Só para comprovar a minha própria teoria.
Tudo o que a gente fala para eles de alguma forma, impacta.
As crianças entendem tudo e ao mesmo tempo não entendem nada.
Quando eu era criança minha mãe vivia falando que estava com taquicardia.
Família de italianos, mammamia, qualquer coisa era uma taquicardia.
Acontece que eu não fazia a mais vaga ideia do que se tratava aquilo, mas sabia que meu avô tinha morrido de ataque cardíaco. Pronto, mó zona.
Por anos eu passei uma aflição que só fui me dar conta depois, na terapia. Eu constantemente achava que alguém estava à beira da morte quiça, minha mãe. Passei um medão com isso na infância.
É claro que ninguém falava isso de propósito, mas as coisas que falamos muitas vezes tem um efeito que desconhecemos na mente dos pequenos. É sim nossa responsabilidade medir palavras, estímulos, conteúdos, programas, brinquedos, jogos, passeios, atividades aos quais estão expostos.
Call me boring.
Outra história clássica e mais lúdica é a da onça. Ela dizia quando estava muito brava: eu vou virar uma onça se você não recolher esses brinquedos!!
Na fantasia isso foi por um tempo uma possibilidade, até a novela Pantanal, em que a personagem se transformava em onça de verdade. Até uma certa idade a criança não identifica o que é possível e o que não é. Se apareceu na tv, será que minha mãe vira mesmo onça? Eu não me arriscava e catava todosbrinquedinho sem discutir. Vai que... ela morre de taquicardia, né?
Coincidência ou não, nos meus sonhos mais profundos a minha sombra que me persegue é sempre um felino desses de grande porte. Será que eu tinha medo dessa mãe que vira onça?
Chama Jung, que eu preciso falar com ele!




