09/06/11
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CRIANÇA NÃO NAMORA


Desde o dia que descobri minha primeira gravidez uma coisa era certa: eu faria um monte de merda!
Cometer erros, deslizes, enganinhos e catástrofes na vida dos filhos é inerente a todas as mães. E por nem um minuto me enganei achando que faria tudo perfeito, achava sim que faria o melhor possível.

Eis que me vejo feliz da vida com a relação Joaquim e escola. Ele começou a freqüentar o berçário aos 12 meses, o período de adaptação foi muito curto. Ele vibra diariamente no carro quando percebe que está desembarcando na escola e via de regra se joga no colo da professora e fala “tau” para mim.

Tenho muito claro as diferenças de prioridades em uma instituição de ensino dentro das diferentes fases e um berçário. Neste último os cuidados básicos, colinho, olho no olho, acompanhamento nutricional e motor, música, atividades sensoriais carinho, carinho, carinho são e devem ser prioridade.

As questões pedagógicas, as grandes correntes da educação, a “tia”, o uniforme são coadjuvantes. Que de fato me incomodam, mas não regem a minha satisfação, muito menos a dele que convenhamos está cagando se a tia é tia ou não, e a chama de titia, assim como chama a minha mãe.

Mãããs a vida anda, né? Os bebês crescem, mudam de fase e tal. Me pego de olho no futuro nem tão longe. Como é a Educação Infantil de uma escola onde no Berçário acontece o seguinte papo:

Estava eu pegando Joaquim no fim da tarde, todo serelepe apontando as paredes. Há alguns dias ele vem falando em casa insistentemente o nome de uma das coleguinhas, uma fofinha. Fala, fala, fala e repete. Chama a menina o dia todo.

Eu achei uma fofura, do ponto de vista de seu desenvolvimento verbal e do vínculo claro que ele está formando com ela e, por tabela com a escola. Ponto para o desenvolvimento inter social.
Então a “tia” pega a menina no colo e diz:

- Joaquim, fala tchau para sua namorada. – com a maior cara de feliz.
- Criança não namora. Ela é amiga, certo Joaquim? – whathefuck?
- Nossa, fulana. Sua sogra é ciumenta. – eu no caso, sou suuuuper mente aberta.

Para o mundo, correto? Eu que sou uma idiota ou é completamente inadequado fazer esse tipo de relação entre amizade e namoro durante a infância (que dirá entre dois bebês de menos de 15 meses)?

CRIANÇA NÃO NAMORA. Eu não precisei de faculdade para saber disso, nem tampouco vou apelar para o bom senso, porque tá cheio de bom senso genérico por aí, que não serve para nada.

Mas vejam, pela lógica. Todo pai e educador que se preza deve estar atento para questões como a adultização infantil, correto? Esse tipo de “brincadeirinha” não seria um estímulo desnecessário para que a criança se sinta ligada a atividades pertencentes ao mundo dos adultos? (ainda que aqui no meu caso aplicado sem efeito, pois enquanto eu fuzilava a “Tia” com os olhos Joaquim fazia brrrrr e cuspia na roupa).

E você já tem namorada na escola? Não é a pergunta mais idiota que se pode fazer a uma criança? Namorar é um comportamento de criança ou de adulto? Onde está o respeito à infância, nesse caso? A pessoa que “brinca” impunemente com esse tema não está sendo ligeiramente irresponsável? E aquela que “brinca” incessantemente... “ah, vai... você namora sim!!!” em frente a uma criança visivelmente encabulada?

Já vi bastante gente do mundo real e virtual nesse tipo de “brincadeira”. Sinceramente, não gosto. Não acho adequado para a idade e seguindo a minha lógica e minha prioridade de preservar a infância do meu filho e respeitar o tempo das coisas, considero inútil. E não tem nada de inofensiva e fofinha. É uma brincadeira inútil.

Ou então eu poderia chegar para a mãe da fulana e dizer: escuta, nossos filhos são namoradinhos, você pode me mandar uma foto dela de biquíni para ele ficar admirando em casa? Será que devemos conversar com eles sobre sexo? Esse diálogo é normal ou é uma aberração? Igualmente bizarro incutir que crianças namoram. Só é aceito, não sei por que.
Então eu deixo a “tia” falando sozinha para encontrar a coordenadora rindo da sogra ciumenta:

- Olha, como diz a mãe da ciclana o melhor teste para as noras é passar um dia na sua casa com um esfregão na mão.

Nesse momento eu tive um VBAC AVC. E morri e estou falando do além túmulo.
Que porra é essa? Que escola é essa? Ok, descendo dos céus para tentar entender o que se passa: (ou subindo do inferno, nunca se sabe)

Sejamos sensatas. Brincadeira sem graça, feita sem critério. Coisa de gente com bom senso genérico, elas estavam se divertindo inocentemente. Não pensam como eu e provavelmente não acreditam que essa “brincadeira” tenha algum impacto real em questões importantes da infância. Não posso ficar fazendo tempestade em copo d água e julgar a escola baseado em um deslize tão inerente na cultura de muita gente e deveras comum. Mas estou de olho, um ponto á menos. Ano que vem, ta aí!

E como eu tenho um blog (ueba!) resolvi levantar a reflexão. Precisa mesmo ficar falando que a criança namora, que vai reservar o filho, que a nora sei lá o que?

Eu só soube dizer:

- Criança não namora. Criança brinca. Namorar é para os adultos.

E saí.