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| Diretamente do álbum: Fotos proibidas da gravidez vol II, o oitavo mês! |
Uma ingênua grávida pensa enquanto faz a lista de chá de bebê:
Meu filho não vai chupar chupeta não, não precisa. Nem vou pedir e também não vou pedir mamadeira nenhuma. Sou contra bicos artificiais. Primeiro, acho cafona chupeta na boca de criança. Tem coisa mais feia que um bebê com aquele plug na boca? Depois, e se prejudicar a amamentação e meu filho viciar na chupeta e largar o seio? E tem mais, conheço gente que chupou tanta chupeta que ficou com os dentes tortos. E também já li que elas dão cólica. Os dentistas falam que não tem problema, mas é claro, eles precisam de clientes. Na verdade isso é uma armação para a gente dar a chupeta, estragar toda a boca da criança e depois eles terem clientes para cuidar. Ou você acha que eles querem mesmo que a gente escove o dente depois das refeições? Querem nada, eles querem cliente! É, não dá para confiar nos dentistas. Meu filho não vai ter problemas para dormir, porque ele vai ser bem nutrido, cercado de carinho. Vou criar uma rotina perfeita e tranqüila, pois você sabe, mãe tranqüila, filho tranqüilo. E eu sou super tranqüila, então nem vai precisar. Não vou pedir.
O rebento nasce a mãe não oferece nenhum bico artificial. Lá pelo segundo mês a choradeira é tanta que o intervalo entre as mamadas em livre demanda é de 25 a 30 minutos. A paquiderma puérpera não se sente mais tão tranqüila enquanto pensa nos corredores do supermercado:
Ah. Talvez eu dê chupeta. Eu li que chupeta é melhor que o dedo, porque o dedo não tem como tirar depois. E ele anda pegando muito o dedo. Ok, não tem problema dar chupeta, muitas crianças chupam chupeta e são normais. Onde será que ficam as chupetas aqui? E é só para acalmar, eu não vou fazê-lo depender da chupeta, ele tem o meu carinho, minha dedicação. Eu não chupei chupeta, será que é por isso que sou transtornada? É, vou dar. Qual marca, qual modelo? Devia ter pedido no chá. O dentista falou a ortodôntica universal e o pediatra falou qualquer uma, não importa. Eu li que na antiguidade as mães davam bicos de porcelana para os bebês. É um costume super antigo. É quase um costume vintage. Olha elas aqui, tem a universal, a tradicional, a ortodôntica, a látex, a silicone, a toque de seda, a nível 1 a nível 2, com aro, sem aro, uau essa brilha no escuro, tem do Mickey, tem transparente... qual hein? Por que tem tantos modelos? Ah, se não pudesse dar para criança eles não faziam, né? Meu sobrinho chupou todas e está ótimo. Vou levar vários tipos.
A chupeta ajuda o pequeno a gastar a maxila e a mãe consegue finalmente tomar um banho completo sem sair com shampoo na cabeça para socorrê-lo. Durante um dos inúmeros momentos de ócio (ahã) da licença maternidade, você sabe, cabeça vazia oficina do diabo, e um novo-velho pensamento se instala.
Mas chupeta é ruim né?...Ele está bem. Ele está mamando só no peito, ele obviamente não tem mais cólica. Ele dorme a noite toda. Para que essa chupeta, hein? É feia, cafona, horrorosa. Eu li que quanto antes tirar melhor. Eu li que quando dorme com a chupeta na boca, tem que ir lá tirar. Então eu vou tirar. Tudo bem que está tudo correndo bem com a amamentação, mas uma amiga me contou que quando ela voltou a trabalhar o leite secou, porque o nenê parou de querer o peito. E esse nenê chupava chupeta. Ai meu Deus, vou tirar! O pediatra falou que não precisa tirar. Mas ele também falou que podia dar qualquer uma, isso tá me cheirando a armação do pediatra para fazer o Joaquim ficar dependente de chupetas e ter bastante otite. Porque eu li que quem chupa chupeta tem mais otite. É, não dá para confiar nos pediatras. Ah, chega de chupeta. Quer saber, não vou dar mais, nunca mais. Vou doar tudo.
Para sorte de nossa esgotada e inexperiente personagem um medo desesperador de um dia precisar das borrachudas novamente a impediu de doar as chupetas. O menino estava ótimo, ela voltou a trabalhar, ele continuou mamando lindamente, mas parou de dormir. E no meio de uma madrugada-escândalo ela pensa de quatro revirando as gavetas:
Também, é melhor chupar chupeta do que não dormir. Vai voltar a chupar sim. Eu li que criança que não dorme não cresce. É melhor ter dente torto do que ficar anão, né? Vou dar, não tem problema. E se der problema eu resolvo no futuro. E também ele já ta grande, não vai ter otite. Depois ele dá para o Papai Noel. Ou se ele não quiser largar nunca, eu pago um psicólogo, não tem problema. Mas ele tem que dormir. Pode ser qualquer uma, qualquer bico. Cadê as chupetas? Eu nem vou esterilizar, ele chupa o controle remoto, para que esterilizar? E qualquer coisa também pegar uma doencinha, é anticorpo, não tem problema.
Depois de muitas e muitas noites insistindo para que a confusa criança retomasse o hábito de sugar o polêmico botão silenciador, depois de caçar inúmeras vezes pelos lençóis a chupeta lançada em acessos de raiva do pimpolho (a pãodurice a impediu de levar o modelo que brilhava no escuro), ele se acostumou novamente a dormir chupetando. Por vezes durante os ataques de mau humor de quem acaba de acordar às 2h30min, a chupeta foi a solução para fazê-lo dormir de novo. Outras vezes não adiantava nada. Um dia enquanto ouvia o marido contando seu dia no trabalho pensava:
Eu li que não se deve trocar o bulbo da chupeta. Eu não vou trocar, ele fez seis meses, mas eu não vou trocar. Sabe por que? Porque eu li que a criança começa a se desinteressar pelo bulbo pequeno naturalmente. Viu? Por que eu me preocupei tanto? Na-tu-ral-men-te ele vai desencanar da chupeta. A Tracy falou em uso errado da chupeta, não pode depender dela. Mas e se não é para trocar por que fazem a chupeta maior? E meu afilhado chupa a maior e minha amiga falou que ajuda a desenvolver o palato. Será que eu troco? Ah, não, na-tu-ral-men-te ele vai desinteressar se eu não trocar. E também eles fazem chupetas não ortodônticas, e não pode dar. Eles fazem qualquer coisa, pra gente confusa como eu sair gastando dinheiro, não dá para confiar na indústria de produtos para bebês. Então eu não vou trocar o bulbo. É isso, essa história de bulbo é invenção para a gente gastar dinheiro. É como aquela porcaria de toalha fralda que não serve para nada. Não vou trocar. Ele vai abandonar e pronto. Tudo certo. Decidi.
Pois bem o menino de seis meses, com corpinho de nove, continuava chupando as chupetinhas fase 1. As horas viraram dias, os dias viraram semanas e as madrugadas viraram insuportáveis. Ela precisava dormir, pois diferente do garoto, necessitava de seu sono de beleza. Um dia, caminhando pela rua com o bebê no carrinho viu uma farmácia:
Olha, preciso de fraldas. Olha, ali estão as chupetas! Ahhh, tem aquele negócio do bulbo, né? Deixa eu ver esse bulbo. É grande mesmo. Será que é por isso que o Joaquim não dorme, porque eu fico dando chupeta miniatura para ele? Esse aqui realmente preenche a boca da criança. Meu Deus e se eu prejudiquei o palato? E se o palato dele não desenvolver? Ainda é tempo, acho que vou comprar uma chupeta fase 2. Mas como é que ele vai largar na-tu-ral-men-te a chupeta se eu trocar por uma mais saborosa? E se ele viciar, e se estragar os dentes? Mas péra, ele está enorme, acho que ele precisa de uma chupeta maior para se acalmar. Será que por isso que ele cospe a chupeta e chora 3568 vezes por noite, porque está pequena? Porra, eu devia ter trocado essa merda antes. Vou levar, é isso. E também se ele viciar azar. E se ficar dependente azar, e se for difícil de tirar azar. E se estragar os dentes azar! E se estiver com 5 anos chupando chupeta azar! Azar da Tracy...E se esse bulbão não funcionar?
A mãe chegou no seu limite. Olhou profundamente nos olhos do atendente da farmácia e inquiriu em voz alta:
- Moço, Tylenol dá mesmo sono no bebê?





