18/11/10
Compartilhe

BRINCADEIRAS DA MINHA INFÂNCIA

Joaquino meu bebê, um dia a mamãe vai te ensinar a brincar de muitas coisas. Já registrei para você os brinquedos, bonecas e animaizinhos que eu gostava de brincar quando eu era criancinha, enquanto o post dos brinquedos do seu pai não sai para a gente recordar de uns brinquedos mais másculos, vamos falar agora de BRINCADEIRAS. Hoje, brincadeiras de quintal!
AMARELINHA: Ainda é um clássico, existe até amarelinha pronta, para quem está com preguiça ou não quer sujar o chão. Mas o nosso negócio era desenhar mesmo com giz no chão e pular amarelinha até o risco gastar, com direito a viagens ininterruptas entre céu e inferno. E quando a pedrina caia em cima da linha? “Meia-meia lua dentro ou fora?”

PULAR CORDA: Como eu fui da geração Lua de Cristal, a gente pulava mesmo com aquela música que a Xuxa gravou “Um homem bateu em minha porta e eu a-bri!/ Senhoras e senhores põe a mão no chão (sorry dona gramática)/ Senhoras e senhores, pulem de um pé só!/ Senhoras e senhores dêem uma rodadinha, e vai pro olho da ruaaaa!”
ELÁSTICO: Toda menina entre 7 e 11 anos tinha um elástico na mochila, era uma febre. Em casa a gente brincava muito, usando os pés da cadeira para segurar um lado e a irmã para segurar o outro. Havia uma seqüências determinada para pular e segurar os elásticos, mas provavelmente eu não me lembro mais.


JOGO DA POLENTA: Essa era uma brincadeira que eu acho que inventamos, mas brincávamos sempre no prédio da minha avó. Nunca ouvi ninguém que tenha brincado disso, mas juro que existiu! Uma pessoa era a “mãe” e o restante os filhinhos. Tinha sempre o mesmo diálogo:
-Mamãe, o que você está fazendo?
- Polenta.
- Posso provar um pouquinho?
- Não! Só depois da missa.
Então a mãe ia para a missa e as crianças comiam a polenta escondidas, com direito à encenação do roubo da chave enquanto a mãe rezava ajoelhada (?)
- Cadê a polenta que tava aqui?
- O gato comeu
- Cadê o gato?
- Tá no telhado.
- Como eu faço para pegar ele?
- Pega a escada.
- E se eu cair?
- Bem feito!!
E a molecada mal criada toda saia correndo da mãe furiosa. Quem ela pegasse virava a mãe e começava tudo de novo in-fi-ni-ta-men-te. Criança curte um repeteco, não?

BARRA MANTEIGA: Fazíamos duas equipes de crianças enfileiradas paralelas com as mãos estendidas. Uma criança passava batendo nas mãos da equipe adversária, cantado: “Barra manteiga na fuça da nega, 1, 2, 3”. O dono da última mão levava um tapa mais forte e tinha que pegar o adversário, antes que ele voltasse para a fileira do seu time. Tinha ainda uma variação onde o time que estava sendo “provocado” podia puxar na marra o jogador do outro time, no momento do último tapa. Mais para frente, quando eu fui dar aulas, lembro de muitos questionamentos sobre o viés discriminatório desse jogo, por causa da parlenda. Cada um com suas conclusões.

PEGA-PEGA: Mais simples impossível. Você corre de mim, que eu te pego. Se eu te pegar eu corro de você. Para incrementar tem um “pique”, onde todos estão salvos. Mas não vale “guardar caixão”. E de repente: “limão galego, quem não sair do pique ta pego!” Existiam variações pega-pega americano, pega-pega duro ou mole, pega-pega chiclete e enfins...
ESCONDE-ESCONDE: Um pobre coitado ficava “batendo cara” e os outros coleguinhas sumiam. O infeliz tinha que encontrar os amigos e correr até o “pique” antes do encontrado para denunciar o encontramento “fulano tá pego”. Se o escondido chegasse no pique antes do encontrador, estava salvo e ainda podia salvar os menos espertinhos que já haviam sido pegos “1,2,3 salvo o mundo”! Adivinha que era sempre a primeira a ser encontrada e vivia no bate-cara? Adivinha quem não gostava muito dessa brincadeira?

JOGO DE RICO E POBRE: Ficávamos alinhados tal qual a barra manteiga, divididos em pobres e ricos. O jogo começava com os pobres todos indo até os ricos e cantando, depois os ricos iam até os pobres. O objetivo aparentemente era empregar o proletariado para acabar com o desemprego no país, uma vez que os pobres iam aceitando os empregos oferecidos e se tornando ricos. Eis um texto bacana sobre as origens desse jogo.

“Eu sou pobre, pobre, pobre, de marré, marré, marré.
Eu sou pobre, pobre, pobre de marré deci.
Eu sou rica, rica, rica, de marré, marré, marré.
Eu sou rica, rica, rica de marré deci.
Escolherei uma das filhas de marré, marré, marré.
Escolherei uma das filhas de marré deci.
Qual delas escolherá? De marré, marré, marré.
Qual delas escolherá? De marré deci.
Escolherei a fulaninha de marré, marré, marré.
Escolherei a fulaninha de marré deci.
Que profissão dará a ela? De marré, marré, marré.
Que profissão dará a ela? De marré deci.
Eu darei de cozinheira de marré, marré, marré.
Eu darei de cozinheira de marré deci.
Ela não aceitou! De marré, marré, marré.
Ela não aceitou! De marré deci.”

CORRE COTIA: Tão legal, eu simplesmente adorava. Sentados em roda uma criança corria por fora e decidia quem seria o próximo a correr jogando um lencinho nas costas do amigo no momento em que todos estivessem de olhos fechados, Descobrindo-se o escolhido, o amigo devia correr em volta da roda tentando pegar o primeiro antes que esse tomasse seu lugar vazio. Caso fosse pego, o sujeito era ovacionado com a canção amiga: “Galinha choca, galinha choca” e ficava eternamente de castigo no meio da roda.

“Corre cotia na casa da tia/ Corre cipó, na casa da vó/ Lencinho na mão, caiu no chão/ Moça bonita do meu coração./ Galo que canta corócócó/ Chupa cana com um dente só/ (essa parte eu aprendi mais para frente, quando virei palhaço de festa) Pode jogar?/ Pode!/ Ninguém vai olhar?/ Não!/ Quem olhar é um bobão, cara de sabão, faz xixi no colchão” (e mais um monte de bobagens terminadas em ão, ao gosto da criançada)



Essas recordações são como limpar bundinha de nenê, quanto mais a gente mexe mais acha onde mexer, eu vou ter que fazer um post sobre músicas da minha infância! Tenho 400 comentários a tecer sobre a Xuxa! E quem está com tempo para mais nostaliga, visite a Pri, que lembrou alguns programas da TV!
Na semana que vem tem Brincadeiras da minha infância com palmas e com as mãos! Só um chorinho: “Lenga La lenga La ducha laduê/ La ducha lá em papa La ducha laduê!”

Vale à pena visitar o Mapa do Brincar, de onde vieram as imagens, para ver um registro completíssimo das brincadeiras do nosso Brasilsão-de-meu-deus e todas. Vamos todas unidas rezar para ele não sair do ar nunca, pois é um material muito bacana para a gente consultar e ensinar brincadeiras super duper legais para os filhotes!