27/12/10
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NOMES

Demorou muito pouco tempo para a gente decidir o nome do bebê que me habitava. Se fosse menina era Maria e menino Joaquim. Sem muitas explicações lógicas, simplesmente parecia certo (por mais que pareça aquele casal de portugueses das piadas). Quando descobrimos o sexo do bebê, nos olhamos e dissemos, “Joaquim, né?”. E saímos mandando mensagens para todo mundo “Joaquim tá na área”.
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Minha mãe conta que na gravidez dela meu pai queria que eu me chamasse Koidola. É isso mesmo, caras coleguinhas, Koidola (lê-se Kôidola). Kôkô para os íntimos, imagino. Esse era o nome de uma famosa poetiza da terra dele, a Estônia. Nas mãos do destino eu escapei.
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Eu tenho uma amigona que tem 5 cachorros: Otávio, Bernardo, Sofia, Sabrina e Rebeca. Reza a lenda que o primeiro filho dela será Rex, se for menino e Bilú, se for menina. Na minha família ainda tem dois cachorros com outros nomes humanos: Filomena e Francisco. E eu tive uma câmera fotográfica que se chamou Martina e uma filmadora que chamou Daphne. Vários lindos nomes potencias dos meus futuros filhos gastos em cachorros e eletroeletrônicos.
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A esposa do motorista do escritório ficou grávida na mesma época que eu. Um dia, conversando com ele eu disse que o nome do bebê seria Joaquim. Ele me olhou com uma cara de desprezo horrível “Joaquim? Esse nome mesmo? Pobrinho?”. Eu falei que sim, que eu gostava de nomes simples e brasileiros. E perguntei do nome do bebê dele: “Eu não sei, quero alguma coisa que combine com o nome da minha primeira filha. Estou pensando em Ashlon.
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Quando minha avó estava grávida da minha mãe decidiram que o bebê se chamaria Gersoni. A irmã mais velha da minha mãe espalhou o nome para a cidade inteira. Meu avô que gostava de surpresas, resolveu mudar o nome na última hora. Ela virou Eliana e Joaquim escapou de ter uma vó de nome esquisito. Desculpem-me Gersonis do meu Brasil, mas como proprietária de um nome esquisito eu me vejo no direito de caçoar do nome dos outros.
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Meu pai nasceu no fim da segunda grande guerra, aqui no Brasil, filho de imigrantes que queriam um nome de sua terra: Karl. Por conta da posição política do país frente aos aliados nomes estrangeiros  eram proibidos no país. Meu pai foi registrado Carlos, assim pobrinho mesmo.
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Eu tive uma bisavó chamada Epp, a mãe do pai do meu pai. Pensam que é um nome estrangeiro? A história conta diferente. Diz que no batizado da menina o pai, um grande apreciador da melhor Vodca Estoniana estava prá lá de Tallin, ou melhor, de Bagdá, e quando o padre perguntou o nome da criança o pai numa tentativa de dizer Emma, lançou um soluço “Epp”. E caiu para trás.
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Muito antes de engravidar eu já pensava como seriam os nomes dos meus filhos. Muito antes tipo, 20 anos antes, quando eu assisti a novela Kananga do Japão e decidi que meus filhos se chamariam Hanna e Henrique. Depois houve a fase Catarina, Tomás, Estela, André. Quando eu perguntava para o Pedro que nomes ele gostava ele dizia “Palha. É unissex e o melhor nome para se dizer – Palha, vai pegar o chinelo do pai.” Eu chorava de ódio quando ele fazia isso. Sério.
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O pai do Pedro chama Ernesto Pedro em homenagem a um padrinho. A irmã dele já namorou um cara que chamava Pedro Ernesto. E tem mais um pimpolho na família, que é Ernesto e é Pedro também. Quando o Pedro nasceu era pra ser só Pedro. Mas o pai foi registrar e resolveu se auto-homenagear, e colocou Ernesto Pedro. Na hora da chamada da escola os professores diziam “Ernesto” e ele respondia “Presente, mas pode me chamar de Pedro.
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E depois de muito tentar um nome que combinasse com o da primeira filha, o motorista do escritório desistiu. O menino se chama Bernardo, mesmo nome do cachorro da minha amiga. A filha é Ashley. Não ia ter mesmo um nome que combinasse, Ashley é muito exclusivo.
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Quando foi destituído da idéia de Kôidola, meus pais assistindo  um Miss Brasil decidiram que eu me chamaria Annelise. E assim foi até o momento do registro. Meu pai decidiu inovar e me registrou Marie Anne. Minha mãe só ficou sabendo que esse era meu nome quando ele preencheu o enfeite da porta do hospital. Suspeito que ele pretendia manter segredo.
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Nem toda mãe de Joaquim copiou a Angélica. Nem toda mãe de Benjamim copiou a Giselle. Existe alguma coisa que paira no ar com respeito aos nomes dos infantes e estes vem em onda, sem necessariamente que as mães se copiem. Quando eu era criança, tinha pelo menos 4 Danielas por sala na escola. Nunca conheci nenhum bebê nascido depois de 1990 chamado Patrícia. Aqui na blogsfera 49% das mães são Carolinas. Quer nome mais bonito que Carolina? Existe nome mais cantado que Carolina?
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O nome da minha avó também é música Madalena. Mas o pai dela quis fazer um charme e colocou um “g-zinho” no meio: Magdalena. Quando minha mãe estava grávida de minha irmã meu pai anunciou: “vamos agora colocar Annelise”. Foi destituído da idéia, afinal já existia uma Anne na mesma casa, ficou só Lise. Na hora do registro, quis fazer também um charme e colocou um “e-zinho” no meio: Liese. E para combinar com a irmã tascou-lhe também um Marie. Escreve Liese, mas fala Lise.
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Joca, Joaca, Joa, Quim, Quinzinho, Zinho, Kiko, Jô, Joey. Como eu posso chamar seu filho?” Chame de Joaquim, que esse foi o nome que eu escolhi para ele. Se eu quisesse que fosse exclusivo, escolheria um nome que combinasse com Ashley. Apelidos virão, mas por enquanto só gostamos de Pedaccio de Bolo, Joaquino, Minhoca, Filhoto e Dotoso da Mamain. Se você se adaptar com algum desses fique à vontade.
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Meu nome se pronuncia como se escreve. Mas passei a vida corrigindo os outros. Marie é Marie mesmo, não Marri. Anne é Á-nne e não Ânne. Com A de Abacaxi e não  de Anta. Depois de um tempo desisti de corrigir e fui Marry, Merys, Ânne, tanto faz, não ligo. Quando o médico do pronto socorro aparece na porta e começa a engasgar tentando um esquisito Meire, Méri, Mári, já sei que sou eu. Na porta das baladas sempre falava falo Âne, pra facilitar. Sempre escrevem Any, que aparentemente é mais exclusivo. Quando eu tento soletrar, A – N... sempre escrevem Aene. Any é melhor. Quando eu estava sem paciência falava que eu era Heloisa, que é outro nome que eu adoro. Quem me conhece bem me chama de Anne. Ánne.
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E com todo histórico de pais inovadores e querendo fazer charminho na hora do registro eu confesso que fiquei com medo de deixar o Pedro ir sozinho. Mas nem precisava, Joaquim já veio com nome escrito em pedra, perfeito e rimado. Fácil de ler e escrever. Simples, combinando um pouquinho com os portugueses. Decepcionando um pouco os arroubos estonianos que sonhavam com um “ch”. Bem no meio da chamada, tanto no crescente quanto no decrescente, dá tempo de completar as lacunas correndo. Nem tão exclusivo, nem tão comum. Super comum, lindo, a cara dele.

22/12/10
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A CHRISTMAS CAROL

Meus primos vinham do interior para passar o Natal conosco em São Paulo. Éramos seis meninas e um menino netos da parte da minha vó materna. Às vezes os netos da vó paterna, os filhos dos primos da minha mãe, os amigos, os vizinhos também se juntavam a nós no dia 24. A criançada acreditava em Papai Noel e ficava ansiosamente esperando a chegada do meu pai ou tio vestidos com barba branca de pelúcia carregando o saco. Todo mundo ganhava presente.
Havia a categoria presente que o Papai Noel vai dar, que vinha dentro do saco, e a categoria presente da árvore, que as tias embrulhavam e colocavam ali um mês antes da festa, e a gente diariamente organizava, chacoalhava, cheirava os pacotes para ver se descobria do que se tratava. Nós ganhamos muitas coisas durante os muitos natais em que o Papai Noel e as tias nos deram presentes. Esses foram diminuindo ao longo dos anos. Hoje, com adaptações, as tradições sobrevivem em forma de amigo secreto. Também passamos muitos momentos gostosos juntos.
Com o re-surgimeto das crianças na família, desempacotaram a fantasia do bom velhinho dos comerciais da Coca-Cola e há alguns anos alguém novamente se veste para trazer os presentes. Até mesmo mulheres da família quiseram interpretar o papel com suas vozes fininhas, seus cabelos aparecendo por baixo do gorro, suas bochechas rosadas, não de simpatia, mas do calor infernal que deve ser debaixo daquela barba.
Ontem uma parte da cidade de São Paulo alagou com a chuva. E eu me pus a pensar quantos dos bueiros estão entupidos com pacotes de presentes do Natal do ano passado, e do outro e dou outro. Ontem, o Pedro me cobrou um post. Eu disse que mesmo “de férias” não consegui tempo para escrever. Ele falou, “em SP, cuidando do Joaquim, da casa, trabalhando e pintando você consegue postar todo dia, e aí não?” Schlept- schlapt na face!
E por mais que eu não quisesse novamente soar parente direta do Grinch, cá está um post menos mágico sobre a época do bom velhinho. Um post da minha crise de não querer dar continuidade à tradição dos presentes desenfreados, dos costumes de inverno em pleno verão, das compulsões alimentares, das pessoas da família vestindo fantasia mofada com um par de meia na mão no lugar das luvas, que se foram faz tempo (isso é cômico, pode dar risada).
Outro dia eu disse que não sei se gosto do Natal. Continuo não sabendo. Só sei que Natal é muitas coisas, e eu vou aos poucos me vendo que o que verdadeiramente me incomoda é pegar uma tradição religiosa específica, que por mais que não me seja lá muito íntima, eu respeito e admiro, e fantasiar de consumismo, e inventar obrigações que beiram a histeria.
Jamais falarei para meu filho que Papai Noel não existe. Mas também não estou me vendo alimentando a fantasia a ponto de fazer o pai dele carregar o esfarrapado saco de cetim vermelho. Estou preocupada com as luzes que vão queimar, e nem servirão para enfeitar a árvore do ano que vem, invariavelmente aumentando a montanha de lixo que é essa cidade. Estou preocupada com os embrulhos dos presentes, com os saquinhos de plástico, com os brinquedos da China, com as bolas da árvore com pintura de chumbo.
Não sou xiita. Não sou radical. Mas tenho o direito de questionar as tradições das quais eu participo. Quando a gente tem uma tela em branco na mão, a melhor coisa a fazer é evitar pintar algo que depois se queira apagar. Menos presentes, menos comilança, menos embrulhos de plástico, menos obrigações, menos glitter, menos misticismo, menos lixo. Um manifesto em prol dos laços de chita, das avelãs, dos abraços em gente querida e das musiquinhas fofas, como aquela do sapatinho.
Título emprestado de Charles Dickens de um livro mais ou menos sobre isso.

20/12/10
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ENTÃO, É NATAL...

Eu não sei se gosto do Natal ou não. Desde que os panetones apareceram no supermercado eu estou enrolando para fazer um post sobre o primeiro natal do Joaquim. Primeiro decidi que era uma bobagem ficar supervalorizando os ícones natalinos, me irritei com a neve de espuma, declarei guerra ao veludo no verão e morte às decorações cafonas que dominam a cidade.
Depois decidi que o brilho das luzinhas é absolutamente fantástico para os bebês, as bolas coloridas são interessantes, a árvore é lúdica, os presentes são sinal de carinho....
Questões religiosas à parte, acabei sucumbindo. Montei a árvore, Joaquim gostou. Liguei um brinquedo louco de Papai Noel num jipe com luzes estroboscópicas, Joaquim amou. Estamos curtino o pré- Natal no interior na casa da tia, com primos e piscina, Joaquim está extasiado.

O primeiro Natal está sendo legal com a gente!





16/12/10
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HIENA

Me pego num estado de nervos condenável. Logo eu que sou tão bem humorada. Claro que sou bem humorada. Tem que ser, né?
Pois então algum ser humano que não dorme uma noite inteira sequer desde logo mais faz 1 ano e que durante os últimos 30 deles valorizava o ato de dormir e era capaz de fazê-lo por 12, 15h seguidas, de modo que na gravidez nada lhe assustava a não ser a possibilidade de ter que se botar de pé antes das 7 da manhã, esse ser humano tem o direito de ficar de mal humor, de ter sono incontrolável,  de dormir até meio dia e foda-se o mundo? Só se esse ser humano não for mãe. Porque se for a regra é permanecer acordada e rir de si mesmo. Tem que achar graça da cara de morta viva e pensar que toda a poesia que existe nos textos dos não-pais que curtem a noite para dormir, para sair, para dançar é uma bobagem com prazo de validade. Ou os filhos ou a velhice vão acabar com a poética boemia. E achá-los tontos e iludidos, Irônicamente rindo do relógio que conta os minutos até essa diversão toda acabar: Tic tic tac, esse é o som da juventude indo embora.
E por acaso, no meio de uma tarde dessas, depois de passar o dia resolvendo pepinos de conexão da TV à cabo, da internet, com aquela música da espera numa linha e o  cliente que encomendou a tela e não teve a idéia de medir a parede antes na outra, do transporte que a tela não cabia, do outro transporte que ficou preso no trânsito, da decoradora que não sabia o tamanho do elevador, das papas, das frutas, da chuva e do gato, uma mãe “de férias” que não consegue fazer o filho parar de chorar, não por fome, nem fralda, nem tédio, nem nada, chorar por nada mesmo, essa mãe, pode ficar puta da vida e emburrar com o menino e mandar um mal humorado teviranego prá criança em prantos? Não pode, tem que achar graça da mancha de café no tapete bege, da chupeta lançada na cara do gato, da cara de ué do gato, da tela entalada no elevador do edifício de alto padrão, da ignorância dos atendentes de telemarketing. Tem que ver graça na desgraça. Tem que fazer a mãe/ trabalhadora/ babá/ cozinheira/ assessora de assuntos tecnológicos/ mediadora de conflitos/ solucionadora de pepinos/ de salto e sorriso. Tipo modelo/atriz, só que bem mais mal paga.
E será que uma pessoa que se sente totalmente sobrecarregada com a tripla jornada, que no caso das insones é quádrupla, pode se irritar quando lê abordagens “feministas” sobre o espaço das mulheres no mercado de trabalho, e muito embora tenha ela mesma conseguido para si uma rotina que permite articular filho, trabalho e casa, em detrimento óbvio de uma parcela da vida pessoal e social, chega a odiar com todas as forças os rumos que o movimento feminista tomou, uma vez que aparentemente o dever vem séculos antes dos direitos para nós palhaças mulheres e let’s face it, ninguém tem um empregado doméstico fazendo limpeza em casa? Pode essa irritação virar uma putice tão louca a ponto dessa pessoa desejar reaver seu soutien queimado e chacoalhar as feministas pelos ombros “what have you done, what have you done”? Pode não.  Tem que lembrar que as mulheres são efetivamente diminuídas e precisam mesmo lutar por espaço, e que a tripla jornada foi uma exigência da revolução. E achar graça, e dar risada das nós tontas que queríamos votar, que queríamos trabalhar, que queríamos independência dos maridos e agora somos dependentes do sucesso. Tem que rir de si mesmo, não tem jeito. Tem que continuar defendendo o espaço da mulherada, para minha filha, nora ou neta.
Em outros tempos de crise, eu dava escândalo, batia o telefone na parede, acendia um cigarro cênico, ouvia Billy Holliday e rosnava para quem me perturbasse. Hoje eu comi cerejas e preciso manter a calma.

***
Muito em off, na vida real eu não sou tão bem humorada assim. Sou mais divertida escrito do que ao vivo, daí a urgência do blog. Essa imagem é do Fffound. Estou com preguiça de linkar...

10/12/10
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ÓCULOS COR DE ROSA OU ALIENADA É A MÃE

Na semana passada, visitando o Projetinho de Vida me deparei com uma campanha publicitária anti-pirataria que usava a imagem de uma boneca, daquelas idênticas à um bebê recém nascido em um caixão. Isso mesmo, uma imagem que fazia alusão a um bebê morto.
A manifestação das leitoras da Roberta foi quase unânime: desprezo àquela imagem, àquela forma de fazer propaganda. A maioria esmagadora se dizia contra a pirataria (óbvio), porém absolutamente chocada com aquela apelação em forma de campanha. A imagem me dá nó na garganta.

Porém em meio aos comentários para minha surpresa, algumas pessoas se mostraram absolutamente à favor desse tipo de propaganda, alegando que é necessário chocar as pessoas para conseguir resultados efetivos. Pessoas que ainda aproveitaram a oportunidade para dizer que as mães que se manifestavam contra eram “alienadas”, entre outras críticas menos delicadas (hoje eu estou uma lady, no dia tive vontade de esgoelar a indivídua).
Nada me passa ileso, e mesmo tendo me sentido ligeiramente ofendida, desembestei a pensar sobre o assunto. Sou mesmo uma alienada que vê o mundo "óculos cor de rosa", ou essa campanha fere os limites da ética? Onde está esse limite? É normal usar a imagem de um bebê morto para convencer compradores de brinquedos piratas de que isso é realmente perigoso e mortal?
O Pedro é publicitário, uma das coisas que mais fazemos é debater sobre assuntos polêmicos. Conversamos muito sobre muitas coisas e há tempos a publicidade é um tema recorrente. Depois da chegada do Joaquim, a publicidade para crianças ou envolvendo crianças, em especial. No mesmo dia mostrei para ele a campanha e ele me devolveu a seguinte referência: uma campanha do Council of Europe pelo combate ao abuso sexual infantil.
Conheça a campanha na íntegra. Assista o vídeo, que trata do assunto, sem dourar pílula e sem apelar.

Com o tema anti-pirataria os publicitários da agência brasileira devem ter seguido essa linha de pensamento para chegar àquela peça: “brinquedo pirata- porcaria- criança pode engasgar – envenenar com chumbo – morre – boneca no caixão”. Devem ter se entreolhado e falado, “é isso aí, fechou, vamos chocar as pessoas”.
Vocês conseguem imaginar quais seriam as imagens selecionadas por esses publicitários se por acaso eles tivessem que fazer uma campanha contra o abuso sexual infantil? Essas imagens seriam publicáveis, ainda que os personagens fossem substituídos por bonecas?
Agora comparem comigo as duas campanhas. imagino que a campanha européia deve ter davo um pouco mais de trabalho. Sou alienada ou essa agência brasileira está precisando conhecer novas referências?



09/12/10
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BRINCADEIRAS DA MINHA INFÂNCIA - COM AS MÃOS

Recordar é viver, a série atrasou mas não morreu!
Lembra das brincadeiras que fazíamos com as mãos?

CAMA DE GATO: Um barbantinho passado entre os dedos das mãos. O outro jogador retirava o barbante com uma estratégia certa. E passava para o outro, e passava de novo até dar um nó imenso que inutilizava o barbante forever! Muito bacana! Será que eu ainda sei brincar disso?
PASSA ANEL: Criançada em roda com as mãos unidas e uma delas segurando um anel escondido, começa a passar as mãos juntas entre as mãos dos outros brincantes. Até que o dono do anel decide depositá-lo secretamente na mão de alguém, que também não pode contar que foi premiado para que um terceiro tente adivinhar: Com quem está o anel? A gente tinha um truque de “roubar” o anel de um passador menos experiente levantando o dedão bem na hora que o mocorongo fosse passar, e o anel caía na nossa mão. Olha que feio!
JOGOS DE BATER MÃOS - as músicas mais nonsense ever!!
“Lenga La lenga La ducha laduê/ La ducha lá em papa La ducha laduê!” E as quatro mãos se pegavam, batiam, iam para cima e para baixo coreografadas eternamente até alguém resolver parar e brincar de:
 “Nós quatro, eu com ela, eu sem ela nós por cima nós por baixo.” Essa brincadeira durava 8 segundos aproximadamente. Então era hora de:
“O trem maluco quando sai de Pernambuco/ Vai fazendo xique xique até chegar no Ceará/ Rebola pai rebola mãe rebola filha/ Eu também sou da família/ Também quero rebolar Q Um pouquinho de coca cola/ Um pouquinho de guaraná/ Um pouquinho de cervejinha pro papai tomar/ Prá refrescar/ Minha mãe me pôs na escola pra aprender o beabá/ A danada da professora me ensinou a namorar/ Sete e sete são catorze, com mais sete vinte e um/ Teno sete namorados mas não gosto de nenhum/ Cada vez que vejo um/ Dou um tapa no bumbum/ O primeiro é Ricardinho/ O segundo é Rodriguinho/ O terceiro não vou falar/ Porque é meu amorzinho/ A mamãe na janelinha/ O papai no corredor/ O vovô de cuequinha/ Prá dançar o Rock’n Roll/ Oh! Oh!” O que há com a parte dos namorados? E essa professora danada? Mais esquisito que sete namorados só:
“O sabonete se casou, se casou, se casou/ (hahahah LoL). Tenho o prazer de apresenta, olha lá, olha lá!/ Um grande filme de amor, aaaamor! /Um grande filme de terror, teeeerror! /Um grande filme de cowboy, cooooyboy!/ Agora as nossas refeições!(HAHAHAH) /Arroz, feijão, batata e macarrão, quem se mexer vai virar sabão!”/ E não podia se mexer, que mexia, era o perdedor e começava a:
“Babalu, babalu é Califórnia, Califórnia, babalu./ Estados, Unidos, balança os seus vestidos!/ Prá frente, prá trás, chacoalha um pouco mais!” Curtinha também, com um “que” americanóide,  só para fazer um intervalo e começar a minha favorita:
“Dón-dón baby, mama-salamica! You-you shake it, mama-salamica! Geme-geme you baba, geme-geme bá! Geme-geme you baba, geme-geme …!” e não podia falar esse último bá, sob o risco de perder o jogo. Vejam bem, toda em “inglês”! Cá entre nós, existiam 501 tipos de músicas para brincar de bater mão. Alguma fazia algum sentido?
Na semana que vem vou finalizar essa longa série com Brincadeiras da minha infância com Bola e Papel! Se você não viu o que já lembramos, clique aqui e recorde os bons tempos!

Vale à pena visitar o Mapa do Brincar, de onde vieram as imagens, para ver um registro completíssimo das brincadeiras do nosso Brasilsão-de-meu-deus e todas. Vamos todas unidas rezar para ele não sair do ar nunca, pois é um material muito bacana para a gente consultar e ensinar brincadeiras super duper legais para os filhotes!

08/12/10
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A PAPA, A PRESSA E O GATO

Um post auto-explicativo sobre um mãe com pressa, uma ataque de riso (para não chorar) e um gato feliz.



06/12/10
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MUSEUM BABY TOUR - MASP

Ontem visitamos o MASPFoi a primeira vez que o Joaquim foi a um museu.
O passeio não foi nada planejado. Saímos de casa para tomar café na padaria e em seguida iríamos à casa da minha mãe. No meio do caminho decidimos que passaríamos na Av. Paulista para comprar um cabo HDMI-flambers–lambers para ligar na TV. Eis que caminhando pela Paulista, depois de apreciarmos a decoração de Natal mais cafona do universo (aquela passarela está torta e o pingüim de tapete (?) parece que caiu de cara no chão), atravessarmos uma passeata de Hare-Krishnas-meet-Veganos e estávamos bem ali embaixo do MASP ao lado da feirinha de antiguidades. Ao invés de ceder aos impulsos consumistas que me fazem acreditar com todas as fibras do meu ser que eu preciso de um espelho veneziano, resolvemos ser um pouco mais cabeções e adentramos o museu. Excelente escolha.
Note to self: No Masp não pode tirar foto. No Louvre pode.

ROMANTISMO: A ARTE DO ENTUSIASMO
63 artistas para registrar os ideários românticos, que mudaram o rumo da história da arte, política e filosofia. O homem menos racional e mais humano. O mundo visto a partir do indivíduo. O ideário iluminista de objetividade e razão substituído pela subjetividade, pelo lirismo e pela emoção. Vem cá, o Romantismo é ou não é o movimento artístico da maternidade?

Existe algo muito especial em retornar a um lugar onde você já esteve várias vezes com seu fillho embaixo do braço. "O grande Pinheiro" de Cezánne. Olhar ao vivo um Cezánne e Cia também é bastante especial.

OLHAR E SER VISTO: RETRATOS E AUTO-RETRATOS
Nessa parte do passeio o Joaquim resolveu cochilar. Acho que ficou embasbacado com os ideais românticos e foi sonhar um pouco. Telas maravilhosas nos cercaram e o cheiro do museu é uma delícia, já repararam? Todo museu tem o mesmo cheiro, será a arte um aroma universal, além de uma linguagem? Nessa parte obras selecionadas do acervo mostravam pinturas, fotografias, esculturas, gravuras desde o século XVI até os dias de hoje. Peças que mostram a completa fissura da humanidade por sua própria imagem.  Vi novamente essa tela de Renoir que é para mim um xodó. Minha avó tinha um pôster dela na sala quando a gente era criança. E sabe lá por que eu acreditava piamente (como toda boa criança) que era um retrato meu e da minha irmã. As idades casavam, as cores de cabelo também, só não pelo simples detalhe de estarem invertidas, o que não representa nada para uma criança que tinha certeza ter sido retratada por Renoir. A cara de chorona dela e nossos vestidos, um azul e outro rosa: minha mãe vivia comprando roupinha pareada em cores diferentes para a gente. É sempre um prazer incrível ver essa tela (e tantas outras obras de grandes mestres) ao vivo ao alcance dos dedos. Hey, eu sei que não pode por a mão, mas morro de vontade!


Rosa e Azul de Renoir. (suspiro)

DEUSES E MADONNAS: A ARTE DO SAGRADO
Com o Joaquim ainda dormindo passamos rapidinho por essa parte do Museu, durante uma acalorada discussão sobre os rumos da arteXdesign nos dias de hoje. A questão era, fazer a abertura da Passione faz de Vik Muniz um artista menor? Maior? Hummmm. Sempre bom estar do lado de um Delacroix. Mas para ilustrar esse tópico escolhi um artista menos famosão, Gian Pietro Rizzi, registrando um momento  tão familiar para a mulherada que vive pagando peitinho para amamentar as crias! Nem a virgem escapou!
"A Virgem Amamentando e o menino São João Batista em adoração" - amamentação: há mais de 2000 anos juntinho de você!
WIM WENDERS: LUGARES ESTRANHOS E QUIETOS
Lá no subsolo uma exposição de fotos do Wim Wenders. Incrível. A essa altura o Joaquim já estava acordado e pôde ver o que eu julguei um dos pontos altos da visita toda. Lugares estranhos e quietos, não poderia haver nome melhor. As fotos são maravilhosas e os lugares absurdamente estranhos, e lindos.

Confissão fútil-consumista da artista plástica que virou decoradora: para mim não basta apreciar essa obra. Eu queria tê-la para mim! E colocar em cima do meu sofá! (imagem daqui)

SE NÃO NESTE TEMPO: PINTURA ALEMÃ CONTEMPORÂNEA
Essa parte do museu foi uma gratíssima surpresa.  Joaquim viu cores inebriantes e cenas duras e tristes dos artistas alemães desde a queda do muro de Berlim até os dias de hoje, nitidamente divididos em ocidentais e orientais. Arte é demais, é tão bacana aprender história assim. Me apaixonei por dois novos artistas: Gerhard Richter e David Schnell. Não conhecia, fiquei boba com os trabalhos. Joaquim também, de olhão esbugalhado e boca aberta babando e rindo para as obras gigantescas!

Richter (imagem daqui)

Schnell (imagem daqui)

As imagens das três primeiras exposições foram retiradas do site do museu. Para quem não pode visitar ao vivo, vale à pena uma visita virtual para ver peças lindas que são parte da história do mundo e pertencem ao nosso museu. Quem tem a chance de vsitar, não perca! Esse foi o primeiro capítulo do Museum Baby Tour! Joaquim vai conhecer um monte de museus  bacanas, e eu vou contando para vocês! Ah, já ia me esquecendo, de quebra vimos uma interferência na fachada do museu, da Regina Silveira, uma artista que eu adoro.


Dá para ver o ponto cruz? Masp, eu te amo.

04/12/10
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ULTIMATE SUPER DUPER GUIA DE AMAMENTAÇÃO EM 31 P’s - parte IV


Excepcionalmente hoje não teremos dica bacana - é a última parte do Ultimate SpDp Guia de Amamentação! Obrigada a todas que contrubuiram até agora com seus comentários, opinoiões e experiências individuais!

PREMISSAS/ PODER DE PERSUASÃO/ PEITE/ PREPARE O PEITO/ PREPARE A MENTE/ PARTO/ PRIMEIRA MAMADA/ PEGA/ PROÍBA/ PERGUNTE/ PÚBLICO/ PITAQUEIROS/ PENDURE/ POSIÇÃO DA MÃE/ POSIÇÃO DO BEBÊ/ PEGUE LEVE/ PERRIER/ PSICOTRÓPICOS/ PACIÊNCIA/ PEPINOS POSSÍVEIS/ PALIATIVOS/ POMADAS/ PRÓPRIO LEITE/ PIRAÇÕES/ PÂNICO/ PUTAQUEOPARIU/ PASSO ATRÁS/ PLANO B/ PERSISTÊNCIA/ PARAÍSO/ PLÁSTICA

24) Pirações: Se sua mãe, vó, sogra tiver uma receita caseira tipo compressa fitoterápica, banho de cromoterapia cicatrizante, folha de couve morninha, novena para Nossa Senhora das Biquetas Ardidas – faça! Essas medidas ajudam. Enquanto eu amamentava o Joaquim em um seio, tentava esquecer a dor cuidando do outro, e fiz mesmo cromoterapia com a luz verde (minha mãe é especialista e tem o equipamento, mas uma lanterna com celofane verde na ponta tem o mesmo efeito) e compressa de chá de calêndula, deixava secar e passava leite, deixava secar e punha a concha... e por aí vai. Vai faltar tempo para comer, tomar banho e essas coisas, mas quem precisa de higiene, né?
25) Pânico – Você sente dor, parece que não está dando certo, você não sabe se a criança está se alimentado? Não desista! Para mim a regra foi ordenhar. Ajudou tanto no ingurgitamento quanto nas rachaduras, pois eu dava uma folga da boquinha de gilete do Joaquim e o alimentava com meu próprio leite. Usei uma bombinha boa, mas se você for ninja dá para ordenhar com a mão mesmo. Siga todas as regras de higiene e dê o leite num copinho, de colher ou até mesmo em mamadeira, nessa ordem de preferência.  Desse modo o leite fica concreto. Eu ficava louca em não saber se estava saindo leite e se ele estava engolindo. Quando eu vi que era possível ordenhar (e que doía menos do que ele sugando) fiquei bem mais tranqüila. Às vezes pular uma única mamada no peito já alivia a dor da próxima. Prém ordenhar pode também machucar os seios. Eu somente usei esse artifício quando fi estritamente necessário. Depois que a fase crítica passou, eu ordenhei muito leite para deixar com a minha mãe ou sogra, que alimentoaram o Joaquim nas vezes que eu tive que sair e deixá-lo.
26) Putaqueopariu – Dói pacas? Quer desistir? Inchou? Sangrou? Pense como os alcoólatras: só por hoje eu vou amamentar. Se o só por hoje não está dando certo, pense só mais essa, só mais essa. Eu pensei em desistir, amamentei chorando, passei 4 semanas sofrendo na hora de amamentar e sofrendo por antecipação pela próxima mamada que viria... mas passou. Lembre-se que em raríssimos casos as mulheres são incapazes de amamentar. Não desista.
27) Passo atrás:  Esse é para pegar impulso, como diz Fidel Castro. Eu estava preparada para dar um passo atrás caso fosse necessário. Acho que a rigidez pode atrapalhar o processo se definitivamente você não conseguir amamentar por um motivo ou por outro. Então eu pensava que se eu tivesse que usar o LA, o faria, mas não desistiria de forma nenhuma do LM. No  meu caso, não foi necessário. Ele engordou horrores, os mamilos cicatrizaram, o peito regulou a demanda e parou de entupir. Se depois de toda essa loucura ainda assim você tiver que dar um basta e colocar o baby na fórmula, faça, mas não desista do LM. Retorne com todos os passos acima e devolva para seu filhinho a chance de mamar na mama! Lembre-se que existem mães que adotam seus filhotes e amamentam. Lembre-se que existem mães que dão fórmula nos primeiros meses e depois passam para o peito. É possível, só depende da gente.
28) Plano B: Se o problema não for nenhum dos Pepinos Possíveis (P19) e sim leite insuficiente (que não foi meu caso) existe uma técnica que se chama translactação, que pode salvar o processo. É um jeito de não desistir do peito, mas garantir a alimentação do bebê com LA através de uma sondinha colocada junto ao mamilo. O bebê mama o leite artificial e continua estimulando o seio. Acaba levando um pouco dos dois. Eu não sabia dessa possibilidade na época. Aprendi com a Mari, no Pequeno guia prático.
29) Persistência: A dureza mesmo foi o primeiro mês. Com menção honrosa para a semana 2, seguida da 3, depois a 1 e por último a 4. Aí continuou doendo até o segundo mês, mas não era nada absurdo, que eu não pudesse resistir. Lembra nos arroubos da juventude quando você fez aquela tatoo de fada louca nas costelas? Então é a mesma dor, só que no seio e de três em três horas! E se você não tem tatoo e amamentou, ja sabe como é a dor. Suportável, né? mNinguém morreu de dor fazendo tatoo... vai passar, confie.
30) Paraíso: Vai valer à pena cada rachadura, cada dor, as agulhas nos mamilos, os meses (e põe mês nisso) sem dormir, os ataques histéricos na hora que aquela carinha fofa olhar para você enquanto mama e dar risadinha com seu seio na boca cheia de leite. É o paraíso! Eu me sinto no paraíso literalmente por ter ainda meu filho no seio, por ver aqueles olhinhos me fitando com amor, por saber que meu leite docinho o alimenta, acalma e o faz feliz. O cheiro do leite na boquinha dele, logo depois de sair do peito entorpecido e satisfeito é uma das lembranças mais gostosas, junto com o corpinho molinho com a cabeça solta que ele ficava quando terminava de mamar, e ainda raras vezes fica. Ele é um bebê de peito, dengoso, viciado, saudável e tem comigo uma relação de dar nó na garganta. As mãozinhas apertando meu seio, puxando meu nariz, o pézinho balançando enquanto mama fazem meu mundo parar. O jeito que ele aprendeu a puxar minha blusa e a boca de lambréia com a língua de fora vindo em direção ao peito me fazem morrei de rir toda vez. Me animam até na mais louca e cansativa madrugada. nem o surgimento dos dentes que antes eu achava que seriam sinal do fim da amamentação me fizeram querer parar. Na verdade eu nem liguei. Amo e racharia meus mamilos tudo de novo, se fosse necessário.
31) Plástica: Mas não nos iludamos. Amamentar é uma experiência única, só que tem um poder inigualável de transformar os seios. Talvez seja necessário devolver as peitolas ao formato original uma vez que no futuro, depois de ter amamentado quantas crias você e eu resolvermos parir, elas devem abandonar essa missão nobre de produzir  e oferecer leite para retornar enfim ao seu papel de adorno do corpo, valorização de decotes, encosto de colares de pérolas, enchimento dos saudosos soutiens de bojo e demais finalidades divertidas. Eu vou fazer uma poupança. Se no futuro eu não quiser mais ter seios firmes, uso o dinheiro para fazer uma tatoo monstruosa e comprar uma moto!



Piraram? Pasmaram? Padeceram? Psicólogas e Psiquiatras do meu País, eu tenho Problema? Preciso de tratamento? Ou Posso Parar de me Preocupar?

03/12/10
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ULTIMATE SUPER DUPER GUIA DE AMAMENTAÇÃO EM 31 P’s - parte III

PREMISSAS/ PODER DE PERSUASÃO/ PEITE/ PREPARE O PEITO/ PREPARE A MENTE/ PARTO/ PRIMEIRA MAMADA/ PEGA/ PROÍBA/ PERGUNTE/ PÚBLICO/ PITAQUEIROS/ PENDURE/ POSIÇÃO DA MÃE/ POSIÇÃO DO BEBÊ/ PEGUE LEVE/ PERRIER/ PSICOTRÓPICOS/ PACIÊNCIA/ PEPINOS POSSÍVEIS/ PALIATIVOS/ POMADAS/ PRÓPRIO LEITE/ PIRAÇÕES/ PÂNICO/ PUTAQUEOPARIU/ PASSO ATRÁS/ PLANO B/ PERSISTÊNCIA/ PARAÍSO/ PLÁSTICA

16) Pegue Leve: Tudo o que a mãe come passa para o leite. Você já deve ter tomado cuidados com isso na gravidez, mas na fase de amamentação é melhor tomar mais cuidado ainda. Cada bebê é de um jeito, mas para o Joaquim era certeza: refrigerante, castanha e chocolate faziam ele urrar de dor de barriga. Cortei também feijão, cafeína, frituras, embutidos e carne de porco. Tem gente que é mais durona e corta também laticínios e derivados. Depois aos poucos dá para ir voltando a comer as coisas gostosas da vida. É que no comecinho vale tudo para não piorar o que já está difícil.
17)Perrier: Água, minha gente água, muita água. Pode ficar sem comer, mas não sem água. Eu cheguei a tomar 8 litros de água por dia no primeiro mês. O curioso é que não fazia mais xixi. Adivinha para onde essa água toda estava indo? E você sabe, água só Perrier.
18) Psicotrópicos para aumentar o leite: Chá da mamãe Weleda, Chá de camomila, Canjica, Cerveja Preta, Arroz doce, Leite com Goiabada, cada um tem uma receita. Apenas 2% a 5% das mulheres têm pouca produção de leite. Os outros 95% está inseguro ou acreditando naquela tia avó que insiste em dizer que seu leite é “ralo”. Ou ainda nervosa, estressada, fazendo a pega errada amamentando pouco. Todos os P’s aqui descritos estão ligados à produção de leite. Caso você esteja entre os 5% não se desepere! Existem remédios cujos efeitos colaterais são o aumento da produção de leite, fale com um médico. Eu só fiquei nos chás pois álcool jamais, leite tampouco e eu odeio goiabada. E eu acreditei tanto que era capaz de produzir muito leite que meu leite jorrava e Joaquim engordou exponencialmente nos primeiros  meses! Minha mãe teve pouco leite, minha tia era uma vaca leiteira. Eu só me permitia pensar: eu puxei para a tia..,
19) Paciência: Pode doer, doer muito. Pode ser difícil. Tenha calma. Pense no Dalai Lama.
20) Pepinos possíveis: Saiba que existem alguns problemas mais comuns. Rachaduras, ingurgitamento, mastite e leite empedrado (ductos entupidos). Tenha em mente como evitá-los e tratá-los caso aconteçam de fato. Eu tive TODOS, cada um em um tempo diferente. Todos sanados e nenhum prejudicou a amamentação. Prejudicaram meu auto controle, minha auto estima, minha sanidade mental, os copos que joguei na parede, mas Joaquim continuou mamando como se não fosse com ele. E não era mesmo. Para mim o mais tenso foram as rachaduras e esfolamento vivo dos mamilos.
21) Paliativos: Usei muito aquelas conchas de silicone, que evitam que os mamilos encostem no tecido, deixando uma camada de ar em volta. Essas conchas ainda coletam o leite que vai vazando,  e no meu caso faziam um banho de imersão nas pobres e doloridas mamas, o que ajudou bastante. Às vezes, quando eu estava muito paranóica se ele estava ou não mamando eu dava o leite vazado na concha mesmo para o Joaquim na mesma mamada. Louca, mas me fazia bem. Banhos mornos também ajudaram um pouquinho na crise de mastite e no dia do ducto entupido, mas isso eu resolvi de outra forma, simples e fofinha: AKA furei o mamilo com uma agulha.
22) Pomada: Para evitar e tratar rachaduras, eu usei Lansinoh, importada, carérrima, mas eu ganhei da minha amigona, dinda de Joaquim. Ponha na balança, você pagaria 100 reais para ter seus mamilos de volta caso eles caíssem? Então compre uma pomada. Lambuze após cada mamada. O negócio é minimizar as rachaduras, evitá-las se possível. Depois que elas acontecem a porca torce o rabo.
23) Próprio Leite: É um santo remédio para rachaduras também, a natureza é sabia. Sempre que possível esfregue um pouquinho de leite nos mamilos e auréolas e deixe secar no vento. Vento, sol, ar fazem bem. Nunca deixe o seio abafado, não use aquelas rodelas de proteção. Eu usei no começo e elas me prejudicaram bastante. Melhor ficar azeda do que doída, vá por mim. Para quem consegue, fique peladona pela casa arejando os seios.



02/12/10
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ULTIMATE SUPER DUPER GUIA DE AMAMENTAÇÃO EM 31 P’s - parte II

PREMISSAS/ PODER DE PERSUASÃO/ PEITE/ PREPARE O PEITO/ PREPARE A MENTE/ PARTO/ PRIMEIRA MAMADA/ PEGA/ PROÍBA/ PERGUNTE/ PÚBLICO/ PITAQUEIROS/ PENDURE/ POSIÇÃO DA MÃE/ POSIÇÃO DO BEBÊ/ PEGUE LEVE/ PERRIER/ PSICOTRÓPICOS/ PACIÊNCIA/ PEPINOS POSSÍVEIS/ PALIATIVOS/ POMADAS/ PRÓPRIO LEITE/ PIRAÇÕES/ PÂNICO/ PUTAQUEOPARIU/ PASSO ATRÁS/ PLANO B/ PERSISTÊNCIA/ PARAÍSO/ PLÁSTICA
8) Pega: O bebê tem que abocanhar a maior parte da aurela (areola?) do seio. Não se apavore porque comigo isso também não deu certo. Para quem é mulher-mortadela como eu é impossível mesmo. Mas garanta que dentro da boquinha fique o máximo possível de pele ao redor do mamilo, pois se não a gengiva do bebê vai sugar só o bico, e é aí que mora o perigo. Duas ou três mamadas no esquema errado já são o suficiente para melar o processo, pois o mamilo logo incha, fica roxinho e racha. É difícil se concentrar na amamentação com um monte de visita falando, enfermeira, parentada... mas lembre-se da sua prioridade: bebê. Ninguém vai ligar se você for grossa, louca ou nem responder. Ponha a culpa nos hormônios.
O meu jeito de fazer a pega certa foi o seguinte: eu fazia uma pinça leve achatando a aurela e encostava o mamilo no queixo do bebe. Assim que ele abria a boca: mamilão goela abaixo. Eu até empurrava para dentro da boca dele um tanto de pele e aproveitava para sair puxando com o dedo os lábios do bebê para fora. Não pode ficar com “boca de véia”. Ele tem que fazer uma boca de lampréia mesmo, com os beiços para fora. Para saber se está dando certo repare que os ossos do rosto do bebe (no fim do maxilar perto da orelinha) se mexem. Se houver uma covinha na bochecha, está errado. Se ele estiver fazendo “barulinhos” (que são fofos) ou dando “beijinhos” (resista!), está errado. Se estiver doendo muito, está errado. Então tem que enfiar o dedinho no cantinho da boca do rebento e desconectar a chupeta. Se você arrancar direto, vai te machucar, sempre use o dedinho. Repita pacientemente quantas vezes for necessário, mantenha  a calma. É possível e dá certo!
Aliás, se seu parto for cesárea, perceba que à medida que você for reduzindo a quantidade de medicação a dor nos seios vai aumentar. É obvio, pois eles estão te entupindo de remédio para a dor é natural que não se sinta nada nos seios no início. Atente para a pega mais ainda, pois se você não sente dor no começo, é possível que relaxe e deixe o bebe pegar errado por uns dias, aí danou-se. Aconteceu comigo, a primeira semana foi muito sossegado. Prazer: analgésico. Na segunda semana, minha amiga... não sei quem chorava mais, eu ou o Joaquim.
9) Proíba: Alimentos artificiais para o bebê na maternidade de imediato e outros alimentos até os 6 meses. Alguns hospitais oferecem leite artificial ou água glicosada para garantir a “engorda”, num pânico louco do bebê não recuperar o peso perdido (ui, muitos “ps”). Não permita e fique calma, mamando direitinho ele vai engordar. Outros alimentos (águas, sucos, chás) são prejudiciais ao sucesso da amamentação, inclusive nos meses seguintes, quando podem ocupar espaço no estômago do bebê, causando sinais de saciedade, menos interesse para mamar, diminuindo a produção de leite da mamma e já viu?
10) Pergunte: Use e abuse das enfermeiras do hospital. No meu caso, elas tinham a informação, mas não se metiam muito, a menos que eu perguntasse. Na maternidade eu chamava uma enfermeira toda vez que ia amamentar, para ver a pega. Fiz um intensivão, esses primeiros dias são fundamentais. Se as enfermeiras da maternidade onde seu bebê nascer forem meio nó cego, use e abuse das visitas que já amamentaram. Se não der nada com elas, atravesse o corredor e vá trocar idéia com alguma mãe na mesma situação que a sua. Se já tiver acesso, consulte o banco de leite, que tem profissionais orientados para acalmar, resolver e ajudar mammis com problemas lactíferos. existem ainda as doulas, as parteiras, as obstetrizes. as campanhas, os sites e blogs. Se informe bastante antes e durante, caso tenha dúvidas na prática. Por mais que eu tivesse bastante informação antes do Koaquim nascer, na hora que aquilo tudo se concretizou o papel de orientação das enfermeiras foi fundametal.
11) Público: Sublime o pudor. Se você não quer que ninguém veja seu seio... não sei nem o que dizer. Esquece, todo mundo vai ver suas peitolas, já era. Peito de mãe que amamenta vira público, não tem jeito. No começo eu até tentei ser reservada, mas dava mais trabalho, me irritava mais e eu desencanei. Só não viu quem não quis.
12) Pitaqueiros: Se porventura você não conseguiu aplicar o 2° P (Poder de Persuasão) na família toda e tem alguém te enchendo, pitacando, desestimulando, banque a louca e peça gentilmente para a pessoa sumir da sua frente antes que você a agrida com uma serra elétrica. Normal, eles perdoam tudo das grávidas e lactentes. Não tenha medo de ser louca.
13) Pendure o rebento: Livre demanda é com certeza um dos pilares do sucesso da amamentação do Joaquim. Ele sozinho já era um bebê demandador e eu estava lá para suprir a qualquer hora que ele quisesse. Fazer um recém nascido esperar para mamar não fazia parte do meu ser. Quanto mais o bebê mama mais ele aprende a mamar. Chorou mamou, e aos poucos ele espaça as mamadas se você der sorte. (Pode ser que ele não durma nunca mais e fique viciado em peito, mas são as escolhas que a gente faz nessa vida né?) Mais para frente eu tive que regular um pouco o peito, sob orientação do pediatra. E depois com todo o caos do sono, também tentei fazer rotina. Mas foi semi-em-vão. Ele continua mamando quando quer. Mas minha idéia no início era garantr a amamentação. Uma coisa de cada vez.
14) Posição da mãe - Lembre-se é bebe no peito e não peito no bebê. Essa foi uma dica muito bacana para mim. Toda vez que eu me via dura, retorcida para chegar à boquinha do nenê, eu aplicava o mindinhão, respirava, relaxava, entoava um mantra e começava de novo. Você tem que estar confortável e acomodada, aí então leve o filhote até o seio. Tente relaxar pescoço e costas, pois ficar com o pescoço baixo sofrendo, olhando ou simplesmente amando aquele ser pode lhe render uma torcicolo fenomenal, que você não precisa nessa hora.
15) Posição do bebê: Você provavelmente está de licença. Este é seu trabalho agora. Passe o dia investigando novas posições para colocar o filhote: com almofada, sem almofada, sentadinho de frente para o seio, embaixo do braço, tipo baguete francesa... não tenha medo. Quanto mais variedade mais estimulação da produção de leite e menos machucados.

01/12/10
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ULTIMATE SUPER DUPER GUIA DE AMAMENTAÇÃO EM 31 P’s - parte I

Este post é parte integrante do ULTIMATE SUPER DUPER GUIA DE AMAMENTAÇÃO EM 31 P’s baseado nas experiências de Anne Mammi, primípara idosa despreparada e amamentadeira convicta.

PREMISSAS/ PODER DE PERSUASÃO/ PEITE/ PREPARE O PEITO/ PREPARE A MENTE/ PARTO/ PRIMEIRA MAMADA/ PEGA/ PROÍBA/ PERGUNTE/ PÚBLICO/ PITAQUEIROS/ PENDURE/ POSIÇÃO DA MÃE/ POSIÇÃO DO BEBÊ/ PEGUE LEVE/ PERRIER/ PSICOTRÓPICOS/ PACIÊNCIA/ PEPINOS POSSÍVEIS/ PALIATIVOS/ POMADAS/ PRÓPRIO LEITE/ PIRAÇÕES/ PÂNICO/ PUTAQUEOPARIU/ PASSO ATRÁS/ PLANO B/ PERSISTÊNCIA/ PARAÍSO/ PLÁSTICA

1) Premissa:  Essa é a condição sine qua non. Tem que querer. Não vale achar que quer mais ou menos. É um compromisso sério com o corpo, com o filho e com a dor que você vai sentir e problemas que pode enfrentar. Também não tem problema não querer amamentar, é para mim uma questão de opção. Apenas faça uma escolha. Se escolher amamentar, comprometa-se.
2) Poder de persuasão: Aproveite o período da espera para convencer quem estará perto de você do quanto a amamentação é importante. Pegue uma das infindáveis listas de benefícios na internet e cole na porta da geladeira. Na hora do “vamo-vê”, é importante estar cercada de gente que te apóie e que compartilhe dos seus ideais.
3) Peite: Tome para si a responsabilidade da amamentação. Não culpe o leite, o bebê, o marido, o médico e não espere que o sucesso dependa deles. Depende de você. Acreditando nisso suas chances de sucesso aumentam horrores, você vai fazer de tudo para que dê certo. Eu aprendi esse “P” na marra por causa do parto do Joaquim, que foi uma “desnecesárea” por total falta de preparo meu. Eu coloquei toda a responsabilidade do parto na mão do médico, que apesar de ter dito que seria normal todas as consultas, na 38a semana me pressionou para fazer a cesárea e eu espanei. Rá, depois disso... fiquei tão fula que amamentar virou uma questão de honra!
4) Prepare seu peito: Tem gente que é contra, mas a partir dos 5 meses eu fiz o esfrega, estica e puxa nos mamilos e redondezas, acompanhado de massagens com creminho específico. Gosto de pensar que se eu não tivesse feito, teria sido pior. Para mim soava melhor do que me arrepender de não ter feito, caso meu mamilo viesse a falecer. Tomei sol poucas vezes. Não era sempre que conseguia um espaço ao sol sem espectadores para colocar as peitolas de fora. Naquela época eu ainda tinha critérios com meus peitos.
5) Prepare sua mente: Sua tataravó conseguiu, sua bisavó conseguiu, sua vó conseguiu, talvez sua mãe também, porque você não conseguiria? Somos mamíferos e a natureza fez a gente para mamar mesmo. Só está mais difícil hoje em dia porque não andamos mais por aí torrando as mamas no sol. Ao invés disso as protegemos diariamente com microfibra italiana, algodão egípcio ou rendinhas sem vergonha. Além do mais nunca houve tanto fuá em torno do tema. Quanto mais nervosa a gente fica, pior.
6) Parto: É recomendado que o bebê seja colocado no seio imediatamente após o parto, para estimular a produção de leite. O obstetra que fez o parto do Joaquim não achava isso importante, o idiota. Se eu tivesse a chance novamente, seria mais incisiva e teria colocado para mamar na hora. Mal não ia fazer, o que abunda não prejudica! Esse “P” vai ficar para o próximo filho.
7) Primeira mamada : Esse é o “the moment”. O bebê sabe o que tem que fazer, chup, chup, chup. Cabe a você ensiná-lo a fazer direitinho de modo que ele não te machuque. Olha que lindo! A mãe começa a ensinar logo de cara! É lindo, é demais, sua vida nunca mais será a mesma. O momento que o Joaquim veio mamar pela primeira vez é de longe o momento mais feliz da minha vida até agora. Me apaixonei por ele ali e jurei: eu vou até o fim!