um caminho. Um conteúdo interessante. Só poderia ter sido colado em papel, não EVA (que é um material bem menos ecofriendly).
O coelho de prato de papel: é bem bacana oferecer suportes diferentes para a criançada pintar. O prato de papel é top10 na educação infantil, ondulado, redondo, áspero. Bem diferente do sulfitão. A proposta é bacana, mas nem precisava vir disfarçada de coelho. Para mim é o cúmulo da poesia assim, redondo e sem nada mesmo.
O coelho de caixa de leite: esse achei uma grande merda. O papel que forra a caixa é um camurça desenhado pelo meu filho. Lindo, lindo rabiscou louco, diga-se de passagem... Mas eu queria o desenho, por que raios colaram numa caixa de leite e disfarçaram de coelho? A parte boa é que ele é tipo um fantoche, e Joaquim gostou de brincar com ele. Então ponto para esse cacareco, pensando que aqui em casa a gente curte brincar com sucata e ele nada mais é do que uma sucata refinada com participação especial das garatujas do Joaquim.
Continuo pensando que essas propostas vieram no limite da interferência do adulto, ainda assim tiveram participação dele e se transformaram em brinquedinhos aqui em casa, o que salvou a pátria.
A conclusão? Estou de olho no caminho do meio, sempre. Que comemorem, que se apropriem das datas. Mas que aproveitem para propor atividades com significado e a maior participação das criançada possível. Sem pena fake! Sem colar de EVA! Sem largar a criançada no parquinho para recortar orelha!
E aí, me redimi?

Em tempo: estou gostando muito da escola e agradecidíssima por todo o carinho e atenção que lá é dispensado ao meu filho no tempo em que eu não quis pude ficar com ele. Porém me vejo no dever de questionar sempre, avaliar sempre, levantar discussões sempre. That’s Just me.

19/04/11
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ANTIGAMENTE AS COISAS NÃO ERAM BEM MELHORES

Sentados no fim da tarde dois meninos com difereça de 67 anos de idade se entretinham com uma caixa velha de papelão cheia de badulaques.
Eu por perto pensava no futuro, em como se iludir com a idéia de que antigamente as coisas eram bem melhores pode ser uma armadilha. Uma ameaça ao pensamento livre!
As coisas não eram melhores antigamente. Se você não acredita em mim, olhe esse post do Potencial Gestante. E de uma vez por todas, comece a dar uma chance ao presente, ao conhecimento, à modernidade. Quem vive de passado é museu.
Abra a porta e deixe o futuro entrar!
Antes que isso tudo pareça um desprezo incoerente à história que nos faz bem, voltemos aos dois meninos e a caixa de badulaques. Meu pai junta história de todos os jeitos. Em forma de história mesmo, na cabeça dele. Em forma de fotos, de coisas, de lembranças, de cacarecos.
Tirou um treco da caixa e me desafiou:
- Você não sabe o que é isso.
- Um bico de bunsen.
Ficou com os olhos cheios de orgulho da filha que prestou atenção às aulas de química minimamente para saber que aquele treco solta um foguinho para a gente promover a destilação da água em um erlenmeyer apoiado na telinha de amianto ligado à um condensador que finalmente despeja a água pura em um becker. E outras coisas mais.
Tirou mais um treco da caixa, com a sobrancelha bem levantada, esse ela não vai saber:
- E isso?
- Um bilboquê.
Surpreendeu-se, como podia aquela menina saber do que se tratava aquele brinquedo velho da sua infância, provavelmente esculpido na madeira pelo seu pai? Mas ela sabia, pois havia brincado muito com o bilboque. E não era muito boa em fazer a bolota encaixar no palito.
- E esse, você não sabe!
- Uma bigorna.
Não havia como explicar. Ela somente sabia o nome daquilo pois havia assistido inúmeros episódios do Pica-pau e os desenhos daquela época tinham o costume incompreensível de ter escrito o nome das coisas, como se fosse necessário ser bem literal. Ainda ganhava-se de lambuja a tradução do narrador em voz grave “bigorna” enquanto caía o troço de ferro da janela, em cima do piano de cauda (esse não precisava de explicação), em cima do coitado que passava na rua.
A última tentativa:
- E esse?
E pela primeira vez ele teve dúvida. Um livro velho, caindo aos pedaços. Muito fino para ser uma bíblia, muito solene para ser um livro qualquer. Arriscou:
- Uma bíblia?
Não importa a resposta. O homem conseguiu tirar da caixa de papelão um bico de bunsen, um biboque uma bigorna e um livro com cara de bíblia em potencial. Ao lado do neto, deixava que ele brincasse com os inusitados objetos, e o menino se divertia com aquilo. O passado guardado na caixa, que serve de história, que relembra de onde viemos, que ajuda a construir  para onde vamos. Mas é passado.
O que haverá guardado na minha caixa de badulaques quando eu sentar ao lado de meus netos e comicamente testar o conhecimento dos meus filhos?
Espero ter a cabeça livre e a saúde boa que eu tenho hoje para respeitar amorosamente o passado. Mas só viver de presente e de coisa nova me alimentar…

18/04/11
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QUE TIPO DE MÃE VOCÊ É? 2

Você vai tomar café da manhã em uma padaria com seu filho num sábado. Escolhe uma daquelas que tem Buffet. Faz seu prato carregando a criança em um braço e senta-se à mesa. O livre demandento decide que é hora de mamar. Enquanto você amamenta, chama a garçonete e lhe pede um cadeirão. Ela demora alguns minutos, e quando volta coloca o dito cujo no meio do corredor, no melhor estilo “te-vira-nega”. Com um peito de fora, segurando o moleque está difícil tirar uma cadeira da mesa apertada entre as outras para colocar o cadeirão. O que você faz?
A)     Chama firmemente porém com educação a mocinha e explica que faz parte de função de atendente de público providenciar um serviço completo para o consumidor especialmente se este estiver nitidamente com dificuldades de locomoção ou em necessidade de maior atenção. E diz, “#reflita”. Só para ser bem mala.

B)      Xinga mentalmente todas as gerações da ignóbil, segura o menino no sovaco, arruma a teta, faz cara de poucos amigos para o moço da mesa do lado, enfia o brinquedo que ia cair na boca, empurra a cadeira com os pés, puxa o cadeirão com a mão e se vira!


C)      Joga o menino para cima e em um rápido movimento cata o cadeirão e arrebenta na cabeça da garçontete que cai no chão mas não sem antes tomar uma esguichada de leite materno nas vistas, comprovando que sim, o leite se adéqua às necessidades das mães, e se transformou em ácido sulfúrico e derreteu toda a cara daquela moça cheia de má vontade e ainda diz “não se meta comigo, mocréia”, aponta o braço para cima e captura o menino que ri em queda livre em um braço, arrebentando o teto da padaria com um soco explosivo e sai voando com sua capa de super mãe.
Se você respondeu A: você é o tipo certo de mãe
Se você respondeu B: você é meu tipo de mãe
Se você respondeu C: você é o tipo de mãe que eu quero ser.

14/04/11
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POR QUE NÃO PODE CHAMAR PROFESSORA DE TIA?

Eu fiquei muito interessada nas discussões que formentaram dos posts dessa semana.
No geral, eu estive falando da escolha da escola, das coisas que me incomodaram, de alguns preceitos que acredito.
E vi que muitas comentaristas queridas seguem a linha do deixa estar. Outras preferem (como eu) saber mais sobre o assunto para escolher com consciência. E para um outro tanto tanto faz como tanto fez.
Então depois de uma chuva de emails, cartas, telegramas e mensagens em código morse nas paredes da minha casa (alô além!), vamos desenvolver os temas ligados à educação. Com a certeza de que sempre os veremos por aqui.  Afinal se tudo der certo Joaquim estará na escola por o que 20 anos? 25? Sei lá...
Só de imediato gostaria de deixar bem claro, não é porque eu acredito e provo que o que você lerá nas próximas linhas é verdade. Cada um com suas ideologias sobre a educação escolar, respeitosamente.
Escolar porque educação a gente recebe em casa. Esse é o princípio que me norteou na escolha da escola. Quem educa são os pais, a escola transmite cultura e por tabela ajuda na formação da personalidade. Mas a chave do sucesso é que escola e família têm que estar em sintonia. A melhor escoal é aquela que tem os mesmos valores que a família.
Por que não chamar professora de tia?
Alguns pesquisadores do tema podem dizer que é uma forma de criar um vínculo errôneo, uma vez que a professora, berçarista, ou moça da limpeza não são irmãs da sua mãe ou do seu pai.
Essas são as tias: as irmãs da mãe e do pai ou esposas dos irmãos, confere? Esperaría-se de alguém com o prenome TIA um afeto, uma permissividade, uma postura diferente do que se espera de um agente da educação. A tia é uma pessoa da família.
Outros ainda defendem que caracterizá-las de “tias” diminui o grau de seriedade da profissão. Paulo Freire diz, em Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar:
 “Ensinar é profissão que envolve certa tarefa, certa militância, certa especificidade no seu cumprimento enquanto ser tia é viver uma relação de parentesco. Ser professora implica assumir uma profissão enquanto não se é tia por profissão.” – vale a leitura, é curtinho e está em pdf, viva o compartilhamento de informações!
Porém as questões do vínculo ou da desvalorização do profissional para mim não são tão fortes quanto a questão da individualidade: simplesmente acredito que pessoas têm que ser chamadas pelo nome. E não de tias, donas, senhoras, misses ou qualquer outro título. São posições hierárquicas que denotam autoridade (as donas) ou doçura (as tias), mas são títulos.
Eu quero que meu filho aprenda na escola a se relacionar com pessoas, indivíduos. A começar pela figura da professora na sala. Assim, a “tia” ganha um nome. Por que não chamá-la pelo nome? Alguém chama meu filho de Aluno ou Estudante Joaquim? Reconhecer a pessoa pelo nome é começar a identificar indivíduos na multidão daquela escola, saber suas características seus gostos, seus papeis...
E nesse conceito estão os números da chamada. Eu sempre fui de 22 a 26.  E nesse conceito estão também os apelidos. Como sabem, eu não gosto de apelidos para o Joaquim. Pópara, peraê, mas como pode Anne ser 26? É porque esse não é meu nome verdadeiro... já falei sobre ele e os apelidos aqui. (E se você ainda não leu esse post, eu recomento, porque é um dos meus favoritos, e nunca emplaca os mais lidos ali do aldo... humpf, povo interessado em boneca dos anos 80. Mas termina esse aqui antes...)
E como uma pessoa de nome difícil, a quem era muito mais fácil se referir como o 25 eu defendo veementemente o uso dos nomes, e não dos títulos ou números ou apelidos ou características físicas para meu filho e demais crianças pitocas em fase pré escolar. São indivíduos em formação. Aprendendo sobre eles mesmos e os outros.
Ainda que elas mesmas se chamem de “Tias” na escola do Joaquim (perdoa Paulo Freire, elas não sabem o que fazem), eu tenho me referido a elas pelo nome. O dia vai chegar que eu vou abordar essa questão por lá. Ou mandar o link desse post...
Uma pequena pausa para refletir como seria lindo se na vida real a gente tivesse o recurso dos links em tempo real: o dona coordenadora, acho que não tem nada que chamar a fulana de tia, como eu já descrevi aqui... e aí com a mão eu criava um link na cara dela...
Viram só como não adianta eu fazer post curto, gente?
Obrigada por lerem e comentarem, eu gosto de blog, sabia? Tô até querendo uns recursos do blogger para a vida real, tipo designer do modelo, já pensou?
Aumentar a largura da cama porque você optou pela compartilhada?...
Deixa eu ir, vá...
***
Em tempo: a escolinha do Joaquim é na verdade um berçário, que prossegue depois para a educação Infantil no outro prédio. Ainda que berçaristas não sejam professoras, eu acredito que chamá-las pelo nome é melhor do que chamá-las de tias, pelos mesmo motivos...
Paulo Reglus Neves Freire está de olho em vocês, suas tias (e tios, a machaiada muda!!)... imagem daqui

E O PAPEL DA MÃE NA TERCEIRA VISITA...

Fui num berçário altamente recomendado da região. Fino, cheio de inox. Cheio de recomendação.
Me pediram o RG na porta, marcaram hora para me atender. Me chamaram de “mãe” o tempo todo. Vem mãe, vai mãe, anda mãe. Aqui é a sala de estímulo motor, aqui é o refeitórium, aqui é o auditorium, aqui é o solarium.
Tudo revestido de borracha piso e meia parede. Parecia uma cela de proteção para os malucos do hospício não se machucarem. Brinquedos bestas, uma ou outra plantinha cênica, mas só em vasos. Refeitórios com 20 cadeirões enfileirados iguais. Uns 10 bebês lá amarrados, uma tia fazendo uma alimentação em série. Inox, inox, inox. Conheça nossa cozinha industrial! Foi só para concluir que se eu quisesse que meu filho fosse metalúrgico no futuro, eu botava ele naquele berçário chique. Nada contra os metalúrgicos, é só porque naquele refeitório ele já ia poder ir se habituando com a hora do almoço na fábrica dos peões, todo mundo de uniforme.
(a professora que me habita odeia uniforme, a mãe não dá pitaco pois não tem experiência)
Morri quando vi os berços em série, com a mesma roupa de cama. Perguntei do material: fornecemos tudo, até a pomada de assadura. Mas e se eu usar uma marca diferente? A gente não permite, é essa e pronto.
Dessa boiada fugimos.
Mas no fim, como é a escola?
É como eu e como o Joaquim.
Nem tão feia, nem tão bonita. Mas com um chaaaarrrrme... cof, cof.
É pequena e me permitiu fazer qualquer adaptação que queira. De horário, de comida, de visita. Tem tartarugas de água e uma chinchila. Tem horta e deck de madeira, e as crianças podem cair à vontade, sem borracha no chão.
Tem um jardim com árvore e plantinhas espalhadas, mas tem grama sintética. Mas tem tanque de areia comum. Bate sol em todas as salas e tem janelões! Muita luz, muita luz. Tem professora de uniforme, tem aluno com a roupa que quiser, e a pomada que bem entender.
Tem agenda de papel, e eu não gostei disso. Na escola da apostila, a agenda era via internet. Achei o máximo (né? ecológico, cibernético, atual, já falei lá na escola do Joaquim e ela me garantiu que é a intenção deles adotar a agenda via web)
Tem lanche com açúcar. Bolo, suco de laranja adoçado. Bolacha maisena. Essa parte eu acho depressão, mas eu pude selecionar as restrições. Para Joaquim só é servido fruta, até que se prove o contrário.
Tem nutricionista, fisioterapeuta e dentista. Tem as “tias” fofinhas e cheias de amor para dar. Tem criança de 4 meses, tem criança de 2 anos. Tem gente que anda, não anda, arrasta, engatinha e dorme. Tem vegetariano, alérgico, loiro, moreno, careca, cabeludo, japonês e alemão. E eu vi uma ruivinha maravilhosa, mas não me deixaram levar para casa.
Isso porque tem segurança na porta e eles só deixam a mãe levar o próprio filho embora.
Vê se pode?!

13/04/11
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MAIS UMA CONSIDERAÇÃO DA PROFESSORA

Pensando bem quando eu disse que ignorei completamente a professora que me habita eu estava querendos er poética. Sim, intuição materna é tudo! Mas assim como a areia sitética (que para as leigas é aquela areia colorida, já vi azul, verde, amarela...) teve um outro detalhe em uma das escolas que visitei que não consegui ignorar.
Houve uma visita em uma escolinha que tinha tudo para dar certo. Arborizada, fofinha, simples, criançada feliz, professoras chamadas de professoras e não de tias, coordenador confiável, perto de casa.... mas, à partir dos 3 anos a escola não me usa apostila?
Apostila, minha gente!! Perguntei a metodologia pedagógica: sócio construtivista. Sócio construtivista com apostila? Naonde? É como se fosse um vegetariano que pode comer bacon.
Quando eu questionei, a resposta foi: mas só usamos para nortear o trabalho, é como se fosse um guia do planejamento. Eu ouvi: mas só usamos bacon como tempero da salada, é como se fosse azeite.
Perdeu, perdeu. Apostila não!
Mas e se meu filho está numa escola com apostila? Se joga da janela! Provavelmente ela faz parte da metodologia tradicional de ensino, que é uma possibilidade, porém não a minha favorita, e nem a escolhida para atuar na educação do pimpolho aqui de casa. Mas se a escola se define como sócio construtivista, tem que ver issaê. Apostila não. Nem cartilha. Coisa do passado.

12/04/11
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DIREITO DE RESPOSTA DA PROFESSORA SOBRE O POST DE ONTEM

Ok, eu não aceitei a areia sintética. A grama ok. Mas a areia, não dá!
É por que a areia na educação infantil tem uma razão de ser. E esta razão está muito ligada com o desenvolvimento motor da criança, especialmente com a habilidade de modelar a areia. Não é à toa que há séculos se fazem castelos na areia! Brinquedinhos que raspam, cavam, rastelam. Água para fazer uma meleca, para dar forma de bolinhos. Para desenhar, para sentir nas mãos a textura e na língua o gosto esquisito.
E para a mãe ver na fralda aquela porção de praia, rezando para que seja verdade que aquele tanque permanece coberto na hora que todos os gatos são pardos.
E me digam, o raio da areia sintética dá para modelar alguma coisa? Construir? Dá para encher um baldinho e tentar formar um bolo? Com simbólicos galhos da árvore mais próxima fazendo as velinhas? Não dá nem para desenhar nessa areia. Esses tanques de areia sintética são somente uma piscina de farinha sem vida. Não é o melhor estímulo.
Mas o meu filho está numa escola que tem areia sintética? Se joga da janela! Não, amiga, amigo, coleguinga leitor desse bloguinho. Há esperança. É um material ok para brincar, tem a vantagem de ser anti-alérgica (portanto se seu filho for alérgico nem precisa sentir culpa que ele não vai fazer bolinho de areia) e aparentemente é menos querido pelos gatos para ser feito de banheiro. Ponto para a areia azul.
Mas se você se deixou levar pela professora que me habita e concorda com ela nos argumentos sobre a precariedade dessa areia fake, proponha uma conversa na escola! Sempre é tempo de discutir, debater, pesquisar, mostrar referências. Quem sabe até convencer uma ou outra mãe e propor a mudança.
Se isso for impossível: parquinho público neles! Ou o parquinho do clube... só recomendo atenção aos cocôs dos gatos.
***
Em tempo, e para explicar para o Joaquim que areia da escola pode e a areia do Mel não pode? Pensa num escândalo...

Em tempo 2, falei sobre o primeiro dia de aula aqui!

11/04/11
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ESCOLHA DA ESCOLA

Eu coloquei o Joaquim na escola, vocês sabiam?
As aulas começaram  48h depois de ele fazer um ano. Como sempre, gastei mais tempo pensando sobre escola do que decidindo qual escola. Em 4 visitas escolhi. Conheci uma mãe de lá que foi em 38 escolas da região. O que faz de mim uma mãe relapsa, ou sortuda. Pois ela garante que ali é o melhor berçário mesmo.
Para mim foi mais assustador no começo. Mil pensamentos racionais, mil estatísticas. Um fantasma de ex-professora que me persegue e que conhece um pouco mais do que uma mãe deveria para conscientemente ter que permitir bobagens educacionais, como gramado sintético, chamar professoras de “tia” ou tanque de areia azul.
Acreditem na professora que me habita: pequenos detalhes, sinais de furada. Ou faça como eu mesmo e desacreditem na professora que me habita e se permita entregar o bebê nas mãos da tia fulana!
Eu mandei a professora calar a boca e só segui intuição. Parecia certo, eu conseguia vê-lo no meio daqueles pitoquinhos. Foi uma decisão completamente irracional e intuitiva. E está dando certo.
Não é que esse raio de intuição funciona mesmo? Tem hora que muito conhecimento atrapalha. Quietinha aí, “tia”. Grama sintética faz boas fotos.

08/04/11
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BLOGAGEM COLETIVA - #MATERNIDADEREAL

A MÃE POSSIVEL
Tem coisa que não se discute. Tem hora que todo o bem senso, toda a etiqueta, todas as regras dos bons costumes e respeito aos indivíduos podem fazer a gente ficar confusa com a regra do “tudo pode”. É um gigantesco paradoxo. Mas falando na maternagem, sim, existe um bocado de coisa que se pode encaixar nas categorias “certo e errado” e um outro tanto que cabem na regra do “tudo pode”. E raios, o que raios estou fazendo?
Explico. Existe um pacotão em se tratando de maternidade consciente onde não há discussão do que seria o melhor para o bebê. Parto natural aleitamento materno exclusivo, prolongado, em livre demanda. Nada de bicos artificiais, cama compartilhada (essa aqui eu duvido um pouco, mas vá lá). Nada de sal até um ano, nem açúcar ou leite de vaca até dois. Escola depois daí, ou quem sabe só com três. Se ficar grávida nesse meio tempo, lactogestação. Livros ao invés de televisão, e nem os DVDs estariam no pacote. Brinquedos pedagógicos, ativados pelas crianças e não por pilhas.
Não vale eu ficar defendendo algumas práticas, insistindo que elas são corretas só porque eu faço. Por exemplo, eu não posso levantar a bandeira da cesárea, criar um selinho e sair por aí fazendo grupos de discussão a favor desse tipo de parto. Não existe ninguém defendendo o aleitamento artificial. Não existe nenhuma ONG em defesa das chupetas e mamadeiras. E também você não vê ninguém normal da cabeça provando por A mais B os benefícios dos pirulitos de açúcar na alimentação infantil. Para mim é simples assim. Existe o certo, existe o errado.
Mas no meio deles, existe o possível.
Tem hora que eu não faço o certo e pronto. Existem sempre muitos motivos e minha estratégia para viver bem, ainda que cheia de escorregos dentro da minha maternagem se baseia em alguns pilares:
1)      PROCURO CONHECIMENTO: para mim tem que saber para escolher. Tem que ler, ouvir opiniões, se informar. Tem que ter a humildade de se reconhecer ignorante no assunto e respeitar quem sabe mais, e aprender a aprender. Quando existe o conhecimento, existe a possibilidade de uma escolha consciente. E ainda que você seja levada a tomar uma atitude que não se encaixe dentro do que seria o certo para aquele momento, o fato de ter conhecimento sobre o processo valida a decisão. Um clássico para mim é o tipo de parto. Ok, parto natural é melhor. Mas se eu não quiser, posso? Claro que pode! Pode amar cesárea e fazer um milhão delas. Mas contanto que seja uma decisão sua, consciente, baseada no conhecimento das conseqüências, das causas dos efeitos. E não uma decisão do médico, do peso do bebê, do cordão, das semanas e todas as outras balelas que compramos para justificar nossas cesáreas.

2)      VIVO AVALIANDO: não adianta também tomar uma decisão e embotar o cabeção, parar de refletir. Decidi colocar na escola, está tudo certo? Continuo com a mesma opinião? Posso querer mudar? Eu aprendi algo novo e quero voltar atrás? O tempo todo sobre tudo o que faço com relação ao Joaquim eu fico avaliando. E me permito mudar de idéia caso eu ache necessário. Vide o caso da chupeta, são 12 meses de idas e vindas, baseados no que eu achava melhor para ele e para mim naquele momento.

3)      BANCO AS MINHAS ESCOLHAS: essa é a parte mais difícil. Sim, fralda de pano é melhor. Não tem discussão. Mas eu não uso. Não tenho uma desculpa esfarrapada para isso, do tipo, é difícil encontrar. É difícil encontrar mas não é por isso que eu não uso. Se fosse impossível, ninguém usava e está cheio de gente por aí, que também trabalha, que tem mais de um filho, que lava fralda na mão e usa. Eu não uso por que eu decidi assim. Decidi que de um pacotão de coisas melhores, eu escolho algumas para fazer. Escolho as possíveis. Se eu fizesse tudo o que é certo, melhor, ideal, eu seria uma das mães que não está participando dessa blogagem, daquelas que conseguem bancar todas as opções do pacote. Mulheres admiráveis essas, onde elas estão?

4)      NÃO JULGO, PORTANTO NÃO ME CULPO: mas se perguntarem minha opinão eu dou. Você acha que tudo bem eu parar de amamentar meu filho com 10 dias? O médico disse que a parte importante (colostro) já foi! Eu acho que tudo mal. Eu não concordo com essa decisão. Mas sei que existem infinitos fatores que podem levar a isso, e contanto que você seja uma pessoa que banque sua decisão e tenha plena consciência do que está fazendo, independente do aval do médico, te respeito, te apoio. Cada um faz com o filho o que quiser. Só não queira me convencer de que isso é o melhor. Sabemos que não é. É o possível. Quem não julga os outros, também não se culpa pelas decisões. Se eu não te julgo, eu não me julgo. E vivo bem com minhas escolhas, sem querer te controlar pelas suas.

5)      CONFIO NO MEU TACO: é claro que às vezes preciso de apoio. Mas não chego a me sentir dependente de aprovação. Se eu escolho algo para meu filho, não vou querer ficar convencendo os outros de que aquilo é o certo e nem perguntando para eles se me apóiam. Sinto que muitas vezes, não confiantes, sem conhecimento ou com pouca coragem de bancar as escolhas as pessoas (no geral hein!) ficam esperando que os outros as aprovem. Se eu confio, se tenho conhecimento, se acredito profundamente que fiz o possível (e se possível o melhor) eu estou cagando para o que os outros acham. E se me curtem ou não.



No fim das contas ninguém faz deliberadamente o que é pior para o filho. Muitas vezes, a gente opta por não fazer o melhor também. Por um motivo ou por outro, independente das razões, fazemos o possível. E por isso mesmo o selinho diz: eu sou a melhor mãe que eu posso ser. Acho que resume bem o meu sentimento. Sempre buscando o melhor. No fim das contas toda mãe quer a mesma coisa! Que o filho apareça na revista seja feliz e amado. Não é?



E se você veio até aqui só para saber as cagadas que eu faço  e apaziguar sua consciência  e dar umas risadinhas, vemcágente! Quem faz merda consciente não se importa que os outros apontem!
Eu tomei um porre um dia antes de confirmar a gravidez.
Eu comi tudo o que vi na frente, um monte de porcaria.
Eu fiz cesárea.
Eu fiz cesárea numa sala com um vidrão e a família toda assistiu!
Eu dei chupeta.
Eu tirei a chupeta.
Eu dei de novo.
Eu tirei da livre demanda.
Eu coloquei de novo.
Eu coloquei ele na escola no dia seguinte do aniversário de 1 ano.
Eu não parei de trabalhar para me dedicar só a ele.
Eu não parei de tomar café porque eu amamento.
Eu uso um monte de fralda descartável. E lencinhos! E perfume!
Eu estou pensando em liberar os biscoitos industrializados na escola (em avaliação!)
Eu mimo ao extremo e não sei dizer não.
Eu adoro brinquedos de pilhas luzes e sons. Quanto mais melhor.
Eu insisto que ele durma no quarto dele.
Eu li encantadora de bebês, e quase acreditei nela o_O.
Eu dou bronca gritando.
Eu já dei um monte de janta na frente da TV.
Eu falo um monte de palavrão (e ele repete).
Eu negligenciei o menino e a bisa deu canjica para ele.
Eu negligenciei o menino e ele rolou no xurume.
Eu comprei uma TV nova ao invés de fazer uma poupança para o nenê.
Eu ignoro o pediatra e acredito no que me convém.
Eu deixei ele cair da cama 2 vezes. (o menino, não o pediatra, quem dera!)
Eu fiz imã de geladeira de lembrancinha!
Eu uso carrinho, de monte!
Eu amo passear no shopping.
Eu gosto que ele ande da moda.
Eu valorizo decoração de ambientes para bebês (quer coisa mais fútil que isso?)
Eu conto a vida dele na internet.
Eu ignoro que ele vê Datena na casa da avó.
Eu usaria mochilinha coleira, sem crise.

07/04/11
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QUATRO PIADINHAS E UM FUNERAL

Minutos antes à cerimônia de cremação da minha avó minha irmã me olha séria: "eu preciso te contar uma coisa, você vai ficar muito brava". E caiu num riso compulsivo. Na noite anterior enquanto eu estava no serviço funerário ela esteve tomando conta de Joaquim, minha outra avó, meu pai e uma visita. Sim, todos demandavam atenção de um adulto são. Deixando Joaquim e a bisa na sala, foi ferver água para um café. Só voltou ao ouvir o menino: "huuuuummmmmm". A bisa deu canjica para ele. Quantas colheres? Não sabemos. Em sua própria defesa, ela alegou ser só o caldinho. Ok, só leite de vaca e leite condensado... tranquilo. Nota mental: não deixar a bisa e o Joaquim juntos sozinhos, especialmente se houver canjica.

***

A família da minha avó tem uma tradição lá dos idos da idade média do Leste Europeu de levar lembranças dos funerais. Antigamente eram pedras, depois as letras dos túmulos ou sei lá mais o que se pode guardar desses dias. Com o advento da fotografia, costuma-se registrar as cerimônias, para guardar e enviar aos parentes do falecido. Alguém aí já tirou foto em um funeral? Eu já. Mas é para mandar para a família que ainda está na Estônia. Pensei em fazer um instagram, mas achei que seria mal interpretada. Com essa, nas caixas de fotografia da casa do meu pai, vira e mexe aparece um cemitério, coroas de flores, um defunto. Hoje no meu celular, há uma bela foto de uma urna de madeira. Pode parecer mórbido para alguns, mas é comum por aqui.

***

A noite seguinte à cremação foi agitada, Joaquim dormiu muito pouco. Esperneou, empurrou, chorou, falou, deu risada e ficou noventa por cento do tempo chupeitando. Num dado momento assim que ele despertou vinte minutos depois de ter dormido eu pensei na água: "quer água?" perguntei. Ele está falando "qué aua!", que para mim até então significava, "sim mamãe por favor, ofereça-me duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio nesse copinho BPA free para reposição hidrica de meu corpinho cheio de dobras".
Pensei, "gênio, vai tomar água e dormir 8 horas seguidas". Aham, sentá lá mãe. Peguei o copinho, ele deu um escândalo. Insisti, tentei e nada. Peguei no colo e abri a blusa do pijama. Ele parou de chorar. Sentei na poltrona, ele riu de olho fechado. Foi chegando perto, abriu os olhos rindo e me disse "que aua". Como quem diz: essa água, não a outra.


***

Minha avó sempre dizia: vida, vida, passa a mão na bunda, é só ferida. Adoro essa frase.


03/04/11
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MATERNINDADE REAL - CONVOCAÇÃO PARA BLOGAGEM COLETIVA

Pois então a Carol Passuelo, rainha dos vinhos e das viagens, mãe sensata, bela e inteligente convocou uma blogagem interessantísima: Maternidade Real !

A idéia é escrever sobre a distância entre o ideal e o possível (e tudo o que cabe dentro disso).
Vamos nessa?

DIA: 08/04/2011- sexta-feira

Pegue aqui o selinho e participe!


e cada um usa do tamanho que quiser, eu quis assim: grandão!

01/04/11
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JOAQUINO'S PARTY GAG REELS

Não foram só flores e composés em xadrez e poá!

Comprei um vestido lindo para o dia da festa! Totalmente livre de todos os quilos que não me pertencem... cof cof: 40! Tomara que caia! E não tive que abrir o zíper do lado para vestir! Todas vai às lágrima compulsiva! hahahaha
Mas quem disse que pessoa que amamenta pode usar tomara-que-caia? E pessoa que amamenta sem o menor pudor e em livre demanda? E pessoa que amamenta um menino que tem menos pudor ainda? Melhor não. Guardem esses ensinamentos.
Pois quando você saca a peitchola para fora do tomara que caia, a parte de cima fica praticamente... pelada! E o menino decide que tá bom e não dá um aviso prévio que vai largar a teta, simplesmente vira a cara e pula do colo! Você, com medo de ele se arrebentar usa suas mãos para segurá-lo e não para puxar o vestido para cima, logo, a peitchola fica lá, ao léu, para quem quiser ver.
Quem não tinha visto até agora... bem. Resolvi esse problema na festa de 1 ano.
***
Fui de chinelo, shorts e regata montar a festa. Quase na hora de começar corri para o banho e me troquei. Tinha separado dois pares de sapato, um alto e uma sapatilha. Pensei, salto no começo, depois troco pela sapatilha. Adivinha com que sapato fiquei a festa inteira? Chinelo, bem. Chinelo. Esqueci de trocar... mas era um chinelo simpático!
***
Quando você é “anfitriã”  (ou mãe do anfitrião que tudo que sabe fazer é bilu-bilu-bilu com o dedinho na própria boca) e decide fazer uma festa em casa, dificilmente você vai conseguir ficar tranquilona, tomando uma cervejinha e conversando amenidades. Me preocupei com o gelo, com a reposição da comida, se as pessoas estavam comendo, se ia faltar, catei lixo, catei brinquedo, abri presente, agradeci, sorri, respondi um mondepergunta... no fim das contas se não fosse a minha roupa bonitinha e a inquestionável semelhança do pai com o aniversariante qualquer um podia ter nos confundido com a mocinha da faxina e o porteiro da festa. Foi uma delícia mas deu um trabalho do cão.
***
Lá pelas seis horas... cadê o jantar do Joaquim? Esqueci! Esqueci a sacola de fraldas, lencinhos umedecidos também. Minha irmã gentilmente foi pegar a marmitinha dele na casa da minha mãe. Não também que ele fosse passar fome afinal ele podia comer várias das coisas que a gente tinha preparado. Mas, preferimos ser responsáveis.
Minha mãe foi esquentar o feijãozinho dele e me pediu que fosse colocar água mineral. A água estava nas jarras de vidro, junto com o sucos. Adivinha o que eu fiz? Enchi o feijão do menino de suco de melancia! Ele comeu mesmo assim. Sorry, filho.
***
Festa com criança pode ser um perigo por causa do famoso deixa que eu deixo. Vários adultos e a gente acaba achando que tem alguém olhando. Ás vezes simplesmente não tem ninguém olhando. Meu afilhadinho – que é o garoto mais gostoso do mundo – fez a festa com a tiarada, correu, jogou, brincou e em um dado momento quase se jogou da rampa da garagem. Graças à minha irmã (novamente, ela estava em todas) nada aconteceu. Ela deu um pinote até ele e o segurou antes que ele tivesse a idéia de saltar do muro. Mas olha, fica a dica. Se você não está olhando, tenha certeza, olhos nos olhos, com papel passado assinado em cartório com reconhecimento de firma atestado por deus, que alguém está “in charge”.  Na próxima festa tô pensando até em fazer uma plaquinha pra colocar no pescoço dos convidados "meu turno de olhar o bebê" ou quem sabe "no momento, eu recolho as latas vazias"... né? Amigo é pra essas coisas!
***
Eu comprei o Joaquino's outfit em dezembro. Comprei o sapato que combinava na manhã do niver, e paguei ozóiodacara! Mas com todo o fuá do aniversariante que dormiu na hora e ficou bem putão porque foi acordado, ele passou a maior parte do tempo com uma roupitcha xumbrega. E daí eu troquei para a hora do parabéns. E estava calor para caramba, eu troquei de novo. Logo, tendo usado três modelos diferentes para a ocasião meu filho parecia um aniversariante-noiva-cantoradeaxé que troca de roupa para cada momento do evento!
***
Linda festa, lindo filho, lindos convidados e nãnãnã.
Mas fica aqui meu agradecimento de coração à vocês, leitores escondidos, comentaristas esporádicos e fiéis escudeiras-os (eu sei que vocês existem, homens maternais, eu sei que vocês milêm, eu sei o que vocês fizeram no verão passado)!
A minha experiência com a maternidade, o um ano da mãe, do filho, o desenvolvimento de Joaquim estão fortemente amarrados com o nascimento e existência do Super Duper. E claro, amarradinhos com vocês!
Sem essa troca, essa energia e essa coisa toda, tenho certeza que a história não seria tão rica, tão gostosa, tão cuti-cuti. Obrigada por virem e celebrarem comigo. O carinho de vocês me contagia!
Gosto muito! Obrigada mesmo!
***
Ah! E obrigada por terem elogiado tanto o resultado da festa! Vocês despertaram em mim a vontade de ter um quarto emprego: decoradora de festas! Caso eu resolva abraçar essa idéia meu marido, com quem eu converso esporadicamente via twitter, entrará em contato com vocês!!
Muacs!