Desde o dia que descobri minha
primeira gravidez uma coisa era certa: eu faria um monte de merda!
Cometer erros, deslizes,
enganinhos e catástrofes na vida dos filhos é inerente a todas as mães. E por
nem um minuto me enganei achando que faria tudo perfeito, achava sim que faria
o melhor possível.
Eis que me vejo feliz da vida com
a relação Joaquim e escola. Ele começou a freqüentar o berçário aos 12 meses, o
período de adaptação foi muito curto. Ele vibra diariamente no carro quando
percebe que está desembarcando na escola e via de regra se joga no colo da
professora e fala “tau” para mim.
Tenho muito claro as diferenças
de prioridades em uma instituição de ensino dentro das diferentes fases e um
berçário. Neste último os cuidados básicos, colinho, olho no olho,
acompanhamento nutricional e motor, música, atividades sensoriais carinho,
carinho, carinho são e devem ser prioridade.
As questões pedagógicas, as
grandes correntes da educação, a “tia”, o uniforme são coadjuvantes. Que de
fato me incomodam, mas não regem a minha satisfação, muito menos a dele que
convenhamos está cagando se a tia é tia ou não, e a chama de titia, assim como
chama a minha mãe.
Mãããs a vida anda, né? Os bebês
crescem, mudam de fase e tal. Me pego de olho no futuro nem tão longe. Como é a
Educação Infantil de uma escola onde no Berçário acontece o seguinte papo:
Estava eu pegando Joaquim no fim
da tarde, todo serelepe apontando as paredes. Há alguns dias ele vem falando em
casa insistentemente o nome de uma das coleguinhas, uma fofinha. Fala, fala,
fala e repete. Chama a menina o dia todo.
Eu achei uma fofura, do ponto de
vista de seu desenvolvimento verbal e do vínculo claro que ele está formando com
ela e, por tabela com a escola. Ponto para o desenvolvimento inter social.
Então a “tia” pega a menina no
colo e diz:
- Joaquim, fala tchau para sua
namorada. – com a maior cara de feliz.
- Criança não namora. Ela é
amiga, certo Joaquim? – whathefuck?
- Nossa, fulana. Sua sogra é
ciumenta. – eu no caso, sou suuuuper mente aberta.
Para o mundo, correto? Eu que sou
uma idiota ou é completamente inadequado fazer esse tipo de relação entre
amizade e namoro durante a infância (que dirá entre dois bebês de menos de 15
meses)?
CRIANÇA NÃO NAMORA. Eu não
precisei de faculdade para saber disso, nem tampouco vou apelar para o bom
senso, porque tá cheio de bom senso genérico por aí, que não serve para nada.
Mas vejam, pela lógica. Todo pai
e educador que se preza deve estar atento para questões como a adultização infantil, correto? Esse
tipo de “brincadeirinha” não seria um estímulo desnecessário para que a criança
se sinta ligada a atividades pertencentes ao mundo dos adultos? (ainda que aqui
no meu caso aplicado sem efeito, pois enquanto eu fuzilava a “Tia” com os olhos
Joaquim fazia brrrrr e cuspia na roupa).
E você já tem namorada na escola?
Não é a pergunta mais idiota que se pode fazer a uma criança? Namorar é um
comportamento de criança ou de adulto? Onde está o respeito à infância, nesse
caso? A pessoa que “brinca” impunemente com esse tema não está sendo
ligeiramente irresponsável? E aquela que “brinca” incessantemente... “ah,
vai... você namora sim!!!” em frente a uma criança visivelmente encabulada?
Já vi bastante gente do mundo
real e virtual nesse tipo de “brincadeira”. Sinceramente, não gosto. Não acho
adequado para a idade e seguindo a minha lógica e minha prioridade de preservar
a infância do meu filho e respeitar o tempo das coisas, considero inútil. E não
tem nada de inofensiva e fofinha. É uma brincadeira inútil.
Ou então eu poderia chegar para a
mãe da fulana e dizer: escuta, nossos filhos são namoradinhos, você pode me
mandar uma foto dela de biquíni para ele ficar admirando em casa? Será que
devemos conversar com eles sobre sexo? Esse diálogo é normal ou é uma
aberração? Igualmente bizarro incutir que crianças namoram. Só é aceito, não
sei por que.
Então eu deixo a “tia” falando
sozinha para encontrar a coordenadora rindo da sogra ciumenta:
- Olha, como diz a mãe da ciclana
o melhor teste para as noras é passar um dia na sua casa com um esfregão na
mão.
Nesse momento eu tive um VBAC AVC.
E morri e estou falando do além túmulo.
Que porra é essa? Que escola é
essa? Ok, descendo dos céus para tentar entender o que se passa: (ou subindo do
inferno, nunca se sabe)
Sejamos sensatas. Brincadeira sem
graça, feita sem critério. Coisa de gente com bom senso genérico, elas estavam
se divertindo inocentemente. Não pensam como eu e provavelmente não acreditam
que essa “brincadeira” tenha algum impacto real em questões importantes da
infância. Não posso ficar fazendo tempestade em copo d água e julgar a escola baseado
em um deslize tão inerente na cultura de muita gente e deveras comum. Mas estou
de olho, um ponto á menos. Ano que vem, ta aí!
E como eu tenho um blog (ueba!)
resolvi levantar a reflexão. Precisa mesmo ficar falando que a criança namora,
que vai reservar o filho, que a nora sei lá o que?
Eu só soube dizer:
- Criança não namora. Criança
brinca. Namorar é para os adultos.
E saí.




