Existem dilemas da vida que me encaram e me obrigam a pensar. Em questão de tempo, muito ou pouco (ou nunca) o normal é que se tome uma decisão, escolha-se um lado, forme-se uma opinião. Muitas vezes uma opinião é só isso. algo que você formou, baseado em algum conhecimento e está lá, regendo algumas de suas decisões para a vida ou simplesmente ilustrando os papos com as amigas.
E o bacana da opinião é que você pode mudar a qualquer hora. Tipo sandália gladiador, que vem e vai na opinião pública, vulgarmente conhecida como moda, ha mais de 4 mil anos.
Mas tem coisa que transcende a opinião, a preferência, o gosto pessoal. É quando as decisões que você toma, os lados que você escolhe e as coisas que se identifica caem no campo da filosofia. Aí, não tem como mudar. Não existe filosofia que endosse o uso ou não da sandália gladiador.
Mas tem filosofia por trás do parto humanizado em substituição aos partos com interferência, por exemplo. Quando você compreende a filosofia por trás disso: não há caminho de volta.
Quando você enxerga, filosóficamente, que a horda de seres humanos nascidos via cirurgia com hormônios artificiais em substituição do nascimento natural, pode jogar a capacidade de parir das mulheres do futuro no lixo, e acabar com o a necessidade da existência do hormônio natural do amor... vc fala, ok. Não é uma opinião minha que parto natural é melhor. É uma filosofia.
A mesma coisa acontece por exemplo com as palmadas. Por mais que teu sangue suba à extratosfera quando aquela criança te desobedece pela quadragésima terceira vez, jogando inadvertidamente mais uma ameixa caríssima ao longe e achando graça, a filosofia te impede de usar a agressão. Por que você já comprou a idéia de que na vida só se aprende de duas maneiras, através do amor ou através da dor. E que, não pelo seu filho, e não para ser uma boa mãe, mas dentro de um conceito amplo e filosófico - é melhor que a humanidade seja criada na base do amor, por uma simples questão de sobrevivência da espécie.
Mas tudo isso, para chegar aqui. Uma coisa que eu sempre quis. Provar - através da filosofia transcendental - que PANETONE É UM LIXO!
O que é o Panetone? Nada mais que um pão, altamente fermentado, cheio de frutas cristalizadas e uvas- passas. Vejamos o que a filosofia tem a dizer sobre isso: estava tudo certo com o pão. Até alguém resolver deixá-lo ficar com esse gosto de fermento azedo. Ou seja, um pão podre. Estava tudo certo com as uvas. Redondas e cheias de suco. Até alguém resolver sugar-lhes a vida, deixá-las zumbis, e transformá-las em passas. A uva passa é uma sombra do que um dia foi uma uva. É uma uva cadáver. Estava tudo certo com as frutas. (Aliás, que frutas são aquelas dentro dos panetones? Verdes, laranjas, com cara de gelatina?) Até alguém resolver picá-las em quadradinhos, encher de açúcar. É como colocar açúcar em suco. Algo natural que te faz bem não é suficiente: é preciso refinar, estragar e acabar com a essencia da frura. A fruta cristalizada é uma porra que ninguém sabe do que é feita.
E assim está lá. Tudo junto no panetone. Não importa que você ache o gosto bom, que seja uma tradição do Natal, que te lembre da sua avó e as tardes que ela passava sovando aquela massa fedida. Filosóficamente você não pode mais comer panetone. Não é meu caso, eu detesto até o gosto mesmo.
O panetone é a cesárea dos pães.
E então inventaram para gente como eu, o CHOCOTONE. Que é o que? Uma forma de foder o chocolate.
Pelo fim dos partos cirúrgicos desnecessários, das palmadas em crianças e dos panetones e chocotones no Natal!!!!!
E deixemos as opiniões para as coisas que não importam, tipo a sandália gladiador...
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E para quem me leva à sério, por favor assista ao vídeo promocional do filme Renascimento do Parto.
Demais, mesmo.




